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Mapa de questões · 1º dia
NaturezaBiologiaMédio

Questão 57ENEM 2016 Reaplicação

A sombra do cedro vem se encostar no cocho. Primo Ribeiro levantou os ombros; começa a tremer. Com muito atraso. Mas ele tem no baço duas colmeias de bichinhos maldosos, que não se misturam, soltando enxames no sangue em dias alternados. E assim nunca precisa de passar um dia sem tremer.

ROSA, J. G. Sagarana . Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

O texto de João Guimarães Rosa descreve as manifestações das crises paroxísticas da malária em seu personagem. Essas se caracterizam por febre alta, calafrios, sudorese intensa e tremores, com intervalos de 48 h ou 72 h, dependendo da espécie de Plasmodium .

Essas crises periódicas ocorrem em razão da

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Parasitologia (ciclo biológico do Plasmodium / malária)
  • ⚡ Nível: Médio — exige lembrar em qual etapa exata do ciclo do Plasmodium a febre é desencadeada, não apenas saber que a doença é a malária.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Relações entre parasito e hospedeiro; interpretação de texto literário como porta de entrada para um conceito biológico (competência de área de Ciências da Natureza que articula saúde, ambiente e ciclos de vida de parasitos).
  • 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual evento do ciclo do Plasmodium explica por que os sintomas da malária (febre, calafrios, suor, tremores) aparecem em crises que se repetem a cada 48 h ou 72 h?"
  • Palavras-chave decisivas: crises periódicas, 48 h ou 72 h, manifestações (febre, calafrios, tremores)
  • Armadilha típica: confundir qualquer etapa do ciclo do parasito (invasão da hemácia, reprodução no fígado, liberação de merozoítos do fígado, formação de gametócitos) com a etapa que efetivamente dispara a crise febril. Todas essas etapas existem e são reais, mas só uma delas coincide no tempo com o aparecimento dos sintomas.
  • O que a resposta precisa demonstrar: entendimento de que a febre não é causada pela presença do parasito em si, mas por um evento pontual e sincronizado — a ruptura das hemácias — que libera para o sangue tanto os merozoítos quanto resíduos tóxicos do metabolismo do parasito.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Ciclo hepático (pré-eritrocítico): o esporozoíto, injetado pelo mosquito Anopheles, migra para o fígado, invade hepatócitos e se multiplica assexuadamente, formando milhares de merozoítos. Fase única e silenciosa: não causa febre.
  • Ciclo eritrocítico (sanguíneo): os merozoítos do fígado invadem as hemácias, onde amadurecem (anel → trofozoíto → esquizonte), multiplicando-se dentro da própria célula vermelha.
  • Lise das hemácias e hemozoína: ao final da maturação, o esquizonte rompe a hemácia, liberando de uma vez novos merozoítos e a hemozoína — pigmento tóxico da digestão da hemoglobina. É esse rompimento sincronizado, jogando material estranho no sangue, que ativa o sistema imune e desencadeia febre, calafrios, sudorese e tremores.
  • Periodicidade da crise: os parasitos de um mesmo indivíduo tendem a se sincronizar, e a lise ocorre em "ondas" a cada 48 h (P. vivax, P. ovale, P. falciparum) ou 72 h (P. malariae), explicando o padrão descrito no enunciado.
  • Gametócitos: parte dos merozoítos diferencia-se em gametócitos (formas sexuadas) dentro das hemácias, sem causar sintomas — servem apenas à transmissão para um novo mosquito.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "Primo Ribeiro levantou os ombros; começa a tremer. Com muito atraso." → início súbito de um episódio de tremores, sugerindo um evento agudo e recorrente, não um mal-estar contínuo.
  • Evidência 2: "duas colmeias de bichinhos maldosos, que não se misturam, soltando enxames no sangue em dias alternados" → metáfora de Guimarães Rosa para duas populações de Plasmodium dessincronizadas, cada uma liberando seus "enxames" (merozoítos) no sangue em dias diferentes — por isso o personagem tremia quase todos os dias.
  • Evidência 3 (enunciado técnico): "crises paroxísticas [...] com intervalos de 48 h ou 72 h, dependendo da espécie de Plasmodium" → confirma que a pergunta busca o evento cíclico do estágio sanguíneo (eritrocítico), não do estágio hepático (único, no início da infecção).
  • Síntese: o texto literário e o comando técnico convergem: algo se repete de forma sincronizada no sangue, "soltando enxames" — e é exatamente esse "soltar" por rompimento da hemácia que precisa ser identificado entre as alternativas.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Localizar em que fase do ciclo a febre aparece

A malária tem duas grandes fases: a hepática (única, assintomática, dura de 6 a 15 dias) e a eritrocítica (sanguínea, cíclica, responsável por todos os sintomas). Como a questão fala em crises que se repetem a cada 48 h ou 72 h, o evento buscado só pode estar na fase eritrocítica — o que já elimina, de saída, qualquer alternativa relacionada ao fígado.

