Mapa de questões · 1º dia
Questão 5 — ENEM 2016 Reaplicação

Disponível em: http://portaldoprofessor.mec.gov.br. Acesso em: 12 ago. 2012. $ SURMHomR FDUWRJUi¿FD GR PDSD FRQ¿JXUDVH FRPR hegemônica desde a sua elaboração, no século XVI. A sua principal contribuição inovadora foi a
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Cartografia (projeções cartográficas)
- ⚡ Nível: Médio — exige reconhecer visualmente a projeção de Mercator e saber qual foi sua contribuição técnica original, não apenas seu nome.
- 🎯 Tema/Habilidade: Projeções cartográficas e suas propriedades geométricas (competência de área 6 do ENEM — representação espacial dos fenômenos geográficos).
- 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual foi a inovação técnica que tornou essa projeção cartográfica hegemônica desde o século XVI?"
- Palavras-chave decisivas: hegemônica, desde o século XVI, contribuição inovadora
- Armadilha típica: confundir "hegemônica" e "amplamente usada" com "mais fiel à realidade" — o aluno pode marcar a alternativa B (manutenção da proporção real das áreas), pensando que sucesso histórico significa precisão geométrica. Na verdade, a projeção do mapa é notória justamente por distorcer as áreas, não por preservá-las.
- O que a resposta precisa demonstrar: domínio da diferença entre as propriedades de uma projeção cilíndrica (conformidade angular) e as de outras projeções (equivalência de áreas), associando essa propriedade à razão histórica de sua adoção maciça pela navegação.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Projeções cartográficas: métodos matemáticos que transferem a superfície curva da Terra (um elipsoide) para um plano (o mapa). Toda projeção sacrifica alguma propriedade — forma, área, distância ou direção — para preservar outra. Não existe projeção perfeita.
- Projeção cilíndrica (tipo Mercator): projeta a superfície terrestre sobre um cilindro tangente ao equador, depois "desenrolado" em um retângulo. O resultado é uma malha de meridianos e paralelos representados como linhas retas, paralelas entre si e perpendiculares umas às outras.
- Projeção conforme (ortomorfa): preserva os ângulos e a forma local dos objetos, mas distorce fortemente as áreas nas altas latitudes (por isso a Groenlândia aparece do tamanho da África, quando na realidade é cerca de 14 vezes menor).
- Loxodromia (linha de rumo): trajetória que corta todos os meridianos com o mesmo ângulo constante. Em uma malha de retas perpendiculares, essa linha de rumo se transforma em uma reta no mapa, algo essencial para a navegação com bússola nos séculos XVI a XVIII.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
A imagem que acompanha a questão mostra um planisfério com malha retangular regular: meridianos como retas verticais equidistantes e paralelos como retas horizontais, cruzando-se sempre em ângulo de 90°. Além disso, o mapa exibe a característica marca registrada dessa projeção — a Groenlândia com dimensões visivelmente exageradas, quase do tamanho da América do Sul, e a Antártida "esticada" ao longo de toda a base do mapa. Essa combinação (grade ortogonal + megaescala polar) identifica, sem ambiguidade, a projeção de Mercator, criada em 1569.
- Evidência 1: "malha de linhas retas verticais e horizontais que se cruzam em ângulo reto" → indica projeção cilíndrica, na qual meridianos e paralelos formam sempre ângulos de 90° entre si.
- Evidência 2: "Groenlândia desproporcionalmente grande e Antártida alongada na base do mapa" → efeito colateral inevitável de preservar os ângulos: quanto mais próximo dos polos, maior a distorção de área.
- Síntese: a imagem não mostra um mapa "fiel às áreas reais"; mostra um mapa fiel aos ângulos, construído sobre uma grade retangular regular. É exatamente essa regularidade angular — paralelos e meridianos se cruzando sempre no mesmo ângulo — que caracteriza a inovação da projeção de Mercator.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar a projeção representada
A imagem mostra uma grade cartográfica perfeitamente retangular: todos os meridianos são retas paralelas verticais e todos os paralelos são retas paralelas horizontais, cruzando-se em ângulos de 90°. Esse é o traço definidor da projeção cilíndrica de Mercator, publicada por Gerardus Mercator em 1569 e utilizada até hoje (inclusive em variantes digitais, como a projeção usada por diversos serviços de mapas online).
