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Mapa de questões · 1º dia
HumanasSociologiaMédio

Questão 16ENEM 2016 Reaplicação

20RYLPHQWR1HJUR8QL¿FDGR 018 GLVWLQJXHVHGR Teatro Experimental do Negro (TEN) por sua crítica ao discurso nacional hegemônico. Isto é, enquanto o TEN defende a plena integração simbólica dos negros na identidade nacional “híbrida”, o MNU condena qualquer tipo de assimilação, fazendo do combate à ideologia da democracia racial uma das suas principais bandeiras de luta, visto que, aos olhos desse movimento, a igualdade formal assegurada pela lei entre negros e brancos e a difusão do mito de que a sociedade brasileira não é racista teriam servido para sustentar, ideologicamente, a opressão racial.

COSTA, S. Dois Atlânticos : teoria social, antirracismo, cosmopolitismo. Belo Horizonte: UFMG, 2006 (adaptado).

No texto, são comparadas duas organizações do movimento negro brasileiro, criadas em diferentes contextos históricos: o TEN, em 1944, e o MNU, em 1978. Ao assumir uma postura divergente da do TEN, o MNU pretendia

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Sociologia → Movimento negro, racismo estrutural e mito da democracia racial
  • ⚡ Nível: Médio — exige decodificar vocabulário conceitual denso (assimilação, ideologia, democracia racial) e comparar duas posturas políticas dentro de um mesmo texto
  • 🎯 Tema/Habilidade: Movimentos sociais e luta antirracista no Brasil (H8/H9 — analisar processos sociais que resultam em conflitos e transformações históricas e reconhecer o papel dos movimentos sociais na conquista de direitos)
  • 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual era o objetivo do MNU ao adotar uma posição diferente da do TEN?"
  • Palavras-chave decisivas: postura divergente, combate à ideologia da democracia racial, opressão racial
  • Armadilha típica: confundir "divergência do TEN" com uma alternativa que fala em rejeitar a igualdade ou em métodos não democráticos — o texto não afirma isso em nenhum momento; a divergência é sobre aceitar ou não a assimilação, não sobre querer ou não a igualdade.
  • O que a resposta precisa demonstrar: entender que o MNU rompe com o discurso da "democracia racial" porque via nele um instrumento ideológico que escondia (e por isso perpetuava) o racismo real na sociedade brasileira.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Teatro Experimental do Negro (TEN): organização fundada por Abdias do Nascimento em 1944, no Rio de Janeiro, que lutava pela valorização cultural do negro, mas dentro de um projeto de integração à identidade nacional "híbrida" (mestiça), buscando inclusão simbólica sem romper com a narrativa de convivência harmônica entre as raças.
  • Movimento Negro Unificado (MNU): criado em 1978, em São Paulo, num contexto de redemocratização, representa uma guinada mais combativa: rejeita a ideia de assimilação cultural e passa a denunciar abertamente o racismo como estrutura social concreta, não apenas simbólica.
  • Mito da democracia racial: narrativa difundida a partir de meados do século XX (associada a Gilberto Freyre) segundo a qual o Brasil seria uma sociedade harmônica, fruto da miscigenação, sem discriminação racial relevante. Movimentos negros críticos, como o MNU, apontam que esse mito funcionava como véu ideológico: ao proclamar que "não há racismo no Brasil", ele deslegitimava as denúncias de discriminação e dificultava políticas de combate à desigualdade racial.
  • Igualdade formal x igualdade real: a lei garantia (formalmente) que negros e brancos eram iguais perante o Estado, mas isso não se traduzia em igualdade concreta de oportunidades, renda, acesso à educação etc. O MNU usa exatamente essa distinção para expor a hipocrisia do discurso oficial.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "o MNU condena qualquer tipo de assimilação, fazendo do combate à ideologia da democracia racial uma das suas principais bandeiras de luta" → o MNU não apenas discorda do TEN, mas transforma a denúncia dessa ideologia em sua pauta central de atuação política.
  • Evidência 2: "a igualdade formal assegurada pela lei (...) e a difusão do mito de que a sociedade brasileira não é racista teriam servido para sustentar, ideologicamente, a opressão racial" → para o MNU, o discurso de igualdade e harmonia racial não eliminava o racismo — ao contrário, funcionava como cortina que o mantinha ativo e invisibilizado nas relações sociais cotidianas.
  • Síntese: o texto constrói uma oposição clara: enquanto o TEN aposta na integração simbólica dentro da narrativa de mistura racial, o MNU rejeita essa narrativa porque, na prática, ela mascarava um racismo real que persistia nas relações sociais brasileiras. Logo, o objetivo do MNU, ao divergir do TEN, era justamente trazer à tona — denunciar — esse racismo que a ideologia da democracia racial insistia em negar.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o eixo da comparação proposta pelo texto

O comando pede o que o MNU "pretendia" ao adotar uma "postura divergente" do TEN. É essencial notar que a divergência descrita no texto não é sobre se deve haver igualdade racial (ambos os movimentos são antirracistas), mas sobre como alcançá-la. O TEN acredita que a via é a integração simbólica dentro da identidade nacional mestiça; o MNU acredita que essa via é uma armadilha, pois oculta o racismo real sob o discurso da harmonia racial.

