Mapa de questões · 1º dia
Questão 61 — ENEM 2016 Reaplicação
As sacolas plásticas são utilizadas em grande quantidade no Brasil por serem práticas, leves e de baixo custo. Porém, o tempo necessário para que sofram degradação nas condições do meio é de, no mínimo, 100 anos. Com o intuito de reduzir o impacto ambiental desses produtos, as sacolas biodegradáveis foram introduzidas no mercado. Essas sacolas são confeccionadas de um material polimérico que confere a elas uma característica que as torna biodegradáveis.
A qual característica das sacolas biodegradáveis o texto faz referência?
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Química → Polímeros (química das macromoléculas) e Química Ambiental
- ⚡ Nível: Médio — a resposta exige entender o mecanismo real da biodegradação, não apenas identificar palavras do texto
- 🎯 Tema/Habilidade: Propriedades estruturais dos polímeros biodegradáveis; competência de relacionar estrutura molecular a propriedades macroscópicas do material
- 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual propriedade do polímero explica por que a sacola biodegradável se decompõe muito mais rápido que a sacola comum?"
- Palavras-chave decisivas: degradação, material polimérico, biodegradáveis
- Armadilha típica: confundir biodegradabilidade com propriedades físicas do produto acabado (espessura, resistência a líquido) ou com propriedades associadas à resistência mecânica do polímero (massa molar, aromaticidade), que não têm relação direta com o mecanismo de decomposição biológica.
- O que a resposta precisa demonstrar: que biodegradação é um processo químico-biológico — o polímero precisa ser "atacável" por enzimas de microrganismos (bactérias, fungos) para que suas cadeias sejam quebradas em condições naturais.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Polímero: macromolécula formada pela repetição de unidades monoméricas unidas por ligações covalentes; suas propriedades (resistência, flexibilidade, degradabilidade) dependem do tipo de ligação química presente na cadeia.
- Biodegradação: decomposição de um material por ação de organismos vivos — bactérias, fungos e outros microrganismos secretam enzimas que reconhecem e rompem ligações químicas específicas da cadeia, convertendo o polímero em CO₂, H₂O, biomassa e outros compostos simples.
- Polímeros convencionais (ex.: polietileno): cadeia formada essencialmente por ligações C–C, muito estáveis e inertes à maioria das enzimas microbianas; por isso resistem por décadas ou séculos no ambiente.
- Polímeros biodegradáveis (ex.: amido termoplástico, blendas com amido, PHB, PLA): contêm ligações químicas mais suscetíveis à hidrólise/oxidação enzimática (como ligações glicosídicas e ésteres), semelhantes a substratos que os microrganismos já metabolizam naturalmente — por isso se decompõem em meses, e não em séculos.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "o tempo necessário para que sofram degradação nas condições do meio é de, no mínimo, 100 anos" → mostra que a sacola convencional é extremamente resistente à ação do meio, incluindo a ação biológica de microrganismos.
- Evidência 2: "confeccionadas de um material polimérico que confere a elas uma característica que as torna biodegradáveis" → o texto pede a propriedade estrutural do polímero que está diretamente ligada ao próprio fenômeno da degradação, não a uma característica física periférica do produto.
- Síntese: a comparação implícita entre a sacola comum (100+ anos para degradar) e a sacola biodegradável (degrada muito mais rápido) aponta para uma única explicação coerente: o polímero biodegradável oferece pouca resistência ao ataque de microrganismos, permitindo que eles decomponham suas cadeias em condições ambientais adequadas.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o mecanismo real da degradação ambiental
Um material pode se degradar no ambiente por fatores físicos (radiação UV, calor, atrito) ou por fatores biológicos (ação de microrganismos). Para que um polímero seja classificado como biodegradável, o fator determinante — por definição — é a ação biológica: bactérias e fungos do solo ou da água secretam enzimas (amilases, esterases, lipases) capazes de reconhecer e romper ligações químicas específicas presentes na cadeia polimérica.
