Mapa de questões · 1º dia
Questão 49 — ENEM 2016 Reaplicação
A energia nuclear é uma alternativa aos combustíveis fósseis que, se não gerenciada de forma correta, pode causar impactos ambientais graves. O princípio da geração dessa energia pode se basear na reação de fissão controlada do urânio por bombardeio de nêutrons, como ilustrado:
²³⁵U + n → ⁹⁵Sr + ¹³⁹Xe + 2 n + energia
Um grande risco decorre da geração do chamado lixo atômico, que exige condições muito rígidas de tratamento e armazenamento para evitar vazamentos para o meio ambiente.
Esse lixo é prejudicial, pois
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Física → Radioatividade e Física Nuclear (fissão nuclear, radioisótopos, radiação ionizante)
- ⚡ Nível: Fácil — não exige cálculo, apenas reconhecer o mecanismo biológico correto pelo qual materiais radioativos causam dano
- 🎯 Tema/Habilidade: Riscos ambientais e à saúde da energia nuclear / competência de avaliar impactos sociais e ambientais de tecnologias
- 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Por que o lixo atômico, resíduo da fissão nuclear, é perigoso a ponto de exigir armazenamento e tratamento tão rigorosos?"
- Palavras-chave decisivas: lixo atômico, condições muito rígidas de tratamento e armazenamento, vazamentos
- Armadilha típica: associar o perigo do lixo nuclear a fenômenos químicos/atmosféricos (gases, efeito estufa) só porque a questão fala em "meio ambiente" — o mecanismo de dano da radioatividade é físico-biológico, não químico-atmosférico.
- O que a resposta precisa demonstrar: que o lixo atômico continua radioativo depois de formado — os núcleos gerados na fissão emitem radiação ionizante capaz de agredir tecidos vivos, por isso exige blindagem e isolamento.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Fissão nuclear: um núcleo pesado e instável (urânio-235) absorve um nêutron e se rompe em dois núcleos menores, liberando novos nêutrons e grande quantidade de energia — reação que movimenta usinas nucleares.
- Produtos de fissão e lixo atômico: os núcleos resultantes da quebra do urânio (aqui, estrôncio-95 e xenônio-139) quase sempre são radioisótopos — núcleos instáveis que continuam decaindo espontaneamente por dias, anos ou milênios. Esse material residual ainda radioativo é o lixo atômico.
- Radiação ionizante e efeito biológico: ao decair, os radioisótopos emitem partículas alfa, beta ou radiação gama, que arrancam elétrons de átomos e moléculas do corpo — inclusive do DNA —, provocando mutações, queimaduras e câncer, conforme a dose e o tempo de exposição.
- Por que exige armazenamento rígido: como a radiação ionizante não é percebida pelos sentidos, só blindagem física (concreto, chumbo, aço) e isolamento por longos períodos evitam que atinja seres vivos — daí as "condições muito rígidas" citadas no texto.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "lixo atômico, que exige condições muito rígidas de tratamento e armazenamento para evitar vazamentos" → revela que o risco precisa ser contido por barreiras físicas — assinatura típica de material radioativo, que "vaza" radiação através de qualquer brecha na blindagem.
- Evidência 2: a equação ²³⁵U + n → ⁹⁵Sr + ¹³⁹Xe + 2n + energia → mostra do que é composto o lixo atômico: núcleos de estrôncio-95 e xenônio-139, produtos diretos da fissão e radioisótopos instáveis — a própria reação já entrega a origem física do material perigoso.
- Síntese: o "vazamento" temido é a liberação de radiação ionizante dos radioisótopos gerados na fissão — não gases, não calor, não micro-organismos — que ameaça diretamente a saúde dos seres vivos.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar a origem do lixo atômico na equação de fissão
A reação ²³⁵U + n → ⁹⁵Sr + ¹³⁹Xe + 2n + energia mostra o urânio-235 se dividindo, ao absorver um nêutron, em dois núcleos mais leves — estrôncio-95 e xenônio-139 —, liberando dois nêutrons extras e energia. O ponto-chave: ⁹⁵Sr e ¹³⁹Xe carregam excesso de nêutrons herdado do urânio e por isso são instáveis, decaindo espontaneamente e emitindo radiação — esse conjunto de núcleos é o próprio "lixo atômico" citado no texto.
