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Mapa de questões · 1º dia
HumanasGeografiaMédio

Questão 27ENEM 2016 Reaplicação

FUNDAÇÃO JOÃO PINHEIRO. Déficit habitacional municipal no Brasil 2010. Belo Horizonte: FJP/CEI, 2013.

Relacionando as informações do mapa com o processo de ocupação brasileiro, as áreas de maior precariedade estão associadas

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Urbanização brasileira, desigualdades regionais e infraestrutura urbana
  • ⚡ Nível: Médio — exige cruzar a leitura de um mapa temático com o processo histórico de urbanização desigual do Brasil
  • 🎯 Tema/Habilidade: Padrões espaciais de precariedade habitacional (leitura cartográfica + dinâmica territorial)
  • 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "O que explica, no processo de ocupação do território brasileiro, a concentração de domicílios precários nas áreas destacadas no mapa?"
  • Palavras-chave decisivas: áreas de maior precariedade, processo de ocupação brasileiro, domicílios
  • Armadilha típica: associar a precariedade habitacional ao "baixo potencial produtivo do solo" (D) ou a um episódio histórico pontual, como a Marcha para o Oeste (A), que não cobre todo o padrão espacial do mapa.
  • O que a resposta precisa demonstrar: ler a legenda do mapa coroplético e associar o padrão espacial (Norte e Maranhão com maiores percentuais) a uma causa estrutural — a desigualdade histórica de investimento público em infraestrutura urbana.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Domicílios precários: indicador do déficit habitacional (Fundação João Pinheiro) que reflete moradias sem condições adequadas de habitabilidade, geralmente ligadas à falta de infraestrutura urbana básica.
  • Equipamentos urbanos: redes de água, esgoto, coleta de lixo, iluminação e pavimentação. Sua ausência é o principal indicador de precariedade em áreas urbanas.
  • Urbanização brasileira desigual: processo rápido e recente em algumas regiões, que historicamente concentrou investimentos no eixo Centro-Sul, deixando Norte e parte do Nordeste com déficit crônico de infraestrutura.
  • Padrão centro-periferia: regiões integradas mais cedo à economia nacional (Sul/Sudeste) receberam mais recursos do Estado; áreas de incorporação recente ficaram à margem da prioridade orçamentária.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: o mapa "Domicílios precários por unidades da Federação — Brasil — 2010" mostra quase toda a Região Norte na faixa 5,0%-10,0% e o Maranhão isolado na faixa mais escura (10,1%-16,7%) → a precariedade se concentra em um recorte regional específico.
  • Evidência 2: Sul e a maior parte do Sudeste/Nordeste litorâneo aparecem nas faixas mais claras (0,5%-2,1% e 2,2%-4,9%) → as áreas historicamente mais urbanizadas e industrializadas têm menor precariedade.
  • Síntese: o contraste Norte/Maranhão × Sul/Sudeste só se explica por uma desigualdade estrutural na alocação de investimentos públicos em infraestrutura urbana — não por imigração, potencial produtivo do solo ou conflitos políticos locais.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Ler o mapa temático

A legenda classifica as Unidades da Federação em quatro faixas de domicílios precários, da mais clara (0,5%-2,1%) à mais escura (10,1%-16,7%). Os estados do Norte (Amazonas, Acre, Rondônia, Roraima, Amapá, Pará, Tocantins) estão na faixa 5,0%-10,0%, e o Maranhão sozinho na faixa crítica de 10,1%-16,7%. Sul e maior parte do Sudeste apresentam as menores taxas.

Subpasso 4.2 — Conectar o padrão espacial ao processo histórico de ocupação

O eixo Sul-Sudeste, berço da industrialização desde o início do século XX, recebeu investimentos contínuos em saneamento e infraestrutura urbana. Já a Amazônia e estados como o Maranhão tiveram urbanização mais recente e acelerada — fruto de migrações espontâneas e expansão da fronteira agropecuária —, sem que o poder público acompanhasse esse crescimento com investimentos proporcionais em água tratada, esgoto, coleta de lixo e pavimentação. O resultado é o acúmulo de domicílios sem infraestrutura adequada, ou seja, domicílios precários.

