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Mapa de questões · 1º dia
HumanasSociologiaMédio

Questão 41ENEM 2016Caderno azul · 1º Dia

Ser moderno é encontrar-se em um ambiente que promete aventura, poder, alegria, crescimento,
autotransformação e transformação das coisas em redor — mas ao mesmo tempo ameaça destruir tudo
o que temos, tudo o que sabemos, tudo o que somos. A experiência ambiental da modernidade anula todas as
fronteiras geográficas e raciais, de classe e nacionalidade: nesse sentido, pode-se dizer que a modernidade une a
espécie humana. Porém, é uma unidade paradoxal, uma unidade de desunidade.

BERMAN, M. Tudo que é sólido desmancha no ar: a aventura da modernidade.
São Paulo: Cia. das Letras, 1986 (adaptado).

O texto apresenta uma interpretação da modernidade que a caracteriza como um(a)

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Sociologia → Teoria da modernidade (Marshall Berman) e leitura crítica de texto sociológico
  • ⚡ Nível: Médio — a resposta exige articular dois trechos aparentemente opostos do texto (promessa x ameaça) para perceber que ambos descrevem o mesmo fenômeno contraditório
  • 🎯 Tema/Habilidade: Modernidade como experiência paradoxal — competência de leitura e interpretação de textos das Ciências Humanas (H1/H6 da matriz ENEM)
  • 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual conceito resume a visão de modernidade defendida no texto de Marshall Berman?"
  • Palavras-chave decisivas: promete... mas ameaça, unidade paradoxal, unidade de desunidade
  • Armadilha típica: o candidato lê "une a espécie humana" isoladamente e marca a alternativa que fala em harmonia ou homogeneização, ignorando que o texto imediatamente qualifica essa união como "paradoxal" e como "desunidade"
  • O que a resposta precisa demonstrar: que a modernidade, para Berman, é simultaneamente construção e destruição, união e fragmentação — ou seja, um processo social atravessado por tensões internas, não um estado estável ou pacífico

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Modernidade em Marshall Berman: no livro Tudo que é sólido desmancha no ar (1982), Berman descreve a modernidade como uma experiência vivida de forma ambivalente — ao mesmo tempo em que o desenvolvimento técnico, urbano e capitalista abre possibilidades de transformação e liberdade, ele também destrói modos de vida, tradições e certezas anteriores.
  • Dialética/contradição: conceito central das ciências sociais que descreve processos históricos formados por forças opostas que coexistem e se tensionam (por exemplo, progresso e destruição, integração e fragmentação), em vez de se anularem ou se resolverem em harmonia.
  • "Unidade de desunidade": expressão-chave do texto — mostra que, embora a modernidade atinja toda a humanidade (rompendo fronteiras geográficas, raciais, de classe e nacionalidade), essa experiência comum não gera consenso ou estabilidade, e sim uma vivência compartilhada de instabilidade e conflito.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "promete aventura, poder, alegria, crescimento, autotransformação [...] — mas ao mesmo tempo ameaça destruir tudo o que temos" → revela a estrutura de ambivalência: cada ganho da modernidade vem acompanhado de uma ameaça equivalente, no mesmo processo.
  • Evidência 2: "a modernidade une a espécie humana [...] Porém, é uma unidade paradoxal, uma unidade de desunidade" → o autor nega explicitamente que essa união seja harmônica; ele a classifica como paradoxal, isto é, contraditória em sua própria essência.
  • Síntese: as duas evidências convergem para a mesma leitura — Berman não descreve um processo estável, econômico, decadente ou homogeneizador, mas um movimento social vivo, cheio de tensões simultâneas entre construção e destruição, união e fragmentação. É exatamente essa tensão constante que caracteriza uma dinâmica social contraditória.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o núcleo argumentativo do texto

O trecho de Berman é organizado em torno de um contraste proposital: de um lado, uma lista de promessas positivas (aventura, poder, alegria, crescimento, autotransformação); de outro, a ameaça de destruição ("tudo o que temos, tudo o que sabemos, tudo o que somos"). Essa estrutura de "promete X, mas ameaça Y" não é um detalhe estilístico — é o argumento central: a modernidade é, por definição, essa coexistência de opostos.

