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Mapa de questões · 1º dia
NaturezaQuímicaMédio

Questão 83ENEM 2016 Reaplicação

Os métodos empregados nas análises químicas são ferramentas importantes para se conhecer a composição dos diversos materiais presentes no meio ambiente. É comum, na análise de metais presentes em amostras ambientais, como água de rio ou de mar, a adição de um ácido mineral forte, normalmente o ácido nítrico (HNO₃), com a finalidade de impedir a precipitação de compostos pouco solúveis desses metais ao longo do tempo.

Na ocorrência de precipitação, o resultado da análise pode ser subestimado, porque

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Química → Soluções, Equilíbrio de Solubilidade e Química Ambiental
  • ⚡ Nível: Médio — exige interligar um procedimento experimental (acidificação da amostra) com o conceito de equilíbrio de solubilidade, sem cálculos numéricos.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Precipitação de compostos metálicos e seu impacto na análise quantitativa de água (competência de investigação em Química Ambiental).
  • 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Se, mesmo com a adição de ácido nítrico, ainda assim ocorrer precipitação dos metais na amostra, por que o resultado da análise sairá menor do que o valor real?"
  • Palavras-chave decisivas: precipitação, subestimado, fase sólida
  • Armadilha típica: confundir "subestimar o resultado" com fenômenos que fazem o metal "desaparecer" da amostra por vias exóticas — volatilização, mudança de natureza química (metal → não metal) ou reação com o vidro do frasco — quando, na verdade, a explicação é a mais simples e direta: o metal só mudou de fase física, saindo da solução e indo para o sólido.
  • O que a resposta precisa demonstrar: entendimento de que a análise química de metais em água normalmente amostra a fase líquida (ou uma alíquota homogeneizada dela); se parte do metal está precipitado como sólido insolúvel, essa fração não é contabilizada corretamente, gerando um resultado abaixo do valor real.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Acidificação de amostras ambientais: ao coletar água de rio ou mar para análise de metais (por exemplo, por espectrometria de absorção atômica ou ICP), é prática padrão adicionar um ácido forte, como o HNO₃, para manter todos os metais dissolvidos como íons livres em solução, evitando que precipitem antes da análise em laboratório.
  • Equilíbrio de solubilidade e produto de solubilidade (Kps): metais em água podem formar compostos pouco solúveis — hidróxidos, carbonatos, sulfetos, fosfatos — que precipitam quando o pH sobe ou quando a concentração de ânions aumenta. O meio ácido (baixo pH, excesso de H⁺) desloca esse equilíbrio no sentido de manter os metais como cátions dissolvidos, pois protona ânions como OH⁻ e CO₃²⁻, impedindo a formação do sal insolúvel.
  • Representatividade da amostra analisada: em análises quantitativas, assume-se que a alíquota retirada representa fielmente a composição total da amostra original. Se uma fração do metal se separou como sólido (precipitado) e não é totalmente redissolvida/incluída na análise, o resultado medido reflete apenas a parte que permaneceu dissolvida (ou foi acessível ao método), ficando abaixo da concentração real total.
  • Subestimação de resultado analítico: ocorre quando o valor medido é menor do que o valor verdadeiro, por perda de analito (aqui, o metal) para uma forma não detectada ou não devidamente incluída no processo de medição.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "é comum [...] a adição de um ácido mineral forte, normalmente o ácido nítrico (HNO₃), com a finalidade de impedir a precipitação de compostos pouco solúveis desses metais ao longo do tempo" → revela que o procedimento padrão existe justamente para manter os metais dissolvidos; a precipitação é o problema que se quer evitar.
  • Evidência 2: "Na ocorrência de precipitação, o resultado da análise pode ser subestimado" → estabelece a relação de causa e efeito que a questão pede: precipitação → resultado menor que o real. É preciso explicar o mecanismo dessa subestimação.
  • Síntese: o texto monta um raciocínio de duas etapas — (1) o ácido serve para impedir que os metais precipitem, mantendo-os todos em solução; (2) se, apesar disso, a precipitação acontecer, uma parte do metal "escapa" da forma dissolvida, tornando-se sólido, e por isso o método de análise (que mede o metal em solução) capta menos do que existe de fato na amostra. O caminho de resolução é identificar qual alternativa descreve corretamente essa "fuga" do metal para outra fase física — a fase sólida.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Entender por que se adiciona HNO₃ à amostra

Quando se coleta água de rio ou de mar para determinar a concentração de metais (como Fe, Cu, Pb, Zn, Cd, entre outros), esses metais estão dissolvidos como cátions (Fe²⁺/Fe³⁺, Cu²⁺, Pb²⁺ etc.). Com o passar do tempo, variações de pH, oxigenação ou presença de ânions (OH⁻, CO₃²⁻, PO₄³⁻) podem favorecer a formação de compostos pouco solúveis desses metais — por exemplo, hidróxidos metálicos M(OH)ₙ — que precipitam, isto é, se separam da água como um sólido. A adição de HNO₃ (ácido forte) mantém o meio fortemente ácido, o que impede essa precipitação: o excesso de H⁺ neutraliza ânions básicos como OH⁻ e CO₃²⁻, deslocando o equilíbrio de solubilidade no sentido de manter o metal na forma de cátion livre, dissolvido.

