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Mapa de questões · 2º dia
LinguagensLiteraturaDifícil

Questão 101 — ENEM 2012Caderno azul · 2º Dia

E como manejava bem os cordéis de seus títeres, ou ele mesmo, títere voluntário e consciente, como entregava o braço, as pernas, a cabeça, o tronco, como se desfazia de suas articulações e de seus reflexos quando achava nisso conveniência. Também ele soubera apoderar-se dessa arte, mais artifício, toda feita de sutilezas e grosserias, de expectativa e oportunidade, de insolência e submissão, de silêncios e rompantes, de anulação e prepotência. Conhecia a palavra exata para o momento preciso, a frase picante ou obscena no ambiente adequado, o tom humilde diante do superior útil, o grosseiro diante do inferior, o arrogante quando o poderoso em nada o podia prejudicar. Sabia desfazer situações equívocas, e armar intrigas das quais se saía sempre bem, e sabia, por experiência própria, que a fortuna se ganha com uma frase, num dado momento, que este momento único, irrecuperável, irreversível, exige um estado de alerta para a sua apropriação.

RAWET, S. O aprendizado. In: Diálogo. Rio de Janeiro: GRD, 1963 (fragmento).

No conto, o autor retrata criticamente a habilidade do personagem no manejo de discursos diferentes segundo a posição do interlocutor na sociedade. A crítica à conduta do personagem está centrada

Alternativas

Resolução

📋 Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Literatura → Prosa moderna
  • ⚡ Nível: Difícil — quem move os cordéis também é movido.
  • 🎯 Tema/Habilidade: A imagem do títere no fragmento.
  • 🏆 Gabarito: A — revelado após a resolução completa

🔎 Passo 1 — O que a questão pede

  • Comando: como o texto constrói a crítica ao personagem.
  • Estrutura da questão: o personagem maneja os cordéis dos títeres e, ao mesmo tempo, é descrito como títere voluntário e consciente.
  • Armadilha antecipada: ler apenas uma das metades. O texto afirma as duas coisas: ele manipula e é manipulado.

📚 Passo 2 — O conceito em jogo

Títere é boneco de manipulação. A imagem é usada para descrever quem se deixa mover conforme a conveniência.

O fragmento constrói uma ambiguidade deliberada: o personagem domina a arte de manejar os outros e, na mesma frase, se apresenta como boneco que entrega braços e pernas.

A ironia está aí: acreditar dominar o jogo é justamente o que o transforma em peça dele.

🧮 Passo 4 — O caminho até a resposta

Observe a primeira imagem: ele maneja bem os cordéis de seus títeres.

Observe a segunda, na mesma frase: ou ele mesmo, títere voluntário e consciente, que entrega braço, pernas e cabeça.

A crítica está em ele se transformar no fantoche que julga manipular — alternativa A.

🔍 Passo 5 — Análise das Alternativas

  • A) ✓ Correta. O texto o apresenta ao mesmo tempo como manipulador e como títere, o que expõe a ilusão de domínio.
  • B) ✗ Incorreta. O texto afirma que ele desfaz suas articulações por conveniência, o que indica domínio da técnica, e não sua falta.
  • C) ✗ Incorreta. Não há censura a frases obscenas: a crítica é sobre o comportamento de adaptação constante.
  • D) ✗ Incorreta. Os tons opostos não são empregados aleatoriamente: o texto diz que ele os usa quando achava conveniência.
  • E) ✗ Incorreta. Não há elogio à originalidade: o personagem é descrito como quem se molda ao que a situação pede.

🏁 Passo 6 — O que levar dessa questão

Quando o texto diz duas coisas opostas do mesmo personagem, a crítica está justamente na contradição.

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