Subpasso 4.2 — Interpretar a expressão "unidade de desunidade"

Na segunda parte do texto, Berman afirma que a modernidade anula fronteiras geográficas, raciais, de classe e de nacionalidade, unindo a humanidade em uma experiência comum. Se a leitura parasse aí, poderia parecer que a alternativa correta fala de harmonia ou de homogeneização. Mas o autor faz questão de qualificar essa unidade: ela é "paradoxal", uma "unidade de desunidade". Ou seja, todos compartilham a mesma experiência — mas essa experiência compartilhada é, ela própria, feita de conflito, ruptura e instabilidade, não de consenso.

Subpasso 4.3 — Verificação

Reunindo os dois subpassos: o texto descreve um processo (a modernidade) que é social (afeta a vida coletiva da espécie humana), dinâmico (está em constante movimento de criação e destruição) e contraditório (promessa e ameaça, unidade e desunidade convivem ao mesmo tempo). Esse conjunto de características corresponde, termo a termo, à alternativa que fala em "dinâmica social contraditória" — confirmando que essa é a leitura pretendida pelo enunciado.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) dinâmica social contraditória.

✅ Correta: sintetiza exatamente os dois eixos do texto — "dinâmica" capta o caráter de processo em movimento (promete e ameaça ao mesmo tempo) e "contraditória" capta a "unidade paradoxal, unidade de desunidade" com que Berman define a experiência moderna.

B) interação coletiva harmônica.

❌ Incorreta: o texto nega explicitamente a harmonia ao usar os termos "paradoxal" e "desunidade"; a modernidade une as pessoas em uma experiência comum, mas essa experiência é conflituosa, não harmônica.

C) fenômeno econômico estável.

❌ Incorreta: o texto não trata de economia (não menciona mercado, produção ou capital) e descreve justamente o oposto de estabilidade — um processo marcado por ameaça constante de destruição do que já existe.

D) sistema internacional decadente.

❌ Incorreta: Berman fala em possibilidades de "aventura, poder, alegria, crescimento e autotransformação", ou seja, também em ganhos e potência, não em decadência; além disso, o texto não se refere a um "sistema internacional" (relações entre Estados), mas à experiência humana da modernidade como um todo.

E) processo histórico homogeneizador.

❌ Incorreta: embora a modernidade "anule fronteiras" e atinja toda a humanidade, o próprio texto rejeita a ideia de homogeneização ao afirmar que essa união é uma "unidade de desunidade" — isto é, a experiência é compartilhada, mas não torna as pessoas nem as situações iguais ou uniformes.

🏆 Gabarito: A — o texto de Berman define a modernidade como um processo simultaneamente construtivo e destrutivo, unificador e fragmentador, o que só a expressão "dinâmica social contraditória" capta com precisão.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa A combina os dois elementos indispensáveis da definição de Berman — o caráter de processo em movimento ("dinâmica") e a coexistência de opostos ("contraditória"); nenhuma outra alternativa contempla ambos ao mesmo tempo.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente usa trechos de teóricos sociais (Berman, Bauman, Giddens, Hall) sobre modernidade, globalização e identidade para testar se o candidato consegue captar ambivalências e contradições no texto, em vez de simplificá-lo em leituras unilaterais (só positivas ou só negativas).
  • Generalização: sempre que um texto de Ciências Humanas usar conectivos adversativos fortes ("mas", "porém", "no entanto") entre duas ideias, a resposta correta tende a ser a alternativa que preserva essa tensão — raramente a que escolhe apenas um dos lados.
  • Dica de eliminação rápida: elimine de cara qualquer alternativa com adjetivos de estabilidade ou consenso absoluto ("harmônica", "estável", "homogeneizador") quando o texto trouxer palavras como "paradoxal", "contradição" ou "ao mesmo tempo" — esses termos praticamente denunciam a resposta certa.
  • Conexões: o mesmo raciocínio se aplica a questões sobre globalização (Milton Santos, Zygmunt Bauman) e sobre identidade cultural na modernidade tardia (Stuart Hall), temas que também exploram a ideia de processos sociais simultaneamente integradores e fragmentadores.

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