Pular para o conteúdo
MemorizeMemorize
Mapa de questões · 1º dia
HumanasGeografiaMédio

Questão 45ENEM 2016 Reaplicação

Em 1967, o geógrafo brasileiro Pedro Pinchas Geiger propôs uma divisão regional do país em regiões geoeconômicas ou complexos regionais. Essa divisão baseia-se no processo histórico de formação do território brasileiro, levando em conta, especialmente, os efeitos da industrialização. Dessa forma, busca-se refletir a realidade do país e compreender seus mais profundos contrastes.

Disponível em: http://educacao.uol.com.br. Acesso em: 23 ago. 2012 (adaptado).

A divisão em regiões geoeconômicas ou complexos regionais encontra-se na seguinte representação:

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Regionalização e organização do território brasileiro (geografia econômica)
  • ⚡ Nível: Médio — não exige decorar mapas, mas exige diferenciar com precisão um critério geoeconômico de um critério político-administrativo.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Regiões geoeconômicas (complexos regionais) de Pedro Pinchas Geiger — leitura de linguagem cartográfica aplicada à organização regional do Brasil.
  • 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Entre os cinco mapas, identifique aquele que representa a divisão do Brasil em três complexos regionais — Amazônia, Nordeste e Centro-Sul — proposta por Geiger em 1967."
  • Palavras-chave decisivas: regiões geoeconômicas, complexos regionais, processo histórico de formação do território (associado aos efeitos da industrialização).
  • Armadilha típica: confundir a proposta de Geiger com a divisão político-administrativa oficial do IBGE (as "5 regiões" decoradas desde cedo: Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste, Sul) — critérios diferentes, e a banca conta com essa confusão automática.
  • O que a resposta precisa demonstrar: reconhecer o mapa em que o Brasil aparece fatiado em apenas três blocos, com fronteiras internas que cortam estados, refletindo integração econômica e não uma soma de unidades federativas.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Regiões geoeconômicas (complexos regionais): recortes definidos por semelhanças históricas e econômicas — sobretudo o grau de industrialização e de integração ao mercado nacional. Não seguem obrigatoriamente fronteiras de estados.
  • Amazônia (Geiger): grande extensão, baixa densidade demográfica na época, ocupação recente ligada a ciclos extrativistas e à fronteira agropecuária/mineral; pouco integrada ao mercado industrializado.
  • Nordeste (Geiger): ocupação colonial antiga (cana-de-açúcar, pecuária, algodão), contraste entre litoral úmido e sertão semiárido, historicamente à margem dos investimentos industriais.
  • Centro-Sul (Geiger): núcleo dinâmico e industrializado (reúne o que hoje é Sudeste, Sul e parte do Centro-Oeste), concentrador de capital e população desde o café até a industrialização paulista.
  • Divisão do IBGE (contraste): classificação político-administrativa oficial, criada para fins estatísticos, que agrupa estados inteiros em 5 regiões — critério administrativo, não geoeconômico.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "propôs uma divisão regional do país em regiões geoeconômicas ou complexos regionais" → o critério declarado é econômico, não a soma burocrática de estados.
  • Evidência 2: "baseia-se no processo histórico de formação do território (...) os efeitos da industrialização" → a industrialização concentrada no Centro-Sul é o que separa esse bloco dinâmico da Amazônia (fronteira) e do Nordeste (economia tradicional).
  • Evidência 3 (figura): cada mapa-alternativa traz sua própria rosa dos ventos (N), confirmando que são cinco representações cartográficas independentes, cada uma com um traçado interno diferente dividindo o país.
  • Síntese: o mapa correto precisa mostrar exatamente três áreas contínuas — não duas, não cinco — com limites internos que atravessam estados, e não uma malha que reproduz a divisão oficial.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Reconstituindo a lógica da proposta de Geiger

Em 1967, Pedro Pinchas Geiger — geógrafo do IBGE — propôs, para fins de análise regional, abandonar a simples soma de estados e adotar um critério de complexos regionais: territórios que compartilham trajetória histórica de ocupação e grau semelhante de integração à economia industrial que se consolidava no país. O resultado é uma tripartição do Brasil, não uma divisão em cinco partes.

