Mapa de questões · 1º dia
Questão 75 — ENEM 2016Caderno azul · 1º Dia
A figura ilustra o movimento da seiva xilêmica em uma planta.

Mesmo que essa planta viesse a sofrer ação contínua do vento e sua copa crescesse voltada para baixo, essa seiva continuaria naturalmente seu percurso.
O que garante o transporte dessa seiva é a
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Fisiologia Vegetal (transporte de seiva no xilema)
- ⚡ Nível: Médio — exige aplicar a teoria da tensão-coesão-adesão a um cenário hipotético (planta invertida sob vento) e não apenas decorar definições.
- 🎯 Tema/Habilidade: Mecanismo físico de ascensão da seiva bruta — compreender processos e organismos, relacionando fatores físico-químicos à fisiologia dos seres vivos.
- 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual processo é a verdadeira força motriz do transporte de água pelo xilema, mesmo quando gravidade e vento são colocados contra a planta?"
- Palavras-chave decisivas: ação contínua do vento, copa crescesse voltada para baixo, continuaria naturalmente seu percurso
- Armadilha típica: marcar "gravidade" por associação intuitiva (a água "sobe", então algo deveria "puxar" contra a gravidade, e o senso comum tenta encaixar a força mais óbvia da física); ou confundir transpiração com gutação, que também envolve perda de água pela folha.
- O que a resposta precisa demonstrar: que o candidato entende a teoria da tensão-coesão-adesão (TCA) e consegue isolar, no experimento mental proposto, qual variável (orientação da copa) desmonta a hipótese da gravidade e qual variável (vento) reforça a hipótese correta.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Xilema: tecido vascular morto na maturidade (vasos e traqueídes sem citoplasma funcional), especializado em conduzir seiva bruta (água + sais minerais) das raízes até as folhas, em um sistema de tubos contínuos.
- Teoria da Tensão-Coesão-Adesão (TCA): modelo físico que explica a ascensão da seiva sem gasto de ATP pela planta. A transpiração cria tensão (pressão negativa); a coesão entre moléculas de água (pontes de hidrogênio) mantém a coluna líquida íntegra; a adesão da água às paredes celulósicas do xilema evita que ela deslize e caia.
- Transpiração: perda de vapor de água pelos estômatos, principal responsável por criar o gradiente de potencial hídrico que "puxa" a água desde a raiz, como um canudo contínuo sugado pela extremidade superior.
- Gutação: eliminação de gotas de água líquida (não vapor) pelas bordas das folhas, via hidatódios, típica de noites úmidas quando a transpiração está baixa e a pressão radicular empurra o excesso de água para fora — efeito de pressão positiva na raiz, não motor do fluxo diário.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
A figura mostra o ciclo completo: água do solo entra pela raiz, sobe pelos vasos xilêmicos (seta pontilhada ascendente) e sai como vapor de água pelos estômatos da folha — o percurso descrito na "Teoria da tensão-coesão-adesão" citada na fonte da imagem.
- Evidência 1: "ação contínua do vento" → vento aumenta a evapotranspiração, intensificando a saída de vapor pelos estômatos — reforça, não enfraquece, o mecanismo que move a seiva.
- Evidência 2: "copa crescesse voltada para baixo" → inverte a orientação da planta em relação à gravidade; se a gravidade fosse o motor do fluxo ascendente, essa inversão o interromperia, mas o enunciado garante que o transporte continuaria normalmente.
- Síntese: o experimento mental elimina a gravidade (variável espacial invertida) e destaca o vento (variável que intensifica a evaporação foliar) como pista de que o motor do sistema está ligado à perda de água pelas folhas — a transpiração.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Lendo o modelo da figura
No detalhe superior, o estômato libera vapor de água; no detalhe inferior, a água do solo entra pelas células da raiz e alcança o xilema. Entre os dois pontos, o "vaso xilêmico" aparece como uma coluna contínua de água, com seta ascendente indicando o sentido único do fluxo: da raiz para a copa.
Subpasso 4.2 — Aplicando a Teoria da Tensão-Coesão-Adesão
Nas folhas, a transpiração retira água da superfície das células do mesofilo, reduzindo o potencial hídrico ali. Essa redução "puxa" água das células vizinhas, que por sua vez puxam a coluna contínua dentro do xilema — sucção comparável a beber com canudo, em cascata. A coesão (pontes de hidrogênio) impede que essa coluna se rompa sob tensão; a adesão às paredes do xilema impede que ela escorregue e caia. É um fluxo passivo, que não depende de bombeamento metabólico ativo nem da orientação da planta no espaço, apenas da perda contínua de vapor d'água nas folhas.