Subpasso 4.3 — Verificação

A explicação "baixo investimento público em infraestrutura urbana nessas regiões" é a única capaz de justificar por que quase toda a Amazônia Legal e o Maranhão aparecem nas faixas mais escuras, enquanto o eixo Sul-Sudeste, historicamente mais assistido pelo Estado, aparece nas faixas mais claras. Isso corresponde à alternativa E.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) ao fenômeno da marcha para o oeste.

❌ Incorreta: a Marcha para o Oeste foi uma política de ocupação territorial da Era Vargas (1930-40), voltada sobretudo ao Centro-Oeste, para integrar o interior à economia nacional. Não explica a precariedade generalizada em toda a Região Norte e no Maranhão — é um episódio histórico pontual de ocupação, não uma política (ou ausência dela) de infraestrutura urbana.

B) à divergência de poderes políticos locais.

❌ Incorreta: não há, no mapa ou no processo histórico, relação causal estabelecida entre conflitos políticos locais e o percentual de domicílios precários. É distrator sem lastro nos dados apresentados.

C) ao processo de ocupação imigratória tardia.

❌ Incorreta: a imigração estrangeira concentrou-se historicamente no Sul e Sudeste — regiões que no mapa têm as MENORES taxas de domicílios precários. A alternativa inverte a lógica esperada: se a imigração fosse a causa, Sul e Sudeste seriam as áreas mais críticas, o que contraria o mapa.

D) à presença de espaços de baixo potencial produtivo.

❌ Incorreta (a pegadinha mais forte): baixo potencial produtivo do solo explica disparidades econômicas agrícolas, mas não é a causa direta da precariedade habitacional, ligada à ausência de infraestrutura urbana em áreas já urbanizadas — cidades e periferias —, não à aptidão produtiva das terras rurais adjacentes.

E) a baixos investimentos públicos em equipamentos urbanos.

✅ Correta: a distribuição espacial da precariedade — concentrada no Norte e no Maranhão — reflete décadas de investimento público insuficiente em água, esgoto, coleta de lixo e pavimentação nessas regiões, historicamente marginalizadas nas prioridades orçamentárias do Estado em comparação ao eixo Sul-Sudeste.

🏆 Gabarito: E — o padrão do mapa (Norte e Maranhão com as maiores taxas de domicílios precários) só se explica pela desigualdade histórica na destinação de investimentos públicos em equipamentos e infraestrutura urbana entre as regiões brasileiras.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só a alternativa E relaciona corretamente causa (investimento público desigual em infraestrutura) e efeito (concentração espacial de domicílios precários) de forma coerente com todo o mapa, não apenas com um recorte isolado.
  • Padrão de cobrança: o ENEM usa recorrentemente mapas temáticos de indicadores sociais (saneamento, habitação, IDH, renda) para testar se o estudante lê a legenda, localiza os extremos e os associa a processos históricos de desigualdade regional.
  • Generalização: quando um mapa mostrar um indicador social negativo concentrado no Norte/Nordeste, a explicação mais provável está na desigualdade histórica de investimento público — não em fatores naturais (solo, clima) ou episódios históricos isolados.
  • Dica de eliminação rápida: descarte alternativas com fenômenos históricos pontuais e restritos (Marcha para o Oeste não cobre todo o Norte) e alternativas que invertam a lógica geográfica esperada (imigração é típica do Sul/Sudeste, não do Norte/Nordeste, onde ocorre a precariedade).
  • Conexões: tema conectado a déficit habitacional, favelização, saneamento básico e desigualdades regionais — assuntos recorrentes em Geografia urbana no ENEM.

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