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Mapa de questões · 1º dia
NaturezaQuímicaDifícil

Questão 88ENEM 2016 Reaplicação

Os gráficos representam a concentração na atmosfera, em partes por milhão (ppm), bilhão (ppb) ou trilhão (ppt), dos cinco gases responsáveis por 97% do efeito estufa durante o período de 1978 a 2010.

Qual gás teve o maior aumento percentual de concentração na atmosfera nas últimas duas décadas?

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Química → Química Ambiental/Atmosférica (concentração de gases-estufa em ppm, ppb e ppt) + Leitura Crítica de Gráficos
  • ⚡ Nível: Difícil — exige calcular variação percentual a partir de quatro gráficos com escalas diferentes e cruzar isso com conhecimento de química atmosférica (Protocolo de Montreal), sob risco real de ambiguidade
  • 🎯 Tema/Habilidade: Efeito estufa e concentração de gases atmosféricos — interpretação de gráficos com eixos em escalas distintas (Competência de Área 2, Ciências da Natureza)
  • 🏆 Gabarito: ANULADA — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Entre os cinco gases mostrados nos quatro gráficos, qual teve o maior AUMENTO PERCENTUAL de concentração entre aproximadamente 1990 e 2010?"
  • Palavras-chave decisivas: maior aumento, percentual, últimas duas décadas
  • Armadilha típica: confundir "maior aumento percentual" com "maior variação absoluta" ou, pior, com "a curva que parece mais inclinada no gráfico" — cada um dos quatro gráficos tem uma escala vertical diferente (330-390 ppm; 295-325 ppb; 0-600 ppb; 0-600 ppt), e comparar inclinações visuais entre eixos distintos é matematicamente inválido.
  • O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de extrair valores numéricos de início e fim de cada curva, aplicar a fórmula de variação percentual e comparar os cinco resultados em pé de igualdade — nunca pela aparência visual.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Variação percentual: Δ% = [(valor final − valor inicial) ÷ valor inicial] × 100. É a única forma correta de comparar grandezas com ordens de magnitude e unidades diferentes (ppm × ppb × ppt).
  • Unidades de concentração atmosférica: ppm (partes por milhão, CO₂), ppb (partes por bilhão, CH₄ e N₂O) e ppt (partes por trilhão, CFC-11 e CFC-12) representam ordens de grandeza mil vezes distintas entre si — comparar os números "crus" entre gráficos não faz sentido, só a variação percentual.
  • Protocolo de Montreal (1987): tratado internacional que baniu progressivamente a produção de CFCs por destruírem a camada de ozônio. Como o CFC-11 e o CFC-12 têm tempo de vida atmosférico longo, porém finito, e não há mais emissão de novas moléculas em escala relevante, suas concentrações atingiram um pico e passaram a estagnar ou cair nas décadas seguintes.
  • Eixo truncado × eixo zerado: um gráfico cujo eixo vertical não começa em zero (como o do CO₂, 330-390, e o do N₂O, 295-325) amplifica visualmente até pequenas oscilações, fazendo a curva parecer mais "dramática" do que realmente é em termos percentuais.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado e dos Gráficos

  • Evidência 1: o gráfico do CO₂ varia de 330 a 390 ppm (faixa de 60 unidades) e o do N₂O varia de apenas 295 a 325 ppb (faixa de só 30 unidades) → o eixo do N₂O é o mais "espremido" dos quatro, o que faz sua curva parecer visualmente a mais íngreme mesmo com uma variação percentual moderada — clássica armadilha de leitura gráfica.
  • Evidência 2: os gráficos de metano e dos CFCs compartilham a mesma escala, de 0 a 600 (ppb para o CH₄, ppt para os CFCs) → aqui está o núcleo do problema: a concentração real de metano na atmosfera, ao longo de todo o período 1978-2010, girava entre 1550 e 1800 ppb — um valor que simplesmente não cabe dentro de uma escala de 0 a 600 ppb. Há uma incompatibilidade entre a escala apresentada e os dados reais historicamente registrados pela própria fonte citada (NOAA/ESRL), o que torna impraticável calcular a variação percentual do metano só com o que a figura oferece.
  • Evidência 3: "responsáveis por 97% do efeito estufa" remete diretamente ao AGGI (Annual Greenhouse Gas Index) da NOAA, índice que soma exatamente CO₂ + CH₄ + N₂O + CFC-12 + CFC-11 como os cinco gases-estufa de longa permanência mais relevantes — confirma que a figura é uma adaptação de dados reais, não uma criação hipotética.
  • Síntese: a questão propõe um cálculo aparentemente simples (variação percentual a partir de um gráfico), mas os próprios dados fornecidos são internamente inconsistentes para pelo menos um dos gases, e o desenho dos eixos (alguns truncados, outros zerados e compartilhados) induz leituras visuais contraditórias. Esse é exatamente o tipo de falha que torna um item passível de anulação por ausência de resposta única e inequívoca.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Estimando a variação percentual de cada gás com valores históricos reais (aproximados, já que o enunciado não fornece tabela numérica)