Subpasso 4.3 — Verificação com o experimento mental da questão
Se a copa crescesse voltada para baixo, a gravidade passaria a favorecer a descida da seiva, não sua ascensão — logo, se o transporte "continuaria naturalmente seu percurso" mesmo assim, a gravidade não é a força responsável. Já o vento contínuo, ao acelerar a evaporação foliar, intensifica a tensão gerada pela transpiração, reforçando o fluxo raiz→copa em qualquer orientação espacial. Só a transpiração é compatível com um mecanismo que independe da gravidade e é potencializado pelo vento.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) gutação.
❌ Incorreta: gutação é a eliminação de gotas de água líquida (não vapor) pelas bordas das folhas via hidatódios, típica de ambientes muito úmidos à noite, quando a transpiração está baixa e a pressão radicular empurra o excedente de água para fora. É consequência de pressão positiva na raiz sob baixa transpiração — o oposto do cenário de vento contínuo descrito, que favorece justamente mais transpiração e menos gutação.
B) gravidade.
❌ Incorreta: a gravidade atua no sentido descendente, enquanto o transporte de seiva bruta é ascendente, da raiz para a copa. Se a gravidade fosse a força motriz, inverter a copa para baixo faria a força gravitacional atuar a favor da descida, interrompendo ou revertendo o fluxo natural — mas o próprio enunciado garante que o transporte se manteria, o que descarta essa alternativa.
C) respiração.
❌ Incorreta: a respiração celular é o processo mitocondrial de quebra de glicose para liberar energia (ATP), fundamental para o metabolismo geral da planta, mas não gera diretamente a força física que desloca a coluna de água no xilema — tecido morto e sem citoplasma funcional nos elementos condutores maduros, portanto incapaz de "bombear" seiva por processos celulares ativos.
D) fotossíntese.
❌ Incorreta: a fotossíntese produz compostos orgânicos a partir de CO₂, água e luz nas folhas, sendo a base do transporte de seiva elaborada (orgânica) no floema — não do transporte de seiva bruta (água e sais minerais) no xilema, que é exatamente o que a questão pergunta.
E) transpiração.
✅ Correta: a perda de vapor de água pelos estômatos gera a tensão (pressão negativa) que, combinada à coesão entre as moléculas de água e à adesão delas às paredes do xilema, sustenta e movimenta a coluna contínua de seiva bruta da raiz até a copa — mecanismo passivo, independente da orientação da planta em relação à gravidade, e reforçado (não interrompido) pela ação contínua do vento, exatamente como a figura ilustra com o vapor de água saindo do estômato.
🏆 Gabarito: E — a transpiração gera a tensão que "puxa" a coluna de seiva no xilema por coesão e adesão, um mecanismo que independe da gravidade e é intensificado pelo vento, como exige o cenário hipotético da questão.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas a transpiração explica por que o fluxo de seiva bruta persistiria mesmo com a copa invertida e sob vento contínuo, já que ela é a origem da força de tensão que sustenta a teoria da tensão-coesão-adesão, um mecanismo passivo e independente da orientação espacial da planta.
- Padrão de cobrança: o ENEM cobra fisiologia vegetal recorrentemente através da teoria da tensão-coesão-adesão, quase sempre opondo a transpiração a distratores intuitivos como gravidade, pressão radicular ou processos metabólicos (respiração/fotossíntese).
- Generalização: sempre que a questão envolver transporte ascendente e "contra a gravidade" de água em plantas, a resposta gira em torno da transpiração e da coesão-adesão das moléculas de água — nunca da gravidade, que atua no sentido oposto.
- Dica de eliminação rápida: descarte de imediato "gravidade" (o fluxo é ascendente, contrário a ela) e "respiração"/"fotossíntese" (processos metabólicos que não geram força física de sucção); "gutação" cai quando a questão menciona vento ou evaporação intensa, pois esse cenário favorece transpiração, não gutação.
- Conexões: teoria da pressão radicular e potencial hídrico do solo; transporte de seiva elaborada no floema pela hipótese do fluxo de massa (translocação de fotoassimilados).
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