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Mapa de questões · 1º dia
NaturezaBiologiaMédio

Questão 87ENEM 2016 Reaplicação

Suponha que um pesticida lipossolúvel que se acumula no organismo após ser ingerido tenha sido utilizado durante anos na região do Pantanal, ambiente que tem uma de suas cadeias alimentares representadas no esquema:

PLÂNCTON → PULGA-D'ÁGUA → LAMBARI → PIRANHA → TUIUIÚ

Um pesquisador avaliou a concentração do pesticida nos tecidos de lambaris da região e obteve um resultado de 6,1 partes por milhão (ppm).

Qual será o resultado compatível com a concentração do pesticida (em ppm) nos tecidos dos outros componentes da cadeia alimentar?

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Ecologia (relações tróficas, bioacumulação e magnificação trófica)
  • ⚡ Nível: Médio — exige interpretar um dado numérico dentro de uma cadeia alimentar e projetar seu comportamento nos demais elos, sem depender de fórmula, mas de raciocínio ecológico correto
  • 🎯 Tema/Habilidade: Bioacumulação de poluentes lipossolúveis e magnificação trófica ao longo de uma cadeia alimentar (competência de interpretar processos ecológicos e suas consequências ambientais)
  • 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Dado que o lambari tem 6,1 ppm de pesticida no tecido, qual conjunto de valores para plâncton, pulga-d'água, piranha e tuiuiú é coerente com o modo como esse pesticida se distribui na cadeia alimentar?"
  • Palavras-chave decisivas: lipossolúvel, acumula no organismo, cadeia alimentar
  • Armadilha típica: achar que a concentração deveria ser igual em todos os níveis (já que "é a mesma cadeia") ou, pior, que diminui à medida que sobe na cadeia — como se o veneno "se diluísse" a cada predação
  • O que a resposta precisa demonstrar: compreensão de que uma substância lipossolúvel e não excretada se concentra progressivamente a cada nível trófico, portanto os valores devem crescer do produtor (plâncton) até o predador de topo (tuiuiú)

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Cadeia alimentar: sequência de transferência de matéria e energia entre organismos; aqui: plâncton (produtor) → pulga-d'água (consumidor 1º) → lambari (2º) → piranha (3º) → tuiuiú (consumidor de topo)
  • Bioacumulação: acúmulo de uma substância dentro do próprio organismo, pois ela não é metabolizada nem excretada — típico de compostos lipossolúveis, que se depositam no tecido adiposo (caso clássico do DDT e de outros organoclorados)
  • Magnificação trófica (biomagnificação): cada predador consome muitas presas ao longo da vida e "soma" em seu corpo o pesticida acumulado por elas; por isso a concentração aumenta a cada elo da cadeia
  • Consequência ecológica: predadores de topo (aqui, o tuiuiú, ave típica do Pantanal) sofrem os efeitos mais graves da contaminação, mesmo sem contato direto com a fonte do pesticida

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "pesticida lipossolúvel que se acumula no organismo após ser ingerido" → a substância não é eliminada; deposita-se na gordura e se soma a cada nova ingestão
  • Evidência 2: "concentração do pesticida nos tecidos de lambaris... 6,1 ppm" → posiciona o lambari no meio da cadeia (3º elo de 5), exigindo valores menores nos elos abaixo (plâncton e pulga-d'água) e maiores nos elos acima (piranha e tuiuiú)
  • Síntese: a resposta correta é a única tabela com valores estritamente crescentes ao longo da cadeia — plâncton < pulga-d'água < lambari (6,1) < piranha < tuiuiú — refletindo a magnificação trófica.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Posicionar o lambari na cadeia

A cadeia dada tem 5 elos: PLÂNCTON (1º) → PULGA-D'ÁGUA (2º) → LAMBARI (3º) → PIRANHA (4º) → TUIUIÚ (5º). O lambari ocupa a posição intermediária, com 6,1 ppm. Isso funciona como um "pivô": tudo que vem antes dele na cadeia precisa ter concentração menor, e tudo que vem depois precisa ter concentração maior.

Subpasso 4.2 — Aplicar o critério de magnificação trófica

Como o pesticida é lipossolúvel e não é excretado, cada organismo retém o que absorveu de todas as presas consumidas ao longo da vida. Isso gera crescimento progressivo da concentração a cada nível trófico — não linear e nem obrigatoriamente com razão constante, mas sempre crescente. Assim, a sequência correta deve satisfazer:

PLÂNCTON < PULGA-D'ÁGUA < 6,1 (lambari) < PIRANHA < TUIUIÚ

Na alternativa C, a sequência é: PLÂNCTON = 0,3 ppm; PULGA-D'ÁGUA = 1,7 ppm; LAMBARI = 6,1 ppm (dado); PIRANHA = 9,3 ppm; TUIUIÚ = 19,0 ppm. Verificando: 0,3 < 1,7 < 6,1 < 9,3 < 19,0 — a ordem é estritamente crescente, exatamente o padrão esperado pela magnificação trófica, com o maior "salto" ocorrendo do lambari (peixe) para a piranha e para o tuiuiú, os dois predadores de topo da cadeia.