Subpasso 4.2 — Identificar o evento exato dentro do ciclo eritrocítico

Dentro da hemácia, o merozoíto vira trofozoíto e depois esquizonte, multiplicando-se assexuadamente. Nessa fase o parasito ainda está contido na célula, e a resposta imune não é fortemente ativada — não há febre ainda. O gatilho da crise só ocorre quando o esquizonte amadurece e rompe a hemácia (lise), lançando de uma vez no plasma centenas de merozoítos e a hemozoína (pigmento residual da degradação da hemoglobina). Esse material é reconhecido pelo sistema imune (macrófagos, citocinas pirogênicas como TNF-α e IL-6), provocando a febre alta, os calafrios, o suor intenso e os tremores descritos no trecho de Guimarães Rosa.

Subpasso 4.3 — Verificação

Como a lise das hemácias ocorre de forma sincronizada em ciclos de 48 h ou 72 h (conforme a espécie de Plasmodium), o intervalo entre uma lise e outra corresponde exatamente ao intervalo entre as crises descrito no enunciado. Isso confirma que o evento-gatilho é a ruptura das hemácias com liberação de merozoítos e hemozoína — o que corresponde literalmente à alternativa A.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) lise das hemácias, liberando merozoítos e substâncias denominadas hemozoínas.

✅ Correta: é exatamente o rompimento sincronizado das hemácias infectadas, ao final da esquizogonia sanguínea, que libera merozoítos e hemozoína na corrente sanguínea e desencadeia a resposta febril periódica — o mecanismo fisiopatológico direto das crises paroxísticas.

B) invasão das hemácias por merozoítos com maturação até a forma esquizonte.

❌ Incorreta: essa etapa é real e antecede a crise, mas descreve o processo de entrada e crescimento do parasito dentro da célula, fase em que a hemácia ainda está intacta. A febre não ocorre durante a invasão/maturação, e sim no momento em que a célula se rompe — confundir "maturação" com "ruptura" é o erro conceitual central desta alternativa.

C) reprodução assexuada dos esporozoítos no fígado do indivíduo infectado.

❌ Incorreta: essa é a fase hepática (pré-eritrocítica) do ciclo, que ocorre uma única vez, logo após a picada do mosquito, e não é responsável pelas crises repetidas — além disso, é assintomática, o que contradiz a ideia de "crises periódicas".

D) liberação de merozoítos dos hepatócitos para a corrente sanguínea.

❌ Incorreta: também pertence à fase hepática, ocorre uma única vez (não a cada 48 h ou 72 h) e marca o início da fase sanguínea, não o evento que causa a febre. Essa liberação inicial não vem acompanhada de hemozoína em quantidade significativa, porque o parasito ainda não digeriu hemoglobina.

E) formação de gametócitos dentro das hemácias.

❌ Incorreta: os gametócitos são formas sexuadas destinadas à transmissão do parasito para o mosquito vetor, não têm relação com o desencadeamento da febre e não explicam a periodicidade das crises.

🏆 Gabarito: A — as crises febris periódicas da malária são causadas pela lise sincronizada das hemácias infectadas, que libera merozoítos e hemozoína no sangue, ativando a resposta imune pirogênica a cada 48 h ou 72 h.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: entre todas as etapas do ciclo do Plasmodium, apenas a lise das hemácias coincide, no tempo, com o intervalo de 48 h/72 h citado no enunciado e com o aparecimento simultâneo de febre, calafrios e tremores — por isso a letra A é a única resposta compatível com "crises periódicas".
  • Padrão de cobrança: o ENEM gosta de usar textos literários (como este de Guimarães Rosa) ou reportagens como "disfarce" para questões de parasitologia/doenças infecciosas, exigindo que o aluno traduza a descrição clínica ou poética para o mecanismo biológico correspondente.
  • Generalização: em questões sobre sintomas cíclicos de doenças parasitárias, procure sempre o evento de ruptura ou liberação do agente infeccioso na corrente sanguínea — é esse tipo de evento, e não a simples presença ou multiplicação do parasito, que costuma disparar a resposta imune responsável pelos sintomas agudos.
  • Dica de eliminação rápida: primeiro descarte tudo que menciona "fígado"/"esporozoíto" (fase única e assintomática, incompatível com "crises periódicas"); depois, entre as opções que restam sobre hemácias, escolha a que fala em "romper/lisar/liberar para o sangue", e não em "invadir" ou "formar" dentro da célula.
  • Conexões: vale revisar também os ciclos de outras doenças transmitidas por vetores cobradas no ENEM (dengue, doença de Chagas, febre amarela) e o papel de citocinas pirogênicas na febre, tema recorrente em questões de imunologia.

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