Subpasso 4.2 — Entender por que ela se tornou hegemônica
Antes de Mercator, os navegadores tinham dificuldade em traçar rotas de rumo constante sobre um mapa, porque, em projeções não cilíndricas, uma linha de rumo constante (loxodromia) aparecia como uma curva. A genialidade matemática de Mercator foi construir uma projeção conforme, na qual os ângulos são preservados localmente em qualquer ponto do mapa. Consequência direta: qualquer reta traçada sobre o mapa corresponde a uma rota de rumo (ângulo) constante em relação à bússola. Isso permitia ao navegador simplesmente traçar uma linha reta entre o ponto de partida e o destino e seguir aquele rumo fixo durante toda a viagem — uma ferramenta de navegação extremamente prática para a época das Grandes Navegações e da expansão marítima europeia.
Subpasso 4.3 — Verificação
Confrontando com as alternativas: a inovação não foi reduzir terras do norte (isso seria o oposto do que ocorre — as terras polares ficam ampliadas), não foi manter proporção real de áreas (justamente o contrário: distorce áreas para preservar ângulos), não foi repetir técnicas medievais (era uma ruptura matemática nova) e não foi "valorizar" continentes recém-descobertos (é um efeito colateral, não o objetivo técnico). A única alternativa que descreve corretamente a inovação matemática — uma grade em que paralelos e meridianos se cruzam sempre no mesmo ângulo (90°, ângulos constantes) — é a alternativa E.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) redução comparativa das terras setentrionais.
❌ Incorreta: é o inverso do que a projeção de Mercator provoca. As terras de latitudes elevadas (setentrionais e meridionais, como Groenlândia, Canadá, Rússia e Antártida) aparecem ampliadas, não reduzidas, em relação às áreas equatoriais.
B) manutenção da proporção real das áreas representadas.
❌ Incorreta: essa é justamente a propriedade que a projeção de Mercator sacrifica. Projeções que preservam a proporção real de área são chamadas de equivalentes (como a projeção de Peters), e são estruturalmente diferentes da Mercator, que prioriza a conformidade angular em detrimento da equivalência de áreas.
C) consolidação das técnicas utilizadas nas cartas medievais.
❌ Incorreta: as cartas medievais (como os mapas T-O ou os portulanos) não utilizavam uma malha matemática de meridianos e paralelos ortogonais. A projeção de Mercator representa uma ruptura científica renascentista, fundamentada em cálculos trigonométricos, e não uma continuidade das técnicas anteriores.
D) valorização dos continentes recém-descobertos pelas Grandes Navegações.
❌ Incorreta: a projeção não foi criada com o objetivo político ou ideológico de destacar territórios recém-descobertos; sua motivação era estritamente técnico-náutica (facilitar o traçado de rotas de rumo constante). A distorção de tamanhos é consequência matemática do método, não uma intenção de valorização.
E) adoção de um plano em que os paralelos fazem ângulos constantes com os meridianos.
✅ Correta: essa é exatamente a propriedade estrutural da projeção cilíndrica de Mercator, visível na imagem pela malha retangular regular. Ao manter paralelos e meridianos sempre se cruzando no mesmo ângulo (90°), a projeção garante a conformidade angular que permite traçar linhas de rumo constante como retas — a inovação que tornou o mapa indispensável à navegação marítima e, por isso, hegemônico desde o século XVI.
🏆 Gabarito: E — a inovação de Mercator foi geométrica e funcional: uma grade em que meridianos e paralelos se cruzam sempre em ângulos constantes, permitindo representar rotas de rumo fixo como linhas retas, o que consolidou seu uso na navegação e sua hegemonia histórica.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa E descreve a propriedade matemática real da projeção (conformidade angular via grade ortogonal constante); todas as demais alternativas descrevem efeitos colaterais, negações da propriedade real ou motivações que não correspondem à razão técnica da sua criação.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente cobra a leitura crítica de projeções cartográficas, especialmente a comparação entre Mercator (conforme, distorce área) e projeções equivalentes como Peters/Gall-Peters (preserva área, distorce forma), sempre associando a escolha da projeção a um interesse — náutico, político ou ideológico.
- Generalização: toda projeção cartográfica é uma escolha de compromisso — o que se ganha em uma propriedade (ângulo, área, distância ou direção) se perde em outra. Ao identificar qual propriedade é preservada, você deduz automaticamente qual é distorcida.
- Dica de eliminação rápida: ao ver uma grade retangular perfeita com Groenlândia gigante, pense imediatamente "Mercator = conformidade angular, distorce área". Isso já elimina de cara qualquer alternativa que fale em "proporção real de áreas" (como a B) e qualquer alternativa que fale em "redução" de terras polares (como a A).
- Conexões: compare esta questão com discussões sobre a projeção de Peters (usada por movimentos que criticam o "eurocentrismo cartográfico" da Mercator) e com o conceito de loxodromia versus ortodromia (rota mais curta), temas frequentes em questões de Geografia sobre cartografia e navegação.
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