Subpasso 4.3 — Verificação

Testando o critério em cada alternativa: qualquer conjunto de valores decrescente (do plâncton para o tuiuiú) contraria a bioacumulação, pois sugeriria que o predador de topo "elimina" o pesticida — fisicamente incoerente com uma substância lipossolúvel não excretada. Qualquer conjunto constante ignora a magnificação trófica. Apenas a alternativa C mantém crescimento monotônico compatível com o valor fixo de 6,1 ppm do lambari.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) Valores decrescentes ao longo da cadeia (ex.: plâncton e pulga-d'água maiores que o lambari, piranha e tuiuiú menores)

❌ Incorreta: inverte a lógica da bioacumulação. Se a concentração diminuísse do produtor para o predador de topo, isso implicaria que os predadores estariam metabolizando ou excretando o pesticida com eficiência crescente — o oposto do que caracteriza um composto lipossolúvel que "se acumula no organismo".

B) Valores aproximadamente constantes em todos os níveis da cadeia

❌ Incorreta: ignora completamente a magnificação trófica. Se a concentração fosse igual em todos os elos, o processo de acumulação ao consumir múltiplas presas ao longo da vida não teria efeito algum, o que contradiz a própria definição de substância que "se acumula" a cada ingestão.

C) PLÂNCTON = 0,3 ppm; PULGA-D'ÁGUA = 1,7 ppm; PIRANHA = 9,3 ppm; TUIUIÚ = 19,0 ppm

✅ Correta: os valores crescem de forma ordenada e compatível com o valor fixo do lambari (6,1 ppm), respeitando 0,3 < 1,7 < 6,1 < 9,3 < 19,0. Esse padrão traduz corretamente a magnificação trófica: cada predador concentra em seu tecido o pesticida absorvido de várias presas do nível abaixo, resultando em aumento progressivo da concentração até o predador de topo (tuiuiú).

D) Valores embaralhados, sem ordem crescente nem decrescente coerente com a posição trófica

❌ Incorreta: mesmo que alguns valores individuais pareçam plausíveis isoladamente, a ausência de uma progressão ordenada ao longo da cadeia desconsidera a relação de causa e efeito entre nível trófico e grau de acumulação — o essencial da questão não é o valor isolado, mas a tendência ao longo da cadeia.

E) Valores decrescentes na ordem inversa da correta (tuiuiú com a menor concentração, plâncton com a maior)

❌ Incorreta: é o espelho invertido do padrão correto. Atribuir a maior concentração ao plâncton (base da cadeia, produtor) e a menor ao tuiuiú (predador de topo) contraria diretamente o conceito de biomagnificação, que prevê o oposto — concentração crescente conforme se avança para níveis tróficos superiores.

🏆 Gabarito: C — é a única alternativa em que os valores atribuídos a plâncton, pulga-d'água, piranha e tuiuiú formam uma sequência estritamente crescente e compatível com o valor de 6,1 ppm medido no lambari, refletindo corretamente a magnificação trófica de um pesticida lipossolúvel e bioacumulativo.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: a letra C é a única sequência numérica logicamente compatível com o fenômeno descrito no enunciado — aumento progressivo da concentração do poluente à medida que se avança na cadeia alimentar, com o lambari (6,1 ppm) posicionado corretamente entre a pulga-d'água e a piranha.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente explora bioacumulação e magnificação trófica usando exemplos de poluentes lipossolúveis (pesticidas organoclorados como o DDT, metais pesados como mercúrio) em cadeias alimentares aquáticas, sempre pedindo que o estudante reconheça o crescimento da concentração rumo ao topo da cadeia.
  • Generalização: sempre que uma substância for descrita como lipossolúvel, persistente e não excretável, espere que a questão exija concentração crescente do produtor para o consumidor de topo — esse é o núcleo conceitual testado, independentemente dos organismos específicos citados.
  • Dica de eliminação rápida: antes mesmo de calcular qualquer coisa, elimine de cara qualquer alternativa com valores decrescentes ou constantes ao longo da cadeia; restam apenas as que mostram crescimento, e dentre elas, verifique qual delas posiciona corretamente o valor dado (aqui, 6,1 ppm do lambari) entre o elo anterior e o posterior.
  • Conexões: o mesmo raciocínio se aplica a temas como mercúrio em cadeias alimentares de rios amazônicos e ao efeito do DDT no afinamento de cascas de ovos de aves de rapina — ambos casos clássicos de biomagnificação cobrados em Ecologia no ENEM.

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