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Questão 29ENEM 2016 Reaplicação

A geografia mundial da inovação sofreu uma reviravolta que mobiliza fatores humanos, financeiros e tecnológicos.

Esforço humano: com 1,15 milhão de pesquisadores, a China dispõe de um potencial equivalente a 82% da capacidade norte-americana e 79% da europeia; segundo a National Science Foundation norte-americana, o país deverá concentrar 30% de todos os pesquisadores do mundo até 2025.

Esforço financeiro: em 2009, pela primeira vez, a China apresentou um orçamento para pesquisa que a colocou em segundo lugar no mundo — ainda bastante longe dos Estados Unidos, mas à frente do Japão.

Esforço tecnológico: em 2011, o país se tornou o primeiro depositante mundial de patentes, graças a uma estratégia nacional que visa passar do Made in China (produzido na China) para o Designed in China (projetado na China).

CARROUÉ, L. Desindustrialização. Disponível em: www.diplomatique.org.br. Acesso em: 30 jul. 2013 (adaptado).

O texto apresenta um novo fator a ser considerado para refletir sobre o papel produtivo entre os países, representado pela

Alternativas

Resolução

📋 Ficha da questão

  • Matéria: Geografia → Geografia econômica → ciência, tecnologia e nova divisão internacional do trabalho
  • Habilidade: H17 — analisar fatores que explicam o impacto das novas tecnologias no processo de territorialização da produção
  • Nível: Médio — os três blocos do texto apontam para o mesmo lugar, mas as alternativas recuperam explicações antigas e conhecidas
  • Gabarito: revelado no Passo 4

🔎 Passo 1 — Leitura estratégica do comando

  • O comando, em uma linha: qual é o novo fator que passa a diferenciar o papel produtivo dos países.
  • Palavras-chave decisivas: novo fator, geografia mundial da inovação, pesquisadores, orçamento para pesquisa, patentes, Made in China e Designed in China.
  • A armadilha: responder pelo modelo antigo. Mão de obra barata, indústria de base e transnacionalização do capital explicaram durante décadas a posição da China na economia mundial — e três alternativas oferecem exatamente isso. Mas o comando pede o fator novo, o que muda a explicação.
  • O que a resposta precisa mostrar: que você identifica a passagem da vantagem por custo para a vantagem por conhecimento.

📚 Passo 2 — Revisão do conteúdo

  • Divisão internacional do trabalho: o modo como as etapas da produção mundial se repartem entre países. No arranjo clássico, os países centrais concebem e projetam, e os periféricos fabricam. É esse arranjo que o texto mostra em movimento.
  • Inovação: criação de produto, processo ou tecnologia nova, e sua aplicação econômica. Depende de três insumos — pesquisadores, financiamento e proteção jurídica do que se inventa. Não por acaso, os três blocos do texto são exatamente esses.
  • Patente: título que garante ao inventor o direito exclusivo de explorar economicamente sua criação por tempo determinado. Liderar o depósito de patentes é indicador direto de capacidade inventiva, não de capacidade fabril.
  • Made in China e Designed in China: "produzido na China" e "projetado na China". A primeira expressão marca o país como local de montagem, com salário baixo como atrativo. A segunda o marca como local de concepção, com engenharia e pesquisa como atrativo. A troca entre as duas é o resumo da tese do texto.
  • Tecnopolo e economia do conhecimento: modelo em que a riqueza vem de pesquisa, projeto, marca e patente, e não do volume produzido. Nele, o território atrai investimento por ter universidade, laboratório e pesquisador — não por ter salário baixo.

🧭 Passo 3 — Decodificação do enunciado

  • Evidência 1: "A geografia mundial da inovação sofreu uma reviravolta que mobiliza fatores humanos, financeiros e tecnológicos" → a frase de abertura já nomeia o assunto. Não é a geografia da indústria nem a do capital: é a da inovação.
  • Evidência 2: "Esforço humano: com 1,15 milhão de pesquisadores, a China dispõe de um potencial equivalente a 82% da capacidade norte-americana e 79% da europeia" → o recurso humano medido não é operário, é pesquisador. A comparação é feita com Estados Unidos e Europa, os polos tradicionais de concepção.
  • Evidência 3: "Esforço financeiro: (…) a China apresentou um orçamento para pesquisa que a colocou em segundo lugar no mundo — ainda bastante longe dos Estados Unidos, mas à frente do Japão" → o dinheiro citado vai para pesquisa, não para parque fabril.
  • Evidência 4: "Esforço tecnológico: em 2011, o país se tornou o primeiro depositante mundial de patentes, graças a uma estratégia nacional que visa passar do Made in China (produzido na China) para o Designed in China (projetado na China)" → o texto explicita a mudança de papel. Sair do "produzido" para o "projetado" é sair da execução para a concepção.
  • Síntese: os três blocos medem a mesma coisa por caminhos diferentes — gente que pesquisa, dinheiro para pesquisar e propriedade sobre o que se inventa. O novo fator é a capacidade de inovar.

