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HumanasHistóriaMédio

Questão 38ENEM 2016 Reaplicação

“Precauções que aconselhamos à Sua Alteza, o Sr. Conde D’Eu, quando tiver de visitar escolas. Se Sua Alteza imitasse o seu augusto sogro, Dom Pedro II, não teria nunca ocasião de contestar fatos históricos”.

AGOSTINI, A. Revista Illustrada, n. 309, 29 jul. 1882 (adaptado).

Segundo a charge, os últimos anos da Monarquia foram marcados por

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: História → Crise do Segundo Reinado e imprensa ilustrada do século XIX
  • ⚡ Nível: Médio — exige combinar a leitura de uma charge (linguagem verbal + iconográfica) com o contexto histórico da crise final do Império
  • 🎯 Tema/Habilidade: O papel da imprensa satírica no desgaste da legitimidade monárquica; competência de interpretar fontes iconográficas do século XIX articulando texto e imagem
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "O que a charge revela sobre o clima político vivido pela Monarquia em seus últimos anos?"
  • Palavras-chave decisivas: "aconselhamos" (ironia), "contestar fatos históricos", Revista Illustrada
  • Armadilha típica: confundir a sátira jornalística com uma revolta popular organizada (alternativa C) ou interpretar o texto como um elogio ao Conde D'Eu, quando na verdade ele é ridicularizado (alternativas B e E).
  • O que a resposta precisa demonstrar: identificar que a fonte é um produto de imprensa de oposição que ironiza a família imperial, evidenciando o enfraquecimento da imagem pública da Coroa.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Crise do Segundo Reinado (1870-1889): após a Guerra do Paraguai, o Império entra em desgaste progressivo, pressionado pela Questão Religiosa, pela Questão Militar, pelo abolicionismo e pelo avanço do ideário republicano.
  • Imprensa ilustrada e charge política: periódicos como a Revista Illustrada, fundada por Angelo Agostini em 1876, usavam caricaturas para criticar o governo imperial, funcionando como instrumento de oposição republicana e abolicionista.
  • Conde D'Eu: o francês Gastão de Orleans, genro de Dom Pedro II e marido da princesa Isabel, era figura impopular, alvo constante de caricaturas por conduta considerada arrogante e por ser estrangeiro, num contexto de nacionalismo republicano crescente.
  • Erosão da legitimidade monárquica: a multiplicação de charges e críticas na imprensa expressava — e alimentava — o desgaste da imagem da Coroa perante a opinião pública, fator que contribuiu para a Proclamação da República em 1889.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "Precauções que aconselhamos à Sua Alteza..." → tom de "conselho" propositalmente irônico, marca registrada da imprensa satírica, sinalizando crítica disfarçada de gentileza.
  • Evidência 2: "não teria nunca ocasião de contestar fatos históricos" → alusão a um episódio real em que o Conde D'Eu, durante visita a uma escola, corrigiu erroneamente um aluno sobre um fato histórico e foi publicamente ridicularizado pela imprensa.
  • Evidência iconográfica: a postura rígida e destacada do Conde D'Eu contrasta com a figura sentada e alheia de Dom Pedro II e com os funcionários à mesa, que exibem semblante de riso disfarçado — a composição gráfica reforça o deboche da cena.
  • Síntese: texto irônico e imagem satírica, publicados numa revista de oposição, formam um conjunto que expõe publicamente a fragilidade e o ridículo de uma figura ligada à Coroa, evidenciando como a imprensa questionava a competência e a legitimidade da família imperial nos anos finais do Império.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o veículo e o gênero textual

A fonte é a Revista Illustrada, nº 309, de 29 de julho de 1882, periódico fundado por Angelo Agostini e conhecido por charges de crítica política contundente, alinhado às causas republicana e abolicionista. Reconhecer isso já orienta a leitura: trata-se de imprensa de oposição ao governo imperial, e não de um órgão oficial, neutro ou favorável à Coroa.

