Mapa de questões · 2º dia
Questão 112 — ENEM 2013Caderno azul · 2º Dia
Jogar limpo
Argumentar não é ganhar uma discussão a qualquer preço. Convencer alguém de algo é, antes de tudo, uma alternativa à prática de ganhar uma questão no grito ou na violência física — ou não física. Não física, dois pontos. Um político que mente descaradamente pode cativar eleitores. Uma publicidade que joga baixo pode constranger multidões a consumir um produto danoso ao ambiente. Há manipulações psicológicas não só na religião. E é comum pessoas agirem emocionalmente, porque vítimas de ardilosa — e cangoteira — sedução. Embora a eficácia a todo preço não seja argumentar, tampouco se trata de admitir só verdades científicas — formar opinião apenas depois de ver a demonstração e as evidências, como a ciência faz. Argumentar é matéria da vida cotidiana, uma forma de retórica, mas é um raciocínio que tenta convencer sem se tornar mero cálculo manipulativo, e pode ser rigoroso sem ser científico.
Língua Portuguesa, São Paulo, ano 5, n. 66, abr. 2011 (adaptado).
No fragmento, opta-se por uma construção linguística bastante diferente em relação aos padrões normalmente empregados na escrita. Trata-se da frase “Não física, dois pontos”. Nesse contexto, a escolha por se representar por extenso o sinal de pontuação que deveria ser utilizado
Alternativas
Resolução
📋 Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Português → Recursos estilísticos
- ⚡ Nível: Muito difícil — escrever 'dois pontos' faz o serviço dos dois pontos.
- 🎯 Tema/Habilidade: A função da frase 'Não física, dois pontos'.
- 🏆 Gabarito: C — revelado após a resolução completa
🔎 Passo 1 — O que a questão pede
- Comando: qual é a função da construção escolhida.
- Estrutura da questão: o autor escreve por extenso o nome de um sinal de pontuação em vez de usá-lo.
- Armadilha antecipada: classificar como metalinguagem. Metalinguagem exigiria que a linguagem fosse tomada como objeto de análise, e aqui o recurso apenas organiza o texto.
📚 Passo 2 — O conceito em jogo
Os dois pontos, como sinal gráfico, anunciam uma enumeração, uma explicação ou um aposto que especifica o que veio antes.
No fragmento, logo depois da expressão vem uma série de exemplos de violência não física: o político que mente, a publicidade que joga baixo, as manipulações psicológicas, a sedução emocional.
Esses exemplos funcionam como apostos que especificam não física, e escrever o nome do sinal por extenso cumpre exatamente a função que o sinal cumpriria.
🧮 Passo 4 — O caminho até a resposta
Verifique o que vem imediatamente depois da expressão: uma série de exemplos.
Reconheça a função desses exemplos: apostos que especificam a expressão não física.
A construção é recurso estilístico que sequencia as ideias introduzindo apostos exemplificativos — alternativa C.
🔍 Passo 5 — Análise das Alternativas
- A) ✗ Incorreta. Não há metáfora sendo enfatizada pela construção.
- B) ✗ Incorreta. Metalinguagem exigiria que a linguagem fosse tomada como objeto de análise, o que não ocorre: o recurso apenas organiza o texto.
- C) ✓ Correta. Escrever o nome do sinal por extenso cumpre a função dos dois pontos: introduzir os apostos exemplificativos que vêm em seguida.
- D) ✗ Incorreta. Não se trata de linguagem conotativa nem de flexibilidade do gênero.
- E) ✗ Incorreta. O raciocínio é desenvolvido logo em seguida, pelos exemplos: a construção não prejudica a sequência.
🏁 Passo 6 — O que levar dessa questão
O nome do sinal por extenso faz o trabalho do sinal. Veja o que vem depois para confirmar.
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