Pular para o conteúdo
MemorizeMemorize
Mapa de questões · 1º dia
NaturezaQuímicaDifícil

Questão 82ENEM 2016 Reaplicação

Na obtenção do alumínio, dá-se a partir da bauxita (Al₂O₃·3H₂O), que é purificada e eletrolisada numa temperatura de 1 000 °C. Na célula eletrolítica, o ânodo é formado por barras de grafita ou de carvão, que são consumidas no processo de eletrólise, com formação de gás carbônico, e o cátodo é uma caixa de aço coberta de grafita.

A etapa de obtenção do alumínio ocorre no

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Química → Eletroquímica (eletrólise ígnea e polaridade dos eletrodos)
  • ⚡ Nível: Difícil — exige aplicar corretamente a convenção de polos de uma célula eletrolítica (invertida em relação à pilha), armadilha clássica do ENEM.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Processo Hall-Héroult de obtenção industrial do alumínio; reconhecer reações de oxidação e redução em cátodo e ânodo.
  • 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Em qual eletrodo da célula eletrolítica o alumínio metálico é de fato formado, e por qual mecanismo isso acontece?"
  • Palavras-chave decisivas: cátodo, caixa de aço coberta de grafite, barras de grafite consumidas (ânodo)
  • Armadilha típica: o estudante que decorou "cátodo é o polo positivo, ânodo é negativo" (regra da pilha) inverte tudo ao aplicá-la à eletrólise, onde a polaridade é oposta. Outra armadilha é associar "formação de gás carbônico" — fato real do ânodo — ao local de obtenção do alumínio.
  • O que a resposta precisa demonstrar: localizar corretamente o eletrodo (cátodo) e descrever com precisão o fenômeno eletroquímico (fluxo de elétrons que promove a redução do Al³⁺) que ali ocorre.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Eletrólise ígnea: decomposição de um composto fundido (sem água), por meio de corrente elétrica externa, forçando uma reação de oxirredução não espontânea. É o caso da bauxita purificada (Al₂O₃) dissolvida em criolita fundida a cerca de 1.000 °C.
  • Cátodo (convenção universal): eletrodo onde ocorre redução — vale tanto para pilha quanto para eletrólise. O que muda entre os dois sistemas é apenas o sinal do polo: na eletrólise, o cátodo é o polo negativo, pois está ligado ao terminal negativo da fonte externa, que empurra elétrons para dentro dele.
  • Ânodo (convenção universal): eletrodo onde ocorre oxidação. Na eletrólise, é o polo positivo, de onde a fonte externa "puxa" elétrons.
  • Processo Hall-Héroult: as barras de grafite (ânodo) fornecem o carbono que reage com o oxigênio liberado da alumina, formando CO₂ e sendo consumidas; o cátion Al³⁺ migra até a caixa de aço grafitada (cátodo), onde recebe elétrons e se transforma em alumínio metálico líquido.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "eletrolisada numa temperatura de 1.000 °C" → confirma tratar-se de eletrólise ígnea (sal fundido), e não em meio aquoso — logo, os únicos íons disponíveis para descarga são Al³⁺ e O²⁻ da própria alumina.
  • Evidência 2: "o ânodo é formado por barras de grafite ou carvão, que são consumidas no processo de eletrólise, com formação de gás carbônico" → identifica explicitamente o ânodo, o material que o compõe e o produto de sua reação (CO₂), deixando claro que ali ocorre oxidação do carbono, não a formação do metal.
  • Evidência 3: "o cátodo é uma caixa de aço coberta de grafite" → o enunciado já entrega a localização física do cátodo; por eliminação lógica, e por definição eletroquímica, é nesse eletrodo que a redução (e, portanto, a obtenção do alumínio) precisa acontecer.
  • Síntese: o próprio texto separa as duas semirreações — CO₂ no ânodo (oxidação do carbono) e caixa de aço grafitada como cátodo (onde só pode restar a redução do Al³⁺). A questão testa se o aluno consegue costurar essas evidências à definição correta de cátodo em eletrólise.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o tipo de célula e a direção da corrente

Como o processo exige energia elétrica externa para ocorrer (a redução de Al³⁺ a Al não é espontânea), trata-se de uma célula eletrolítica. Nela, a fonte de energia impõe a polaridade: o terminal positivo da fonte é ligado às barras de grafite (que se tornam o ânodo) e o terminal negativo é ligado à caixa de aço (que se torna o cátodo). A fonte "puxa" elétrons do ânodo, oxidando-o, e "empurra" esses mesmos elétrons, através do circuito externo, para dentro do cátodo.