🧠 Passo 4 — Resolução passo a passo

4.1 — Ler a palavra "novo"

O comando não pergunta o que explica a posição produtiva dos países em geral. Pergunta pelo fator novo que o texto acrescenta. Isso significa que qualquer alternativa que reponha uma explicação já consagrada está automaticamente fora, ainda que seja verdadeira em outro contexto.

4.2 — Ver o que os três blocos têm em comum

Os três indicadores escolhidos pelo autor são:

  • número de pesquisadores — capital humano dedicado à ciência
  • orçamento para pesquisa — recurso financeiro dedicado à ciência
  • depósito de patentes — resultado jurídico e econômico da ciência

Nenhum deles mede volume de produção, custo de mão de obra, tamanho de parque industrial ou lucro remetido ao exterior. Todos medem capacidade de gerar conhecimento aplicável.

4.3 — Traduzir a mudança de lema

"Made in China" descreve um país que executa projeto alheio. "Designed in China" descreve um país que concebe o próprio projeto. Entre um e outro está justamente a incorporação de ciência e tecnologia ao processo produtivo — e é essa incorporação que reposiciona o país na hierarquia da produção mundial.

4.4 — Verificação

O fator novo tem de ser, ao mesmo tempo, o que os três blocos medem e o que a troca de lema representa. Ciência e tecnologia aplicadas à produção satisfazem as duas condições. Gabarito: A.

✅❌ Passo 5 — Análise das alternativas

(A) aplicação da ciência e tecnologia no desenvolvimento produtivo, que aumenta o potencial inventivo — Sintetiza os três blocos do texto. Pesquisadores, orçamento de pesquisa e liderança em patentes são medidas de capacidade inventiva, e a estratégia de passar do "produzido na China" ao "projetado na China" é a aplicação dessa capacidade à produção. "Potencial inventivo" traduz literalmente o dado das patentes.

(B) ampliação da capacidade da indústria de base, que coopera para diversificar os níveis produtivos — Extrapolação para um dado que o texto não traz. Indústria de base é siderurgia, petroquímica, cimento — setores de insumos, medidos em toneladas e em capacidade instalada. Nenhum dos três indicadores citados fala de produção física. Além disso, expandir indústria de base é o modelo antigo de industrialização, não o fator novo pedido.

(C) exploração da mão de obra barata, que atrai fluxo de investimentos industriais para os países — É exatamente a explicação que o texto anuncia estar sendo superada. O "Made in China" nasceu da vantagem de custo; o texto trata da estratégia de abandonar esse lugar rumo ao "Designed in China". Marcar essa alternativa é responder com o cenário anterior à reviravolta descrita na primeira linha.

(D) inserção de pesquisas aplicadas ao setor financeiro, que incentiva a livre concorrência — Inverte a relação entre pesquisa e finanças. No texto, o dinheiro financia a pesquisa: o país "apresentou um orçamento para pesquisa" que o pôs em segundo lugar no mundo. A alternativa faz o contrário, colocando a pesquisa a serviço do setor financeiro — algo que nenhuma linha sustenta. Livre concorrência também não aparece em parte alguma.

(E) transnacionalização do capital industrial, que eleva os lucros em escala planetária — Também descreve o arranjo anterior, aquele em que empresas de países centrais instalam fábricas em países de custo baixo. O texto fala de estratégia nacional chinesa, com recursos e pesquisadores do próprio país, e não de capital estrangeiro circulando. Troca o sujeito da ação e o período histórico.

Gabarito: A — os três indicadores do texto medem capacidade de inovar, e a passagem do "Made in China" para o "Designed in China" é a aplicação da ciência e da tecnologia à produção.

🏁 Passo 6 — Generalização e dica de prova

  • Por que só A se sustenta: C e E repõem o modelo antigo, B fala de um setor que o texto não mede e D inverte a direção do financiamento. Só A cobre os três blocos ao mesmo tempo.
  • Como o ENEM cobra isso: o deslocamento da China de "fábrica do mundo" para polo de inovação é tema recorrente. A prova costuma trazer dados de patentes, de pesquisadores ou de gasto em pesquisa e desenvolvimento e pedir a leitura geopolítica deles.
  • A regra geral: quando o comando pede o fator novo, elimine primeiro toda alternativa que descreva o modelo consagrado. A resposta está no que o texto mede, não no que ele menciona de passagem.
  • Eliminação em 30 segundos: liste os três dados numéricos — pesquisadores, orçamento de pesquisa, patentes. Pergunte qual alternativa fala dos três. Só uma fala.
  • Temas que costumam vir junto: nova divisão internacional do trabalho, tecnopolos e cidades globais, desindustrialização de países centrais, BRICS e a ascensão asiática, propriedade intelectual e disputas comerciais.

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