Subpasso 4.2 — Conectar a crítica do MNU ao seu objetivo político

Se o MNU "condena a assimilação" e faz do "combate à ideologia da democracia racial" sua bandeira principal, é porque ele quer expor que essa ideologia serve para sustentar a opressão racial. Ou seja: o movimento quer mostrar que o racismo continua existindo nas relações sociais brasileiras, mesmo com a lei garantindo igualdade formal e mesmo com o discurso de que "no Brasil não há racismo". O ato político central do MNU, portanto, é a denúncia da permanência do racismo nas relações sociais — não a rejeição da igualdade, nem a defesa de vias antidemocráticas, nem a exaltação da miscigenação (que é justamente o que ele combate).

Subpasso 4.3 — Verificação contra as alternativas

Testando a síntese "denunciar que o racismo persiste nas relações sociais, apesar do discurso de igualdade formal e do mito da democracia racial" contra as cinco alternativas, apenas a opção B reproduz fielmente esse raciocínio: ela nomeia diretamente o alvo da crítica do MNU (o racismo que "permanece" nas relações sociais, mascarado pela retórica da harmonia racial). As demais alternativas invertem, distorcem ou contradizem o que o texto afirma sobre os objetivos do movimento.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) pressionar o governo brasileiro a decretar a igualdade racial.

❌ Incorreta: o texto mostra que a igualdade já estava formalmente assegurada por lei — o problema apontado pelo MNU é justamente que essa igualdade formal não correspondia à realidade social. O movimento não pedia um decreto de igualdade (que já existia no papel), mas denunciava que ela era insuficiente e ilusória na prática.

B) denunciar a permanência do racismo nas relações sociais.

✅ Correta: é exatamente essa a bandeira central descrita no texto. Ao combater a "ideologia da democracia racial" e recusar a assimilação, o MNU busca expor que o discurso de harmonia entre as raças servia para sustentar, ideologicamente, a opressão racial real e concreta que persistia no cotidiano brasileiro.

C) contestar a necessidade da igualdade entre negros e brancos.

❌ Incorreta: contraria frontalmente o propósito do movimento. O MNU não questiona se deve haver igualdade — ele questiona por que a igualdade formal (já existente na lei) não se traduz em igualdade real, e luta justamente por essa igualdade efetiva.

D) defender a assimilação do negro por meios não democráticos.

❌ Incorreta: inverte o sentido do texto. É o TEN, não o MNU, que defende a integração/assimilação simbólica; o MNU "condena qualquer tipo de assimilação". Além disso, nada no texto associa o MNU a métodos antidemocráticos.

E) divulgar a ideia da miscigenação como marca da nacionalidade.

❌ Incorreta: essa é precisamente a narrativa que o MNU combate. A miscigenação como "marca da nacionalidade híbrida" está associada ao projeto do TEN e ao mito da democracia racial — o alvo da crítica do MNU, não seu objetivo.

🏆 Gabarito: B — o MNU divergia do TEN porque via na integração simbólica e no mito da democracia racial um mecanismo ideológico que escondia o racismo real; seu objetivo, portanto, era denunciar que esse racismo persistia nas relações sociais brasileiras.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa B traduz com precisão o núcleo da crítica do MNU: usar a denúncia do racismo estrutural como resposta à ideologia que o naturalizava e escondia.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente cobra a distinção entre igualdade formal (garantida por lei) e igualdade material (efetivamente vivida), aplicando esse contraste a temas como racismo, gênero e desigualdade social — vale memorizar esse par conceitual.
  • Generalização: em questões sobre movimentos sociais, a alternativa correta costuma ser aquela que expõe a contradição entre o discurso oficial (harmonia, igualdade, integração) e a realidade concreta de opressão que o movimento busca desnaturalizar.
  • Dica de eliminação rápida: descarte de imediato qualquer alternativa que atribua ao movimento crítico (MNU) posições que o texto associa ao movimento anterior (TEN) — como "assimilação" e "miscigenação" (D e E) — e qualquer uma que negue a busca por igualdade (C), já que nenhum movimento negro do texto rejeita esse valor.
  • Conexões: relacione com o conceito de "racismo estrutural" (Silvio Almeida) e com a Lei nº 12.288/2010 (Estatuto da Igualdade Racial), que buscou justamente transformar a igualdade formal em políticas efetivas de combate ao racismo.

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