Subpasso 4.2 — Escrever as semirreações

  • Ânodo (oxidação): 2 O²⁻ → O₂ + 4 e⁻, e o O₂ nascente reage imediatamente com o carbono da grafite: C(s) + O₂(g) → CO₂(g). É por isso que as barras de grafite são consumidas e há liberação de gás carbônico — exatamente como descrito no enunciado.
  • Cátodo (redução): Al³⁺ + 3 e⁻ → Al(l). O alumínio metálico formado é líquido a 1.000 °C e, por ser mais denso que o eletrólito (criolita fundida), decanta e se acumula no fundo da célula — precisamente na caixa de aço grafitada.
  • Equação global simplificada: 2 Al₂O₃ + 3 C → 4 Al + 3 CO₂

Subpasso 4.3 — Verificação

Os elétrons liberados na oxidação do carbono (ânodo) não desaparecem: eles percorrem o circuito externo — da barra de grafite até a caixa de aço — e são justamente os elétrons que reduzem o Al³⁺ no cátodo. Esse fluxo de elétrons "das barras de grafite para a caixa de aço" é o mecanismo físico que liga as duas semirreações e é exatamente o que confirma, sem ambiguidade, que a obtenção do alumínio ocorre no cátodo.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) ânodo, com formação de gás carbônico.

❌ Incorreta: a formação de CO₂ realmente acontece no ânodo — isso é verdadeiro —, mas é consequência da oxidação do carbono da grafite, não da obtenção do alumínio. A alternativa mistura um fato real com uma conclusão indevida sobre o local de formação do metal.

B) cátodo, com redução do carvão na caixa de aço.

❌ Incorreta: acerta o eletrodo (cátodo) e o tipo de fenômeno (redução), mas erra a espécie química reduzida. Quem sofre redução no cátodo é o cátion Al³⁺, proveniente da alumina dissolvida — o carvão/grafite está no ânodo e sofre oxidação, não redução.

C) cátodo, com oxidação do alumínio na caixa de aço.

❌ Incorreta: é internamente contraditória — por definição, cátodo é o eletrodo de redução, jamais de oxidação. Além disso, o Al³⁺ ganha elétrons (é reduzido) para virar alumínio metálico; não há oxidação de alumínio nesse processo.

D) ânodo, com depósito de alumínio nas barras de grafita.

❌ Incorreta: erra o eletrodo e o local físico do depósito. As barras de grafite do ânodo são consumidas, transformando-se em CO₂; o alumínio líquido, por ser mais denso que o eletrólito, deposita-se no fundo da célula — na caixa de aço, que é o cátodo, não sobre as barras de grafite.

E) cátodo, com fluxo de elétrons das barras de grafite para a caixa de aço.

✅ Correta: descreve com precisão tanto o eletrodo certo (cátodo = caixa de aço) quanto o mecanismo eletroquímico correto — os elétrons liberados pela oxidação do carbono no ânodo (barras de grafite) atravessam o circuito externo e chegam ao cátodo (caixa de aço), onde reduzem o Al³⁺ a alumínio metálico.

🏆 Gabarito: E — o alumínio é obtido no cátodo (caixa de aço grafitada), para onde fluem os elétrons liberados na oxidação do carbono das barras de grafite (ânodo), promovendo a redução do Al³⁺ a alumínio metálico.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só a alternativa E localiza corretamente o eletrodo (cátodo) e descreve corretamente o mecanismo (fluxo de elétrons vindos do ânodo, reduzindo o Al³⁺); todas as demais erram o eletrodo, a espécie envolvida ou o tipo de reação.
  • Padrão de cobrança: o ENEM adora explorar processos industriais de eletrólise (obtenção do alumínio, processo cloro-álcali para NaOH e Cl₂, refino eletrolítico do cobre, galvanoplastia) exigindo que o aluno identifique corretamente cátodo/ânodo e a natureza da reação em cada um.
  • Generalização: memorize a regra universal — cátodo é sempre redução, ânodo é sempre oxidação, independentemente de a célula ser pilha ou eletrólise. O que muda é apenas o sinal do polo (na pilha, cátodo é +; na eletrólise, cátodo é −).
  • Dica de eliminação rápida: elimine imediatamente qualquer alternativa que combine "cátodo" com "oxidação" (contradição lógica) e qualquer alternativa que coloque o depósito do metal no mesmo eletrodo que está sendo "consumido" — um material consumido está sofrendo oxidação, não recebendo depósito.
  • Conexões: processo cloro-álcali (eletrólise da salmoura para produção de NaOH e Cl₂), eletrodeposição/galvanoplastia e refino eletrolítico de metais como o cobre — todos usam a mesma lógica de cátodo redutor e ânodo oxidante.

Comunidade Memorize · Grátis

Não perca nenhuma live, aula ou material.

Entre na comunidade do WhatsApp e receba os avisos de tudo que a equipe Memorize lança de graça — direto no seu celular.