Mapa de questões · 1º dia
Questão 12 — ENEM 2016 Reaplicação
A Lei das Doze Tábuas, de meados do século V a.C., ¿[RXSRUHVFULWRXPYHOKRGLUHLWRFRVWXPHLUR1RUHODWLYR às dívidas não pagas, o código permitia, em última análise, matar o devedor; ou vendê-lo como escravo “do outro lado do Tibre” — isto é, fora do território de Roma.
CARDOSO, C. F. S. O trabalho compulsório na Antiguidade . Rio de Janeiro: Graal, 1984.
A referida lei foi um marco na luta por direitos na Roma Antiga, pois possibilitou que os plebeus
A PRGL¿FDVVHP D HVWUXWXUD DJUiULD DVVHQWDGD QR latifúndio. B exercessem a prática da escravidão sobre seus devedores. C conquistassem a possibilidade de casamento com os patrícios. D ampliassem a participação política nos cargos políticos públicos. E reinvindicassem as mudanças sociais com base no conhecimento das leis.
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: História → Antiguidade Clássica (Roma Antiga, conflito patrício-plebeu)
- ⚡ Nível: Médio — exige articular um texto histórico específico (Lei das Doze Tábuas) com o processo político mais amplo da República romana, e não apenas decorar uma data.
- 🎯 Tema/Habilidade: A Lei das Doze Tábuas como instrumento de luta política dos plebeus contra o arbítrio patrício — competência de leitura e interpretação de fontes históricas (H6/C4 da Matriz ENEM, área de Ciências Humanas).
- 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "O que a publicação (escrita) da Lei das Doze Tábuas permitiu, na prática, que os plebeus conquistassem na luta política romana?"
- Palavras-chave decisivas: marco na luta por direitos, plebeus, código escrito
- Armadilha típica: confundir o conteúdo específico da lei (as regras duras sobre dívidas, escravização do devedor) com o seu significado político mais amplo — o simples fato de a lei ter sido escrita e publicada, tornando-se acessível ao conhecimento de todos.
- O que a resposta precisa demonstrar: entender que a importância histórica das Doze Tábuas não está no conteúdo específico de cada norma (que continuava, em muitos pontos, favorável aos patrícios), mas no ato político de tornar o direito público, escrito e conhecido, o que deu aos plebeus uma ferramenta concreta para cobrar igualdade e reivindicar mudanças.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Conflito patrício-plebeu: disputa social e política que marcou boa parte da República romana (509 a.C. em diante), na qual os plebeus (camada numericamente majoritária, mas politicamente excluída) lutavam por igualdade jurídica, acesso a cargos públicos e proteção contra o arbítrio dos patrícios (a aristocracia proprietária de terras).
- Direito costumeiro (não escrito): antes das Doze Tábuas, as normas jurídicas romanas eram orais, de conhecimento restrito aos patrícios, que ocupavam os cargos de pontífices e magistrados. Isso permitia que a lei fosse aplicada de forma arbitrária e sempre favorável à elite, já que só ela sabia "o que dizia a lei".
- Lei das Doze Tábuas (c. 451-450 a.C.): primeiro código de leis romano escrito e afixado publicamente no Fórum. Não eliminou as diferenças sociais nem tornou o direito "justo" segundo os padrões atuais (ainda previa penas duríssimas, como matar ou escravizar o devedor inadimplente), mas retirou dos patrícios o monopólio do conhecimento jurídico.
- Efeito político da publicidade da lei: ao tornar as normas conhecidas por todos, a lei deu aos plebeus um instrumento de cobrança formal: agora eles podiam confrontar juízes e magistrados patrícios com o próprio texto da lei, denunciar aplicações arbitrárias e organizar novas reivindicações (como as que resultariam, décadas depois, na Lei Canuléia, nas Leis Licínias-Sêxtias e na Lei Hortênsia).
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "de meados do século V a.C., pôs por escrito um velho direito costumeiro" → revela que a mudança central promovida pela lei foi a transição do direito oral (secreto, manipulável) para o direito escrito (público, verificável).
- Evidência 2: "no relativo às dívidas não pagas, o código permitia, em última análise, matar o devedor; ou vendê-lo como escravo" → mostra que o conteúdo concreto da lei ainda era duro e desfavorável ao devedor (em geral um plebeu pobre); ou seja, a "vitória" plebeia não está no teor da norma, mas em outro plano.
- Síntese: o texto de apoio combina uma informação sobre a forma da lei (escrita, pública) com uma informação sobre seu conteúdo (severo, ainda desfavorável ao devedor). A questão pede exatamente para o aluno perceber que "marco na luta por direitos" se refere à forma — ao conhecimento das leis conquistado pelos plebeus —, não ao conteúdo específico, que continuava rigoroso.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o que mudou de fato com a Lei das Doze Tábuas
Antes de 451-450 a.C., o direito romano era transmitido oralmente e interpretado exclusivamente pelos pontífices, todos patrícios. Isso significava que, em qualquer disputa judicial, o plebeu dependia da "boa vontade" de um juiz da elite para saber qual era a norma aplicável — um sistema estruturalmente propício ao abuso. A pressão plebeia (inclusive por meio das secessões, greves políticas em que a plebe se retirava de Roma) forçou a criação de uma comissão (o Decemvirato) para redigir e afixar publicamente as leis em doze tábuas de bronze/madeira no Fórum Romano.