Subpasso 4.2 — Relacionar a estrutura química com a suscetibilidade ao ataque microbiano
Sacolas biodegradáveis costumam incorporar amido (um polissacarídeo) ou polímeros com ligações do tipo éster em sua cadeia. Essas ligações são estruturalmente parecidas com substratos naturais que os microrganismos já sabem metabolizar — diferente do polietileno comum, cuja cadeia é praticamente só C–C, inerte à maioria das enzimas existentes na natureza. Isso significa que o polímero biodegradável tem baixa resistência ao ataque desses microrganismos: eles conseguem colonizar e decompor o material rapidamente, desde que estejam em condições adequadas de umidade, temperatura e presença de microbiota (daí a expressão "em condições adequadas").
Subpasso 4.3 — Verificação
Confrontando com o texto: a sacola comum resiste "no mínimo 100 anos" justamente porque tem alta resistência ao ataque biológico; a sacola biodegradável foi desenvolvida para reduzir drasticamente esse tempo. Logo, a característica que a define é exatamente o oposto da resistência da sacola comum — ou seja, sua fragilidade química diante de microrganismos. Isso confirma a alternativa que fala em "baixa resistência ao ataque por microrganismos em condições adequadas".
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) Elevada massa molecular do polímero.
❌ Incorreta: massa molecular elevada costuma estar associada a maior estabilidade, maior resistência mecânica e térmica — o oposto de facilidade de degradação. Polímeros de altíssima massa molar (como o polietileno) tendem a ser justamente os mais resistentes à decomposição, não os mais biodegradáveis.
B) Espessura fina do material que as constitui.
❌ Incorreta: espessura é uma característica geométrica do produto final (como a sacola foi moldada), não uma propriedade química do polímero. Uma sacola convencional também pode ser fabricada bem fina e, ainda assim, levar décadas para se decompor — a espessura não determina biodegradabilidade.
C) Baixa resistência aos líquidos nas condições de uso.
❌ Incorreta: se a sacola tivesse baixa resistência a líquidos durante o uso, ela vazaria ou se romperia ao carregar itens molhados, o que a tornaria inútil para sua função. Biodegradação ocorre no momento do descarte, por ação biológica no ambiente, e não pela simples exposição a líquidos durante o uso.
D) Baixa resistência ao ataque por microrganismos em condições adequadas.
✅ Correta: é exatamente essa fragilidade química diante de enzimas produzidas por bactérias e fungos — em condições adequadas de umidade, temperatura e microbiota — que permite a quebra das cadeias poliméricas, resultando na decomposição do material em um tempo muito menor do que o dos plásticos convencionais.
E) Ausência de anéis aromáticos na estrutura do polímero usado na confecção das sacolas.
❌ Incorreta: a presença ou ausência de anéis aromáticos não define, por si só, a biodegradabilidade de um polímero. Existem polímeros sem aromaticidade que são extremamente resistentes (como o próprio polietileno) e outros com estruturas aromáticas que participam de processos de degradação. O critério determinante é a suscetibilidade da ligação química ao ataque enzimático, não a aromaticidade.
🏆 Gabarito: D — a biodegradabilidade da sacola decorre da baixa resistência do seu material polimérico ao ataque de microrganismos, que hidrolisam e metabolizam suas ligações químicas quando as condições ambientais (umidade, temperatura, microbiota) são adequadas.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: D é a única alternativa que aponta uma propriedade diretamente causal do fenômeno de biodegradação — a vulnerabilidade físico-química do polímero à ação metabólica de microrganismos.
- Padrão de cobrança: questões de química ambiental/polímeros aparecem com frequência no ENEM contextualizadas em problemas do cotidiano (sacolas plásticas, garrafas PET, descarte de lixo, sustentabilidade), sempre exigindo que o estudante conecte a estrutura molecular do material às propriedades observadas macroscopicamente.
- Generalização: sempre que a questão perguntar "por que este material se degrada/resiste tanto", pense no mecanismo real do fenômeno (ação biológica, luz, calor, umidade) e não em características físicas superficiais do produto (espessura, cor, textura, resistência a líquido em uso).
- Dica de eliminação rápida: descarte de cara alternativas que descrevem características físicas do produto final (espessura, resistência a líquidos durante o uso) — biodegradação é fenômeno químico-biológico, não físico-funcional. Desconfie também de alternativas com "elevada massa molar", pois isso normalmente indica maior resistência à degradação, o oposto do que a questão busca.
- Conexões: polímeros de adição × polímeros de condensação, ciclo do carbono e compostagem, reciclagem do PET, química verde e materiais sustentáveis.
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