  • CO₂: ≈354 ppm (1990) → ≈390 ppm (2010) ⇒ Δ ≈ +36 ⇒ +10,2%
  • N₂O: ≈308 ppb (1990) → ≈323 ppb (2010) ⇒ Δ ≈ +15 ⇒ +4,9%
  • CH₄: ≈1714 ppb (1990) → ≈1799 ppb (2010) ⇒ Δ ≈ +85 ⇒ +5,0% — porém o crescimento do metano apresentou um platô bem documentado entre meados dos anos 1990 e cerca de 2006-2007, o que reduziria ainda mais essa taxa se calculada estritamente "nas últimas duas décadas"
  • CFC-12: pico próximo de 2000-2003, seguido de leve queda ⇒ variação próxima de zero ou levemente negativa
  • CFC-11: queda constante desde meados dos anos 1990, em razão do Protocolo de Montreal ⇒ variação negativa

Subpasso 4.2 — Eliminação por química atmosférica (independente da leitura do gráfico)

D (CFC-12) e E (CFC-11) podem ser descartadas com segurança científica, sem depender de nenhuma leitura visual: como sua produção está banida desde o Protocolo de Montreal, essas moléculas só desaparecem da atmosfera ao longo do tempo — não podem ser "o gás que mais aumentou" em nenhuma leitura honesta dos dados.

Subpasso 4.3 — Verificação: por que não há vencedor único

Restam CO₂, CH₄ e N₂O disputando o primeiro lugar. Pelos valores numéricos reais, o CO₂ levaria vantagem (~10%); mas um candidato que leia apenas a inclinação visual do gráfico de N₂O (eixo de só 30 unidades) tende a escolher N₂O; e um candidato que tente ler o gráfico de CH₄ — cuja escala (0-600 ppb) é incompatível com a concentração real do gás (~1700-1800 ppb) — pode chegar a qualquer conclusão, inclusive equivocada, sobre esse gás. Como os dados fornecidos na própria figura não permitem, de forma padronizada e inequívoca, apontar um único vencedor, o item foi ANULADO pelo INEP.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) CO₂

❌ Incorreta como gabarito: é a candidata numericamente mais forte em cálculos aproximados com dados reais (~10%), mas a figura fornecida (eixo truncado de 330 a 390 ppm) não permite, por si só, comprovar essa liderança de forma inequívoca frente às demais curvas, cujas escalas não são comparáveis diretamente.

B) CH₄

❌ Incorreta como gabarito: seria a alternativa "esperada" pelo senso comum, já que o metano costuma ser citado como o gás que mais cresceu percentualmente desde a era pré-industrial. Mas o próprio gráfico do enunciado usa uma escala (0-600 ppb) fisicamente incompatível com os valores reais de metano no período (~1700-1800 ppb), tornando qualquer cálculo percentual extraído diretamente da figura inconfiável.

C) N₂O

❌ Incorreta como gabarito: a curva do óxido nitroso parece a mais inclinada visualmente só porque seu eixo vertical é o mais espremido de todos (apenas 295 a 325, uma faixa de 30 unidades) — clássica armadilha de leitura gráfica. Numericamente, sua variação percentual (≈5%) é uma das menores entre os gases ainda em ascensão.

D) CFC-12

❌ Incorreta: descartada por química atmosférica. Após o Protocolo de Montreal (1987), a produção de CFCs foi banida globalmente, e a concentração de CFC-12 estabilizou e passou a declinar levemente a partir do início dos anos 2000 — não é, de forma alguma, o gás de maior aumento.

E) CFC-11

❌ Incorreta: mesmo raciocínio da alternativa D, porém ainda mais evidente — o CFC-11 está em trajetória de queda desde meados da década de 1990, apresentando variação negativa de concentração nas últimas duas décadas. Não pode, sob nenhuma leitura razoável dos dados, ser "o gás que mais aumentou percentualmente".

🏆 Gabarito: ANULADA — o INEP anulou o item porque os dados gráficos fornecidos não permitem calcular, de maneira única e inequívoca, qual gás teve o maior aumento percentual de concentração: a escala do gráfico de metano é incompatível com os valores reais da espécie, e a combinação de eixos truncados de formas diferentes em cada painel induz leituras visuais contraditórias entre CO₂, CH₄ e N₂O.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: nenhuma das cinco alternativas pode ser sustentada, a partir dos dados efetivamente apresentados na figura, como resposta única e inequívoca — por isso o gabarito oficial é ANULADA, e não uma das letras A a E.
  • Padrão de cobrança: o ENEM cobra com frequência a leitura crítica de gráficos ambientais e climáticos (efeito estufa, aquecimento global, ciclo do carbono, camada de ozônio) combinada a cálculos de variação percentual extraídos de figuras — é um tema recorrente em Ciências da Natureza.
  • Generalização: sempre que uma questão pedir "maior aumento/queda percentual" a partir de gráficos, jamais compare a inclinação visual de curvas plotadas em escalas diferentes — extraia os valores numéricos inicial e final de cada uma e aplique a fórmula de variação percentual antes de comparar.
  • Dica de eliminação rápida: gases regulados por protocolos internacionais de banimento (como os CFCs, sob o Protocolo de Montreal) quase sempre podem ser descartados de perguntas sobre "maior aumento" recente, pois sua tendência histórica desde o fim do século XX é de estagnação ou queda.
  • Conexões: Protocolo de Montreal e camada de ozônio; Protocolo de Kyoto e Acordo de Paris; Índice Anual de Gases-Estufa (AGGI) da NOAA; ciclo do carbono e aquecimento global antrópico.

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