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Mapa de questões · 2º dia
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Questão 104 — ENEM 2013Caderno azul · 2º Dia

Lusofonia

rapariga: s.f., fem. de rapaz: mulher nova; moça; menina; (Brasil), meretriz.

Escrevo um poema sobre a rapariga que está sentada

no café, em frente da chávena de café, enquanto

alisa os cabelos com a mão. Mas não posso escrever este

poema sobre essa rapariga porque, no Brasil, a palavra

rapariga não quer dizer o que ela diz em Portugal. Então,

terei de escrever a mulher nova do café, a jovem do café,

a menina do café, para que a reputação da pobre rapariga

que alisa os cabelos com a mão, num café de Lisboa, não

fique estragada para sempre quando este poema atravessar o

Atlântico para desembarcar no Rio de Janeiro. E isto tudo

sem pensar em África, porque aí lá terei

de escrever sobre a moça do café, para

evitar o tom demasiado continental da rapariga, que é

uma palavra que já me está a pôr com dores

de cabeça até porque, no fundo, a única coisa que eu queria

era escrever um poema sobre a rapariga do

café. A solução, então, é mudar de café, e limitar-me a

escrever um poema sobre aquele café onde nenhuma rapariga se

pode sentar à mesa porque só servem café ao balcão.

JÚDICE, N. Matéria do Poema. Lisboa: D. Quixote, 2008.

O texto traz em relevo as funções metalinguística e poética. Seu caráter metalinguístico justifica-se pela

Alternativas

Resolução

📋 Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Português → Metalinguagem
  • ⚡ Nível: Médio — o poema é sobre escrever o poema.
  • 🎯 Tema/Habilidade: O procedimento do poema Lusofonia.
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após a resolução completa

🔎 Passo 1 — O que a questão pede

  • Comando: que característica o poema apresenta.
  • Estrutura da questão: o eu lírico anuncia que escreve um poema e, em seguida, explica por que não pode escrevê-lo daquele jeito.
  • Armadilha antecipada: ler como tematização do cotidiano. O cotidiano é cenário; o assunto é o próprio ato de escrever.

📚 Passo 2 — O conceito em jogo

Metalinguagem é a linguagem que toma a si mesma como objeto. No poema, o poema fala de sua própria construção.

O impasse é lexical: rapariga significa moça em Portugal e tem sentido pejorativo no Brasil — e a verbete inicial já anuncia essa duplicidade.

O eu lírico expõe as tentativas de contorno — a mulher nova do café, a jovem do café, a menina do café —, e é essa exposição do processo que caracteriza o fazer artístico como tema.

🧮 Passo 4 — O caminho até a resposta

Observe o que o eu lírico faz: anuncia o poema e discute por que não pode escrevê-lo assim.

Reconheça o procedimento: o texto trata da própria construção.

O poema tematiza o fazer artístico pela discussão do ato de construir a obra — alternativa D.

🔍 Passo 5 — Análise das Alternativas

  • A) ✗ Incorreta. O impasse é lexical e específico, não uma reflexão sobre dificuldade de inovar na arte.
  • B) ✗ Incorreta. O poema não defende movimento artístico algum.
  • C) ✗ Incorreta. O café é cenário: o assunto é o problema de escrever o poema.
  • D) ✓ Correta. O eu lírico expõe o próprio processo de escolha das palavras — o poema trata da sua construção.
  • E) ✗ Incorreta. Não há busca de estranhamento como critério de reconhecimento da obra.

🏁 Passo 6 — O que levar dessa questão

Poema que fala de escrever o poema é metalinguagem. O cenário não é o tema.

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