Subpasso 4.2 — Conectar a radioatividade residual ao dano biológico
Como os radioisótopos seguem decaindo muito tempo depois de retirados do reator, o lixo continua emitindo radiação ionizante mesmo já armazenado. Ao atingir células vivas, essa radiação ioniza átomos e moléculas — inclusive o material genético —, provocando mutações e aumento do risco de câncer. É esse mecanismo que torna o lixo "prejudicial" e justifica blindagem e monitoramento por décadas.
Subpasso 4.3 — Verificação contra as alternativas
Entre as cinco opções, apenas a E menciona diretamente "emite radiação capaz de provocar danos à saúde dos seres vivos" — o que reproduz com precisão o raciocínio acima. As demais atribuem o perigo a fenômenos que não correspondem à física do lixo radioativo, confirmando E como única resposta coerente.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) favorece a proliferação de micro-organismos termófilos.
❌ Incorreta: micro-organismos termófilos são seres adaptados a ambientes de alta temperatura e sua proliferação não tem relação de causa e efeito com o lixo radioativo. Mistura um conceito de ecologia microbiana que a radioatividade não aciona.
B) produz nêutrons livres que ionizam o ar, tornando-o condutor.
❌ Incorreta: os nêutrons livres são liberados na fissão em cadeia dentro do reator, sob controle, e não caracterizam o perigo do lixo já formado e armazenado. O risco vem da radiação dos radioisótopos residuais (Sr-95, Xe-139), não de nêutrons ionizando o ar.
C) libera gases que alteram a composição da atmosfera terrestre.
❌ Incorreta: o lixo atômico não é definido por emissão de gases atmosféricos. Confunde o problema da energia nuclear com o dos combustíveis fósseis — que o próprio enunciado contrasta.
D) acentua o efeito estufa decorrente do calor produzido na fissão.
❌ Incorreta: o efeito estufa resulta do acúmulo de gases (CO₂, CH₄) que retêm radiação infravermelha, não do calor liberado pontualmente na fissão, usado para gerar vapor e mover turbinas na usina.
E) emite radiação capaz de provocar danos à saúde dos seres vivos.
✅ Correta: os produtos de fissão do lixo atômico, como estrôncio-95 e xenônio-139, são radioisótopos instáveis que continuam emitindo radiação ionizante por longos períodos. Essa radiação, ao interagir com células vivas, rompe ligações químicas e danifica o DNA, causando mutações, queimaduras e câncer — por isso o lixo nuclear exige armazenamento blindado e isolado.
🏆 Gabarito: E — o lixo atômico é perigoso porque os núcleos formados na fissão permanecem radioativos e emitem radiação ionizante capaz de lesar diretamente a saúde de seres vivos, mecanismo que nenhuma outra alternativa descreve corretamente.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: E é a única alternativa que descreve o mecanismo físico real do perigo do lixo atômico — emissão contínua de radiação ionizante pelos radioisótopos formados na fissão, capaz de causar danos celulares.
- Padrão de cobrança: o ENEM costuma trazer contextos de energia nuclear, radioatividade médica (radioterapia, exames de imagem) ou datação por carbono-14, pedindo que se relacione o tipo de radiação ao seu efeito sobre a matéria viva.
- Generalização: sempre que a questão tratar de "lixo atômico" ou "material radioativo", a resposta correta gira em torno da radiação ionizante e seus efeitos biológicos (mutação, câncer, dano celular) — não de efeitos químicos ou atmosféricos.
- Dica de eliminação rápida: elimine alternativas com "gases" ou "efeito estufa" quando o tema for energia nuclear (efeitos típicos de combustíveis fósseis, já contrastados no enunciado); desconfie de alternativas com seres vivos "genéricos" sem conexão direta com radioatividade.
- Conexões: meia-vida e decaimento radioativo; aplicações médicas da radioatividade, como radioterapia e diagnóstico por imagem.
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