Pular para o conteúdo
MemorizeMemorize
Mapa de questões · 1º dia
HumanasHistóriaMédio

Questão 13ENEM 2016Caderno azul · 1º Dia

A Operação Condor está diretamente vinculada às experiências históricas das ditaduras civil-militares que se disseminaram pelo Cone Sul entre as décadas de 1960 e 1980. Depois do Brasil (e do Paraguai de Stroessner), foi a vez da Argentina (1966), Bolívia (1966 e 1971), Uruguai e Chile (1973) e Argentina (novamente, em 1976). Em todos os casos se instalaram ditaduras civil-militares (em menor ou maior medida) com base na Doutrina de Segurança Nacional e tendo como principais características um anticomunismo militante, a identificação do inimigo interno, a imposição do papel político das Forças Armadas e a definição de fronteiras ideológicas.

PADRÓS, E. S. et al. Ditadura de Segurança Nacional no Rio Grande do Sul (1964-1985):
história e memória. Porto Alegre: Corag, 2009 (adaptado).

Levando-se em conta o contexto em que foi criada, a referida operação tinha como objetivo coordenar a

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: História → Ditaduras civil-militares no Cone Sul e a Doutrina de Segurança Nacional
  • ⚡ Nível: Médio — exige articular o contexto histórico da Guerra Fria com a lógica interna da Operação Condor, sem apelar para memorização de datas
  • 🎯 Tema/Habilidade: Regimes autoritários latino-americanos e repressão política (Competência de Área 5/6 — analisar processos de dominação e resistência na sociedade contemporânea)
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual era a finalidade concreta da Operação Condor dentro do cenário de ditaduras que o texto descreve?"
  • Palavras-chave decisivas: coordenar, anticomunismo militante, inimigo interno
  • Armadilha típica: confundir o pano de fundo da Guerra Fria (disputa entre potências mundiais) com o objetivo direto e operacional da aliança repressiva, ou imaginar que a operação visava reorganizar territórios ou impor um projeto ideológico positivo (nacionalismo), quando na verdade era um instrumento de perseguição.
  • O que a resposta precisa demonstrar: entendimento de que a Operação Condor era, na prática, uma rede de cooperação policial-militar entre ditaduras para caçar, sequestrar, torturar e eliminar opositores políticos além das fronteiras nacionais.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Doutrina de Segurança Nacional (DSN): doutrina militar de origem norte-americana, adotada pelas ditaduras latino-americanas, que definia o comunismo e qualquer contestação política como "inimigo interno" a ser combatido com o aparato do Estado, justificando censura, prisões arbitrárias e tortura.
  • Operação Condor: aliança formal entre os serviços de inteligência e forças militares de Brasil, Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai e Bolívia (formalizada em 1975), criada para trocar informações e executar ações conjuntas de perseguição, sequestro e assassinato de opositores exilados em países vizinhos.
  • Contexto da Guerra Fria: o alinhamento ao bloco ocidental e o temor da expansão comunista (potencializado pela Revolução Cubana de 1959) deram sustentação ideológica às ditaduras, mas isso é o pano de fundo — não o objetivo funcional específico da Condor.
  • Ativista oposicionista: categoria que incluía militantes de esquerda, sindicalistas, estudantes, religiosos ligados à Teologia da Libertação e qualquer pessoa identificada como ameaça ao regime, independentemente de vínculo com organizações armadas.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "Doutrina de Segurança Nacional... anticomunismo militante, a identificação do inimigo interno" → revela que o eixo comum das ditaduras era perseguir quem era rotulado como ameaça política interna, não uma potência estrangeira.
  • Evidência 2: "Depois do Brasil (e do Paraguai de Stroessner), foi a vez da Argentina... Bolívia... Uruguai e Chile" → mostra uma sequência de golpes que criou um bloco de regimes com o mesmo inimigo declarado, o que tornou racional cooperar entre fronteiras para perseguir esse inimigo comum, já que opositores fugiam de um país para outro.
  • Síntese: se o "inimigo" de cada ditadura era interno (o opositor político), e vários países compartilhavam esse inimigo simultaneamente, a coordenação entre eles só fazia sentido para um propósito: perseguir esses opositores mesmo quando cruzavam fronteiras em busca de exílio e proteção.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar a lógica da "identificação do inimigo interno"

O texto-base é explícito: a Doutrina de Segurança Nacional definia como inimigo não uma potência militar estrangeira, mas o "inimigo interno" — isto é, os próprios cidadãos identificados como subversivos, comunistas, sindicalistas ou militantes de oposição. Cada ditadura organizava sua repressão dentro do próprio território a partir dessa lógica.