Subpasso 4.2 — Identificar o efeito da precipitação sobre a medição

Se, mesmo assim, ocorrer precipitação (por exemplo, por acidificação insuficiente, demora entre coleta e análise, ou formação de complexos muito insolúveis), parte da massa do metal deixa de estar na forma iônica dissolvida e passa a constituir um sólido (precipitado) em suspensão ou depositado no fundo do recipiente. Os métodos usuais de análise de metais em água (espectrometria de absorção atômica, ICP-OES/MS, voltametria, entre outros) normalmente trabalham sobre uma alíquota da fase líquida ou sobre a amostra tal como manuseada em laboratório; se o sólido precipitado não for completamente redissolvido (por exemplo, por digestão ácida rigorosa) antes da medição, aquela fração de metal que está no precipitado não é contabilizada como estava.

Subpasso 4.3 — Verificação

Logo, o resultado da análise (concentração medida) reflete apenas o metal que permaneceu efetivamente disponível na forma analisada, sendo menor do que a concentração real total de metal presente originalmente na amostra — daí "resultado subestimado". A causa raiz é simples e física: uma parte dos metais mudou de fase, de líquida (dissolvida) para sólida (precipitado). Essa leitura bate exatamente com a alternativa A, que descreve a "passagem de parte dos metais para uma fase sólida" — sem necessidade de invocar volatilização, mudança de natureza química do elemento, formação de nova fase líquida ou reação com o recipiente, fenômenos que não correspondem ao que foi descrito no enunciado.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) ocorreu passagem de parte dos metais para uma fase sólida.

✅ Correta: é exatamente isso que significa "precipitação" — o metal, antes dissolvido (fase líquida, na forma de cátion), passa a formar um composto pouco solúvel que se separa como sólido. Essa fração sólida deixa de ser contabilizada da mesma forma na análise da fase líquida, subestimando o resultado.

B) houve volatilização de compostos dos metais para a atmosfera.

❌ Incorreta: volatilização é a passagem de uma substância para a fase gasosa, fenômeno típico de compostos com pressão de vapor considerável (como o mercúrio metálico ou alguns compostos organometálicos), não do processo descrito no enunciado. A questão fala em precipitação, que é formação de sólido, não de gás — não há qualquer menção a perda para a atmosfera.

C) os metais passaram a apresentar comportamento de não metais.

❌ Incorreta: precipitação é uma mudança de fase física (de dissolvido para sólido), não uma transformação da natureza química do elemento. Um metal continua sendo metal (mesma configuração eletrônica, mesmo elemento) esteja ele dissolvido como cátion ou combinado em um sal insolúvel; a classificação metal/não metal é uma propriedade intrínseca do elemento, que não muda por causa de precipitação.

D) formou-se uma nova fase líquida, imiscível com a solução original.

❌ Incorreta: a formação de uma segunda fase líquida imiscível caracterizaria uma separação tipo óleo-água, fenômeno completamente diferente de precipitação. O que se forma na precipitação é um sólido (precipitado), não um líquido imiscível.

E) os metais reagiram com as paredes do recipiente que contém a amostra.

❌ Incorreta: essa alternativa descreve adsorção/reação com o material do frasco, um problema real em química analítica, mas não é o fenômeno descrito no enunciado, que fala explicitamente em "precipitação de compostos pouco solúveis desses metais" — um processo que ocorre no seio da própria solução, formando um sólido, e não uma interação com a parede do recipiente.

🏆 Gabarito: A — a precipitação transfere parte da massa metálica da fase líquida (onde ela seria detectada normalmente) para uma fase sólida, fazendo com que a análise capte menos metal do que realmente existe na amostra.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: a única explicação coerente com "precipitação" é a mudança de fase física de líquido (dissolvido) para sólido — exatamente o que a alternativa A descreve, sem inventar mecanismos que o texto não menciona.
  • Padrão de cobrança: o ENEM gosta de trazer procedimentos reais de laboratório/monitoramento ambiental (coleta de água, preservação de amostras, uso de ácidos, análise instrumental) para testar se o estudante entende o "porquê" por trás de práticas do dia a dia da Química Analítica e Ambiental, não apenas fórmulas.
  • Generalização: sempre que uma questão falar em "resultado subestimado/superestimado" numa análise, pergunte-se: "o que aconteceu com o analito (substância medida) que fez ele não ser corretamente contabilizado?" Na maioria dos casos de precipitação, a resposta é simples: parte do analito saiu da fase que está sendo medida.
  • Dica de eliminação rápida: elimine imediatamente qualquer alternativa que descreva um fenômeno não mencionado no texto (volatilização → gás; nova fase líquida → líquido-líquido; reação com o frasco → interação externa) e qualquer alternativa que mude a identidade química do elemento (metal virar não metal é impossível). Sobra a opção mais literal e mais simples: mudança de fase para sólido.
  • Conexões: o tema se conecta a equilíbrio de solubilidade (Kps), efeito do pH sobre a solubilidade de hidróxidos e carbonatos metálicos, e a técnicas de preservação de amostras em Química Ambiental — todos assuntos recorrentes quando o ENEM aborda monitoramento de poluição da água.

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