Subpasso 4.2 — Conectar a publicidade da lei à possibilidade de reivindicação
A partir do momento em que a lei está escrita e exposta publicamente, qualquer cidadão — plebeu incluso — pode lê-la, memorizá-la e citá-la. Isso não tornou a sociedade romana igualitária da noite para o dia (a própria passagem sobre o devedor escravizado prova isso), mas mudou o terreno da disputa política: os plebeus passaram a poder confrontar decisões arbitrárias com o texto legal, exigir coerência na aplicação da norma e, principalmente, usar esse conhecimento como base para reivindicar novas leis mais favoráveis. É esse mecanismo — conhecer a lei para poder mudá-la — que caracteriza o "marco na luta por direitos" mencionado no enunciado.
Subpasso 4.3 — Verificação
Checando as cinco alternativas, apenas uma descreve esse mecanismo de conhecimento da lei como ferramenta de reivindicação social: a alternativa E ("reivindicassem as mudanças sociais com base no conhecimento das leis"). As demais descrevem consequências que a Lei das Doze Tábuas não trouxe (fim do latifúndio, casamento com patrícios, ampliação de cargos políticos) ou invertem completamente a lógica do texto (plebeus escravizando devedores). A resposta está confirmada: E.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) modificassem a estrutura agrária assentada no latifúndio.
❌ Incorreta: a estrutura fundiária concentrada em grandes propriedades (latifúndio) não foi alterada pela Lei das Doze Tábuas. Essa é uma pauta que só ganharia força política séculos depois, com propostas de reforma agrária como as dos irmãos Graco (século II a.C.). O texto de apoio nada menciona sobre terra ou latifúndio — trata exclusivamente de dívidas e do direito costumeiro.
B) exercessem a prática da escravidão sobre seus devedores.
❌ Incorreta: inverte o sujeito da ação. É o próprio devedor inadimplente (frequentemente um plebeu pobre) que corria o risco de ser morto ou vendido como escravo, segundo o texto — e não os plebeus que passaram a escravizar terceiros. A alternativa distorce a informação do texto de apoio ao trocar quem sofre a punição por quem a aplicaria.
C) conquistassem a possibilidade de casamento com os patrícios.
❌ Incorreta: o direito ao casamento entre patrícios e plebeus (connubium) só foi conquistado com a Lei Canuléia, em 445 a.C. — uma lei posterior e distinta das Doze Tábuas, tratando de outra pauta específica da luta plebeia. As Doze Tábuas, inclusive, chegaram a proibir explicitamente esse tipo de casamento em uma de suas cláusulas.
D) ampliassem a participação política nos cargos políticos públicos.
❌ Incorreta: o acesso pleno dos plebeus a magistraturas como o consulado só viria com as Leis Licínias-Sêxtias (367 a.C.), e a plena equiparação legislativa só com a Lei Hortênsia (287 a.C.). A Lei das Doze Tábuas não tratava de cargos públicos, e sim da codificação escrita do direito costumeiro vigente.
E) reivindicassem as mudanças sociais com base no conhecimento das leis.
✅ Correta: ao transformar o direito costumeiro (oral, secreto e manipulado pelos patrícios) em um código escrito e publicamente exposto, a Lei das Doze Tábuas deu aos plebeus a possibilidade concreta de conhecer as normas que os regiam. Esse conhecimento tornou-se a base para futuras reivindicações e conquistas — exatamente o sentido de "marco na luta por direitos" indicado no comando da questão.
🏆 Gabarito: E — a Lei das Doze Tábuas não igualou patrícios e plebeus nem aboliu punições severas (como mostra o próprio texto de apoio), mas, ao publicar o direito por escrito, retirou dos patrícios o monopólio do saber jurídico e armou os plebeus com o conhecimento necessário para reivindicar mudanças sociais futuras.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa E capta o real significado histórico da Lei das Doze Tábuas — não o teor específico das punições, mas o efeito político de tornar a lei pública e conhecida, o que permitiu aos plebeus lutar por direitos com base nesse conhecimento.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente usa o conflito patrício-plebeu na Roma Antiga para testar se o aluno entende processos históricos de conquista de direitos como resultado de disputa política prolongada, e não como concessões espontâneas das elites — um paralelo estrutural que se repete em várias sociedades e períodos.
- Generalização: em questões sobre codificação de leis e conquistas de direitos na Antiguidade, desconfie de alternativas que atribuem à lei analisada um efeito "grande demais" (fim de instituição estrutural como o latifúndio, igualdade plena entre grupos). O ENEM costuma cobrar o efeito específico e historicamente correto de cada norma, não uma vitória social completa e imediata.
- Dica de eliminação rápida: separe mentalmente as conquistas plebeias por lei e data — Doze Tábuas (450 a.C.) = codificação escrita; Lei Canuléia (445 a.C.) = casamento misto; Licínias-Sêxtias (367 a.C.) = acesso a cargos; Lei Hortênsia (287 a.C.) = plebiscito com força de lei. Qualquer alternativa que atribua às Doze Tábuas um efeito que pertence a outra lei (casamento, cargos públicos) pode ser eliminada de imediato.
- Conexões: para aprofundar, relacione este tema com a "Lei Hortênsia" (fim formal do conflito patrício-plebeu, 287 a.C.) e com o conceito de "cidadania na Antiguidade Clássica", frequentemente comparado à cidadania ateniense em questões de Ciências Humanas do ENEM.
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