Subpasso 4.2 — Entender por que a coordenação entre países se tornou necessária

O problema prático das ditaduras era que muitos opositores perseguidos fugiam para os países vizinhos, buscando exílio — inclusive em outras nações também sob regime autoritário, mas que ainda ofereciam alguma proteção formal a refugiados políticos. A Operação Condor surgiu exatamente para fechar essa brecha: por meio da troca de informações de inteligência, vigilância conjunta, sequestros e extradições ilegais, os regimes garantiam que nenhum opositor estivesse seguro, mesmo fora de seu país de origem. Isso caracteriza uma ação de repressão transnacional dirigida a ativistas de oposição.

Subpasso 4.3 — Verificação contra as alternativas

Ao confrontar essa conclusão com as cinco opções, apenas a que menciona diretamente "repressão de ativistas oposicionistas" corresponde ao objetivo funcional da operação descrito e implícito no texto. As demais alternativas trazem elementos que não constam do propósito da Condor (fronteiras territoriais, sobrevivência de militares exilados, ação de potências estrangeiras ou implantação de governos nacionalistas), confirmando que a resposta correta é a letra D.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) modificação de limites territoriais.

❌ Incorreta: a Operação Condor não tinha qualquer finalidade de redesenhar fronteiras entre os países envolvidos; as ditaduras cooperavam entre si justamente respeitando os territórios nacionais existentes, usando-os apenas como base logística para perseguições.

B) sobrevivência de oficiais exilados.

❌ Incorreta: inverte o sentido do texto. Quem era perseguido e forçado ao exílio eram os opositores dos regimes, não os oficiais militares — estes estavam no poder e comandavam a repressão, não fugiam dela.

C) interferência de potências mundiais.

❌ Incorreta: embora o contexto da Guerra Fria e o apoio (inclusive de inteligência norte-americana) tenham favorecido o ambiente em que a Condor surgiu, o objetivo declarado e operacional da aliança não era promover a interferência de potências estrangeiras nos assuntos internos, mas sim coordenar a repressão entre as próprias ditaduras latino-americanas.

D) repressão de ativistas oposicionistas.

✅ Correta: é exatamente o que o texto descreve ao falar em "anticomunismo militante" e "identificação do inimigo interno". A Operação Condor coordenava serviços de inteligência e forças de segurança de diferentes países para localizar, sequestrar, torturar e eliminar opositores políticos, mesmo quando estes haviam se exilado em países vizinhos.

E) implantação de governos nacionalistas.

❌ Incorreta: as ditaduras do Cone Sul não tinham como projeto comum implantar "governos nacionalistas" — eram regimes alinhados ideologicamente ao anticomunismo da Guerra Fria, e a Condor não visava instaurar um novo tipo de governo, mas sim garantir a sobrevivência dos regimes já existentes por meio da repressão coordenada.

🏆 Gabarito: D — a Operação Condor foi criada para coordenar, entre as ditaduras do Cone Sul, a perseguição e eliminação de opositores políticos que atravessavam fronteiras em busca de exílio, transformando a repressão interna de cada país em uma ação conjunta e transnacional.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: a letra D é a única que traduz o propósito funcional descrito no texto — a repressão de opositores —, enquanto as demais alternativas introduzem elementos (território, sobrevivência de militares, potências estrangeiras, nacionalismo) ausentes da lógica da Doutrina de Segurança Nacional e da própria Condor.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente explora as ditaduras civil-militares latino-americanas a partir de textos historiográficos que exigem identificar a lógica interna dos regimes (Doutrina de Segurança Nacional, "inimigo interno", terrorismo de Estado) em vez de datas ou nomes de governantes.
  • Generalização: em questões sobre regimes autoritários, a resposta correta costuma estar ligada ao mecanismo de controle e repressão social descrito no texto-base, não a fatores externos genéricos como geopolítica internacional, a menos que o enunciado explicite isso.
  • Dica de eliminação rápida: descarte de imediato alternativas que tragam elementos "positivos" de construção de Estado (fronteiras, governos, ideologias novas) quando o texto-base fala em vigilância, "inimigo interno" e anticomunismo — esses termos sinalizam repressão, não construção política.
  • Conexões: relacione com o Plano Condor e a Comissão Nacional da Verdade no Brasil, e com o conceito de "terrorismo de Estado" usado por historiadores para descrever a violência sistemática das ditaduras do Cone Sul contra a própria população.

Comunidade Memorize · Grátis

Não perca nenhuma live, aula ou material.

Entre na comunidade do WhatsApp e receba os avisos de tudo que a equipe Memorize lança de graça — direto no seu celular.