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Mapa de questões · 1º dia
NaturezaQuímicaMédio

Questão 74ENEM 2016 Reaplicação

Utensílios de uso cotidiano e ferramentas que contêm ferro em sua liga metálica tendem a sofrer processo corrosivo e enferrujar. A corrosão é um processo eletroquímico e, no caso do ferro, ocorre a precipitação do óxido de ferro(III) hidratado, substância marrom pouco solúvel, conhecido como ferrugem. Esse processo corrosivo é, de maneira geral, representado pela equação química:

4 Fe (s) + 3 O₂ (g) + 2 H₂O (l) → 2 Fe₂O₃ · H₂O (s)

Ferrugem

Uma forma de impedir o processo corrosivo nesses utensílios é

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Química → Eletroquímica (Corrosão de Metais e Reações de Oxirredução)
  • ⚡ Nível: Médio — exige interpretar os reagentes da equação fornecida e conectá-los ao mecanismo eletroquímico da corrosão, não bastando decorar o nome "ferrugem".
  • 🎯 Tema/Habilidade: Corrosão do ferro como processo eletroquímico; competência de relacionar transformações químicas do cotidiano a soluções tecnológicas de prevenção.
  • 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual atitude prática impede a reação química de corrosão do ferro representada na equação dada?"
  • Palavras-chave decisivas: processo eletroquímico, impedir o processo corrosivo, equação química (reagentes Fe, O₂ e H₂O)
  • Armadilha típica: confundir "retardar/diminuir o risco" com "impedir a reação" (a opção sobre calor apenas mudaria a velocidade, não bloquearia os reagentes) ou associar ferrugem a um fenômeno biológico, causado por micro-organismos.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que a estratégia eficaz elimina o contato do metal com os reagentes químicos da equação — oxigênio e água — e não apenas altera condições físicas periféricas do ambiente.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Corrosão eletroquímica: processo espontâneo de oxidação do metal que ocorre por meio da formação de microcélulas galvânicas na própria superfície metálica, com uma região anódica (onde o Fe perde elétrons) e uma região catódica (onde o O₂ ganha elétrons), interligadas eletricamente pelo metal e ionicamente por um eletrólito — geralmente a água ou a umidade do ar.
  • Semirreação anódica (oxidação): Fe(s) → Fe²⁺(aq) + 2e⁻ — o ferro metálico perde elétrons e passa para a solução aquosa formada pela umidade.
  • Semirreação catódica (redução): O₂(g) + 2 H₂O(l) + 4 e⁻ → 4 OH⁻(aq) — o oxigênio dissolvido na água captura os elétrons liberados pelo ferro.
  • Formação da ferrugem: os íons Fe²⁺ reagem com OH⁻ formando Fe(OH)₂, que é oxidado por mais O₂ a Fe(OH)₃; esse hidróxido se desidrata parcialmente, originando o óxido de ferro(III) hidratado (Fe₂O₃·H₂O) — a ferrugem, um sólido poroso, marrom e não protetor.
  • Papel da água: funciona como eletrólito, permitindo a migração de íons entre as regiões anódica e catódica. Sem umidade, a condutividade iônica cai drasticamente e o ciclo de oxirredução praticamente para, mesmo havendo O₂ disponível.
  • Estratégias de proteção anticorrosiva: barreiras físicas de impermeabilização (tintas, vernizes, graxas, óleos, galvanização com zinco, cromagem), proteção catódica por ânodo de sacrifício e uso de ligas passivadoras, como o aço inoxidável, que forma uma camada fina e aderente de Cr₂O₃.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "A corrosão é um processo eletroquímico" → sinaliza que há transferência de elétrons entre espécies (oxirredução), e não um desgaste puramente mecânico ou biológico.
  • Evidência 2: "4 Fe(s) + 3 O₂(g) + 2 H₂O(l) → 2 Fe₂O₃·H₂O(s)" → mostra explicitamente que três reagentes são indispensáveis para a reação ocorrer: ferro metálico, gás oxigênio e água líquida. A ausência de qualquer um interrompe o processo.
  • Evidência 3: "substância marrom pouco solúvel, conhecida como ferrugem" → reforça que o produto formado é um sólido poroso que se deposita sobre o utensílio, mas não forma uma camada protetora (diferente, por exemplo, da camada de óxido de alumínio, que é compacta e passivadora).
  • Síntese: como o ferro é o próprio material do utensílio e não pode ser "removido" da equação, a única forma coerente de impedir a reação é bloquear o acesso dos outros dois reagentes — O₂ e H₂O — à superfície metálica, isto é, isolar o metal do contato com o ar úmido.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar os reagentes indispensáveis

A equação fornecida deixa claro que a formação da ferrugem depende da presença simultânea de Fe(s), O₂(g) e H₂O(l), na proporção 4 Fe : 3 O₂ : 2 H₂O → 2 Fe₂O₃·H₂O. Qualquer estratégia realmente eficaz de proteção precisa eliminar o contato do metal com pelo menos um desses reagentes — de preferência, com os dois que vêm do ambiente externo (O₂ e H₂O), já que o Fe é o próprio objeto.