Subpasso 4.2 — Interpretar o conteúdo da charge

O texto verbal "aconselha" o Conde D'Eu a imitar Dom Pedro II para não repetir o vexame de "contestar fatos históricos" — referência direta à gafe pública do genro do imperador numa visita escolar. A imagem reforça essa zombaria: o Conde aparece afetado e em destaque, enquanto Dom Pedro II está sentado e desatento e os funcionários à mesa sorriem, sugerindo deboche diante da cena.

Subpasso 4.3 — Contextualizar e verificar

Esse ataque não era episódio isolado: ao longo da década de 1880 a imprensa ilustrada multiplicou críticas à família imperial, explorando o distanciamento de Dom Pedro II (viagens ao exterior), a impopularidade do genro estrangeiro e a hesitação do governo diante de pautas urgentes, como a abolição e a reforma política. Esse bombardeio midiático corroeu a imagem da Coroa e alimentou o avanço republicano, que culminaria na Proclamação da República em 1889. A charge é, portanto, evidência direta de como a imprensa, pela ironia e pela caricatura, colocava em dúvida a continuidade do regime monárquico — confirmando a alternativa D.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) debates promovidos em espaços públicos, contando com a presença da família real.

❌ Incorreta: a charge não retrata um debate público formal e simétrico com a presença da família real; é uma crítica unilateral veiculada pela imprensa, dirigida a um único integrante da Coroa, sem contraditório.

B) atividades intensas realizadas pelo Conde D'Eu, numa tentativa de salvar o regime monárquico.

❌ Incorreta: inverte o sentido da charge. O Conde D'Eu não é retratado como agente empenhado em salvar a Monarquia, mas como alvo de zombaria por sua conduta desastrada; não há qualquer indício de esforço político seu em defesa do regime.

C) revoltas populares em escolas, com o intuito de destituir o monarca do poder e coroar o seu genro.

❌ Incorreta: não há revolta popular organizada ou movimento de destituição na cena; trata-se de uma visita escolar comum, satirizada por meio de crítica jornalística, e não de um levante político armado.

D) críticas oriundas principalmente da imprensa, colocando em dúvida a continuidade do regime político.

✅ Correta: é exatamente o que a charge documenta — uma publicação de imprensa de oposição (a Revista Illustrada) ironizando a família imperial, prática recorrente que expressava e reforçava o desgaste da legitimidade monárquica nos anos finais do Império.

E) dúvidas em torno da validade das medidas tomadas pelo imperador, fazendo com que o Conde D'Eu assumisse o governo.

❌ Incorreta: não há qualquer indicação de que o Conde D'Eu tenha assumido o governo; ao contrário, ele é ridicularizado por sua inaptidão, o oposto de alguém sendo elevado à condução do Estado.

🏆 Gabarito: D — a charge, publicada por um periódico de oposição, ironiza a família imperial e evidencia como a imprensa, nos anos finais do Império, questionava publicamente a competência da Coroa, colocando em dúvida a continuidade do regime monárquico.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: D é a única alternativa que capta o papel estrutural da imprensa satírica — evidenciado pela própria fonte, a Revista Illustrada — na crise de legitimidade da Monarquia brasileira.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente usa charges e caricaturas do século XIX (Revista Illustrada, O Mequetrefe, entre outras) como fonte primária para avaliar a crise do Segundo Reinado e a ascensão do ideário republicano.
  • Generalização: diante de uma charge de imprensa de oposição, identifique sempre quem é o alvo da crítica e qual mensagem política a ironia carrega — raramente se trata de elogio disfarçado.
  • Dica de eliminação rápida: descarte alternativas que descrevem ação popular armada (revolta, destituição) quando a fonte é apenas texto/imagem de jornal, e desconfie de alternativas que atribuem poder ou protagonismo positivo à figura satirizada.
  • Conexões: Proclamação da República (1889); tensões entre Igreja, Exército e Coroa nas décadas de 1870-1880; papel da imprensa abolicionista e republicana (Angelo Agostini, José do Patrocínio).

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