Subpasso 4.2 — Caracterizando os três complexos e localizando-os no mapa

  • Amazônia: norte e parte do centro-oeste, com fronteira avançando sobre o oeste do Mato Grosso e parte do Maranhão — reflexo da frente de povoamento, não das divisas estaduais.
  • Nordeste: o "bico" litorâneo e o sertão semiárido, mantendo a Bahia integrada ao bloco (e não separada num "Leste", como em classificações mais antigas).
  • Centro-Sul: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, os estados do Sul e a porção leste do Centro-Oeste — o núcleo urbano-industrial que justifica o critério de "efeitos da industrialização" citado no enunciado.

Subpasso 4.3 — Verificação: cruzando o modelo com os mapas

Comparando essa descrição com as cinco representações cartográficas, apenas uma exibe exatamente três blocos contínuos, com uma linha interna que sai do litoral nordestino, desce ao interior e separa o Nordeste tanto da Amazônia quanto do Centro-Sul, sem reproduzir contorno de divisão administrativa oficial. É o mapa da alternativa B — a única compatível, ponto a ponto, com o texto-base.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) Mapa com apenas duas áreas: o Nordeste isolado do restante do território (Amazônia e Centro-Sul aparecem unidos, sem separação entre si)

❌ Incorreta: reduz a proposta de Geiger a uma dicotomia (Nordeste x "resto do país"). O texto fala em complexos regionais (plural), e o modelo consolidado sempre trata de três blocos — faltar a fronteira entre Amazônia e Centro-Sul descaracteriza a proposta.

B) Mapa com três blocos contínuos — Amazônia, Nordeste e Centro-Sul — com limites internos que atravessam fronteiras estaduais

✅ Correta: é a única representação que reproduz fielmente a tripartição geoeconômica de Geiger, com traçado histórico-econômico (e não administrativo) separando as três regiões.

C) Mapa que reproduz a divisão político-administrativa oficial do IBGE em cinco regiões (Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste, Sul)

❌ Incorreta: é a armadilha do Passo 1 — essa divisão agrupa estados inteiros para fins estatísticos/administrativos, critério distinto do geoeconômico de Geiger, ainda que os nomes soem familiares.

D) Mapa que separa uma faixa litorânea a leste (tipo "Leste") do restante do Centro-Sul, fragmentando esse bloco em duas porções

❌ Incorreta: reproduz lógica próxima às antigas divisões do IBGE anteriores à reforma de 1969/1970 (que previam uma região "Leste"), fragmentando o Centro-Sul justamente onde Geiger o mantém unido pelo critério da industrialização.

E) Mapa dividido segundo critérios físico-naturais (bacias hidrográficas ou domínios de vegetação/relevo)

❌ Incorreta: ignora o critério histórico-econômico exigido pelo enunciado ("processo histórico de formação do território" e "efeitos da industrialização"); regionalização natural não corresponde a complexo geoeconômico.

🏆 Gabarito: B — é o único mapa que representa o Brasil dividido em exatamente três complexos regionais (Amazônia, Nordeste e Centro-Sul), com fronteiras internas que seguem a lógica histórico-econômica proposta por Geiger, e não os limites de estados nem critérios administrativos ou físico-naturais.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só a alternativa B reúne as três exigências do texto-base ao mesmo tempo — número certo de regiões (três), critério certo (histórico-econômico) e traçado certo (atravessando estados, não os respeitando).
  • Padrão de cobrança: o ENEM cobra esse tema contrapondo a divisão geoeconômica (Geiger) à divisão político-administrativa (IBGE), pedindo que o candidato identifique qual critério está por trás de um texto ou mapa.
  • Generalização: sempre que a questão citar "regiões geoeconômicas", "complexos regionais" ou Geiger, desconfie de qualquer mapa que reproduza fielmente as 5 regiões oficiais do IBGE — são conceitos concorrentes, não sinônimos.
  • Dica de eliminação rápida: conte os blocos do mapa. Cinco blocos coincidindo com estados = IBGE, elimine; apenas 1 linha isolando uma única região = dicotomia incompleta, elimine; sobra o mapa de 3 blocos com fronteiras "tortas" em relação aos estados.
  • Conexões: revise também a divisão do IBGE em 5 regiões (1970) e a regionalização de Milton Santos (região concentrada, Nordeste, Amazônia, Centro-Oeste), temas que aparecem juntos em questões sobre organização do território brasileiro.

Comunidade Memorize · Grátis

Não perca nenhuma live, aula ou material.

Entre na comunidade do WhatsApp e receba os avisos de tudo que a equipe Memorize lança de graça — direto no seu celular.