Subpasso 4.2 — Traduzir o mecanismo eletroquímico em uma solução prática

Como a corrosão depende da formação de uma microcélula eletroquímica na superfície do metal — com oxidação do Fe de um lado e redução do O₂ (mediada pela água) de outro —, basta impedir que o ar úmido (fonte simultânea de O₂ e de vapor d'água) entre em contato com o ferro para que nenhuma das duas semirreações consiga se estabelecer. Um revestimento impermeável (tinta, verniz, graxa, óleo, camada de zinco ou de cromo) cria justamente essa barreira física: o metal fica "isolado" do ambiente e o ciclo de transferência de elétrons nunca se inicia.

Subpasso 4.3 — Verificação

Testando mentalmente: se a superfície do utensílio for revestida por um filme impermeável, o oxigênio do ar e a umidade não alcançam mais o ferro metálico → não há formação de Fe²⁺ na região anódica → não há semirreação catódica de redução do O₂ → não há geração de OH⁻ nem de Fe(OH)₃ → não há ferrugem. Essa lógica corresponde exatamente à proposta de impermeabilizar a superfície e isolá-la do ar úmido, descrita na alternativa C.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) renovar sua superfície, polindo-a semanalmente.

❌ Incorreta: polir remove a camada de ferrugem já formada, mas expõe ferro metálico "fresco" diretamente ao ar e à umidade entre uma polida e outra. Isso não elimina o contato com os reagentes O₂ e H₂O — na prática, pode até acelerar novos ciclos de corrosão, pois cada polimento reinicia o processo em uma superfície reativa e desprotegida.

B) evitar o contato do utensílio com o calor, isolando-o termicamente.

❌ Incorreta: o calor não é reagente da equação de corrosão; ele apenas influencia a velocidade da reação (temperaturas mais altas tendem a acelerar processos químicos, conforme a cinética química). Isolar termicamente poderia, no máximo, retardar a corrosão, mas não a impede, pois O₂ e H₂O continuariam disponíveis para reagir com o ferro.

C) impermeabilizar a superfície, isolando-a de seu contato com o ar úmido.

✅ Correta: o ar úmido é exatamente a fonte simultânea dos dois reagentes externos da equação — O₂(g) e H₂O(l/vapor). Ao impermeabilizar a superfície (pintura, verniz, graxa, galvanização), impede-se fisicamente que esses reagentes alcancem o ferro, bloqueando tanto a semirreação anódica quanto a catódica e, portanto, interrompendo todo o processo eletroquímico de corrosão.

D) esterilizar frequentemente os utensílios, impedindo a proliferação de bactérias.

❌ Incorreta: confunde corrosão eletroquímica com degradação biológica. A equação apresentada é uma reação inorgânica de oxirredução entre Fe, O₂ e H₂O, sem qualquer participação de micro-organismos. Esterilizar não interfere em nenhum dos reagentes químicos envolvidos.

E) guardar os utensílios em embalagens, isolando-os do contato com outros objetos.

❌ Incorreta: isolar o utensílio de outros objetos não impede o contato com o ar e a umidade, a menos que a embalagem seja hermética e impermeável — o que não está garantido pelo enunciado da alternativa. O foco errado (evitar objetos, não evitar O₂/H₂O) revela que essa opção não ataca a causa química real da corrosão.

🏆 Gabarito: C — impermeabilizar a superfície do utensílio isola simultaneamente o ferro do oxigênio e da água presentes no ar úmido, os dois reagentes externos indispensáveis à reação eletroquímica de formação da ferrugem, sendo a única alternativa que ataca diretamente a causa química do processo corrosivo.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: a letra C é a única alternativa que remove um reagente real da equação (O₂ e H₂O, via isolamento do ar úmido); todas as outras tratam de fatores irrelevantes (calor, contato com objetos) ou de ações que não impedem, de fato, a reação (polimento, esterilização).
  • Padrão de cobrança: o ENEM costuma apresentar a equação química de um fenômeno cotidiano (corrosão, combustão, formação de chuva ácida) e pedir que o estudante identifique, dentre os reagentes, qual pode ser controlado na prática para evitar o processo — sempre exigindo leitura literal da equação, não só memorização de nomes.
  • Generalização: para "impedir" uma reação química espontânea representada por uma equação, a estratégia correta é sempre eliminar o acesso de um dos reagentes ao sistema; alternativas que tratam de fatores externos à equação (temperatura, contato social, higiene) raramente resolvem o problema, apenas o mascaram ou o retardam.
  • Dica de eliminação rápida: volte à equação e pergunte "quais substâncias aparecem como reagentes?". Se a alternativa não menciona bloquear nenhuma delas (como B, D e E), pode ser descartada em segundos; entre as que restam, prefira a que isola todos os reagentes externos simultaneamente, não apenas um deles parcialmente.
  • Conexões: o mesmo raciocínio se aplica a questões sobre proteção catódica (ânodo de sacrifício de zinco ou magnésio) e sobre a formação de camadas passivadoras em ligas metálicas, como o aço inoxidável (Cr₂O₃) e o alumínio (Al₂O₃) — temas frequentes em eletroquímica no ENEM.

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