Mapa de questões · 1º dia
Questão 77 — ENEM 2016 Reaplicação
Uma nova estratégia para o controle da dengue foi apresentada durante o Congresso Internacional de Medicina Tropical, no Rio de Janeiro, em 2012. O projeto traz uma abordagem nova e natural para o combate à doença e já está em fase de testes. O objetivo do programa é cessar a transmissão do vírus da dengue pelo Aedes aegypti, a partir da introdução da bactéria Wolbachia — que é naturalmente encontrada em insetos — nas populações locais de mosquitos. Quando essa bactéria é introduzida no A. aegypti, atua como uma “vacina”, estimulando o sistema imunológico e bloqueando a multiplicação do vírus dentro do inseto.
Disponível em: http://portalsaude.saude.gov.br. Acesso em: 20 dez. 2012 (adaptado).
Qual o conceito fundamental relacionado a essa estratégia?
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Ecologia (relações entre espécies) e Saúde Pública (controle de vetores)
- ⚡ Nível: Médio — exige diferenciar conceitos parecidos (mutualismo, parasitismo, transgênese, clonagem) para achar o que realmente descreve a estratégia
- 🎯 Tema/Habilidade: Controle biológico de vetores de doenças; tecnologias alternativas de baixo impacto ambiental na saúde pública
- 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual conceito explica o uso da bactéria Wolbachia no Aedes aegypti para impedir a transmissão do vírus da dengue?"
- Palavras-chave decisivas: introdução da bactéria, populações locais de mosquitos, bloqueando a multiplicação do vírus
- Armadilha típica: confundir a inserção de uma bactéria no corpo do inseto com uma alteração genética (transgênese), ou focar apenas na relação ecológica bactéria-mosquito (mutualismo/parasitismo) em vez do conceito da estratégia de combate à doença
- O que a resposta precisa demonstrar: reconhecer que usar um organismo vivo para reduzir a capacidade de um vetor transmitir doença é, por definição, controle biológico
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Controle biológico: uso deliberado de organismos vivos (predadores, parasitoides, bactérias, fungos) para reduzir a população ou o potencial nocivo de uma espécie-alvo, como alternativa "natural" a métodos químicos
- Mutualismo/Parasitismo: classificam a relação ecológica entre duas espécies (benefício mútuo ou benefício de uma às custas da outra) — não descrevem uma estratégia de intervenção humana
- Transgênese: inserção de genes de uma espécie no genoma de outra, gerando organismo geneticamente modificado — manipulação direta do DNA
- Clonagem: produção de indivíduos geneticamente idênticos a um organismo original, sem reprodução sexuada nem introdução de agentes externos
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "abordagem nova e natural para o combate à doença" → a estratégia usa um agente biológico já existente na natureza, não engenharia genética
- Evidência 2: "introdução da bactéria Wolbachia... nas populações locais de mosquitos" → libera-se um organismo vivo para atuar sobre a população do vetor — traço central do controle biológico
- Evidência 3: "bloqueando a multiplicação do vírus dentro do inseto" → o efeito é sobre o vírus, não uma modificação do genoma do mosquito nem produção de cópias idênticas
- Síntese: o texto descreve o uso intencional de um ser vivo (Wolbachia) como ferramenta para impedir que o mosquito transmita a dengue — a definição exata de controle biológico
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar a natureza da estratégia
Em vez de inseticidas químicos (método convencional contra o Aedes aegypti), os cientistas introduzem um organismo vivo — a bactéria Wolbachia — dentro do mosquito. Ela não mata nem reduz diretamente a população do inseto; age "por dentro", bloqueando a replicação do vírus da dengue. Sempre que um agente biológico é inserido em uma população para neutralizar a ação nociva de outro organismo (aqui, a capacidade de transmitir o vírus), o conceito aplicado é controle biológico.
Subpasso 4.2 — Descartar os conceitos que não se encaixam
Não há clonagem (nenhuma cópia genética idêntica é produzida; a bactéria só é transferida de outros insetos para o Aedes aegypti). "Mutualismo" e "parasitismo" nomeiam apenas o tipo de relação ecológica entre bactéria e mosquito — não o conceito da ação humana de combate à doença, que é o que o comando pede. Não há transgênese: o texto não menciona inserção de genes no DNA do mosquito; a Wolbachia é um microrganismo simbionte, não material genético incorporado ao genoma. Essa é a armadilha mais comum, pois muitos associam "mosquito usado para combater a dengue" a "mosquito transgênico" — mas são estratégias biologicamente diferentes.
Subpasso 4.3 — Verificação
Controle biológico é "o uso de organismos vivos para reduzir a densidade ou o potencial nocivo de uma espécie-alvo". Aqui, o potencial controlado é a capacidade do Aedes aegypti de transmitir a dengue — encaixe perfeito com a alternativa E.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) Clonagem.
❌ Incorreta: clonagem produz indivíduos geneticamente idênticos ao original. No texto não há reprodução assexuada nem cópia genética de nenhum ser vivo, apenas a transferência da bactéria para o mosquito.
B) Mutualismo.
❌ Incorreta: mutualismo nomeia a relação ecológica de benefício mútuo entre duas espécies, não a estratégia humana de combate à doença descrita no texto.
C) Parasitismo.
❌ Incorreta: parasitismo é a relação em que um organismo se beneficia prejudicando outro. A Wolbachia não prejudica de forma relevante o mosquito, e essa não é a lógica da estratégia de controle apresentada.
D) Transgênese.
❌ Incorreta: transgênese envolve inserir genes de uma espécie no genoma de outra. O texto não descreve manipulação do DNA do mosquito — a bactéria atua como simbionte, sem alterar seu genoma.
E) Controle biológico.
✅ Correta: introduzir deliberadamente um organismo vivo (a bactéria Wolbachia) em uma população de mosquitos, para reduzir sua capacidade de transmitir uma doença, é exatamente a definição de controle biológico.
🏆 Gabarito: E — a estratégia usa um organismo vivo (bactéria) para neutralizar a capacidade do vetor de transmitir o vírus, caso clássico de controle biológico aplicado à saúde pública.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: a letra E é a única que nomeia corretamente o uso de um agente biológico como ferramenta contra um vetor de doença, sem envolver alteração genética, clonagem ou apenas a descrição de uma relação ecológica isolada.
- Padrão de cobrança: o ENEM traz reportagens de ciência para testar se o candidato reconhece conceitos de Ecologia e Biotecnologia em situações reais; controle biológico de pragas/vetores é tema recorrente, geralmente contraposto a agrotóxicos/inseticidas.
- Generalização: sempre que o enunciado descrever a introdução de um ser vivo (predador, parasitoide, bactéria, fungo) para reduzir a população ou o potencial nocivo de outro organismo, pense em controle biológico — mesmo que o organismo-alvo continue vivo, apenas com sua ação nociva neutralizada.
- Dica de eliminação rápida: descarte "transgênese" e "clonagem" quando não houver menção explícita a manipulação de DNA ou produção de cópias idênticas; lembre que "mutualismo" e "parasitismo" classificam relações ecológicas entre espécies, não estratégias humanas de intervenção — isso elimina três alternativas rapidamente.
- Conexões: compare com o uso de predadores naturais na agricultura orgânica e com a diferença entre controle biológico e controle químico de pragas.
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