Mapa de questões · 1º dia
Questão 21 — ENEM 2016 Reaplicação
Lado ocupado pelo motorista em um automóvel

Disponível em: http://topgiral.com. Acesso em: 14 jun. 2014 (adaptado).
A interpretação da imagem demonstra que a distribuição de países onde se dirige do lado direito coincide, em grande parte, com a zona de influência ou dominação exercida pela
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Geopolítica e legado do colonialismo europeu
- ⚡ Nível: Médio — exige cruzar um padrão espacial incomum (lado de direção dos automóveis) com um processo histórico-geográfico amplo (expansão do Império Britânico)
- 🎯 Tema/Habilidade: Zonas de influência geopolítica construídas pelo colonialismo; leitura e interpretação de mapas temáticos (competência de análise cartográfica aplicada à geopolítica)
- 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Que potência colonial deixou uma marca territorial que explica por que certos países dirigem pelo lado esquerdo da via (motorista sentado à direita do veículo)?"
- Palavras-chave decisivas: distribuição de países, zona de influência ou dominação, grande parte
- Armadilha típica: associar o mapa a características físicas (clima, relevo) ou a proximidade geográfica entre os países destacados, ignorando que a lógica do mapa é histórico-política, não física
- O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de reconhecer, num mapa-múndi sem legendas de países, o contorno aproximado de um antigo império colonial e associá-lo à sua herança institucional (nesse caso, o sentido de direção do tráfego)
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Colonialismo britânico (Império Britânico): entre os séculos XVII e XX, o Reino Unido controlou territórios em todos os continentes — Índia, grande parte da África Oriental e Austral, Austrália, Nova Zelândia, partes do Sudeste Asiático, ilhas do Caribe e da América do Sul (como a Guiana) — formando o maior império colonial da história.
- Legado institucional do colonialismo: para além de fronteiras e línguas, as metrópoles europeias exportaram normas técnicas e administrativas aos territórios dominados — sistema jurídico, ferrovias, unidades de medida e também o sentido do tráfego viário.
- Mão de direção veicular como marcador geopolítico: o hábito de dirigir pela esquerda (motorista do lado direito do carro) foi consolidado no Reino Unido e exportado para suas colônias; após a independência, a maioria desses países manteve o padrão por inércia institucional, tornando-o um "fóssil" geográfico do domínio britânico.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1 (mapa): as áreas escuras ("Motoristas à direita", ou seja, países onde se dirige pela esquerda) formam um conjunto disperso, porém característico: Reino Unido e Irlanda, África do Sul e vizinhos, Índia, Sudeste Asiático insular, Austrália, Nova Zelândia, Japão e um ponto isolado na América do Sul → esse conjunto não é aleatório nem definido por proximidade física — ele desenha o antigo mapa do Império Britânico e de sua esfera de influência.
- Evidência 2 (enunciado): "coincide, em grande parte, com a zona de influência ou dominação exercida pela" → o próprio texto avisa que a resposta é uma potência histórica com "zona de influência ou dominação", ou seja, um antigo império colonial, não um país qualquer.
- Síntese: o exercício pede que o estudante reconheça, no recorte espacial do mapa, a "assinatura" territorial de um império colonial específico. Como o padrão gráfico corresponde ao contorno do antigo Império Britânico e da Commonwealth, a resposta aponta diretamente para a Inglaterra (Reino Unido).
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o que o mapa realmente representa
A legenda mostra duas categorias: "Motoristas à direita" (em preto) — países em que o motorista senta do lado direito do carro e, portanto, dirige pela esquerda da via — e "Motoristas à esquerda" (em cinza) — maioria absoluta dos países, que dirige pela direita da via. O mapa não trata de relevo, clima ou economia: é puramente institucional, uma convenção de trânsito herdada historicamente.
Subpasso 4.2 — Levantar quais países aparecem destacados e o que eles têm em comum
Observando a mancha escura: Reino Unido e Irlanda (núcleo do Império), África do Sul e países vizinhos do sul da África, Índia (joia da coroa britânica), Sri Lanka, Malásia, Singapura, partes da Indonésia, Austrália, Nova Zelândia, Japão (que, apesar de nunca colonizado, recebeu forte influência técnica britânica na construção de suas ferrovias no século XIX) e um pequeno território na costa norte da América do Sul (Guiana, antiga Guiana Britânica). Esse não é um agrupamento por continente ou por clima — é um agrupamento por trajetória histórica comum: todos foram, em algum momento, colônias, protetorados ou áreas de forte influência britânica.
Subpasso 4.3 — Verificação: comparar com o padrão histórico do Império Britânico
O mapa do Império Britânico no auge (início do século XX) — "o império em que o sol nunca se punha" — cobria exatamente essas regiões: América do Norte (parcialmente), Caribe, Guianas, África Ocidental, Oriental e Austral, Oriente Médio, subcontinente indiano, Sudeste Asiático e Oceania. Ao sobrepor mentalmente esse mapa histórico ao mapa da questão, a coincidência é evidente: a distribuição de "motoristas à direita" reproduz, em grande parte, a antiga geografia da dominação britânica. Isso confirma que a resposta correta é a Inglaterra (Reino Unido), alternativa C.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) Índia.
❌ Incorreta: a Índia é justamente um dos países que compõem o mapa (dirige pela esquerda), mas ela é objeto do domínio britânico, não a potência que exerceu a dominação. A Índia nunca teve colônias que explicassem o padrão global mostrado no mapa; pelo contrário, ela própria herdou o padrão de tráfego do colonizador.
B) Austrália.
❌ Incorreta: mesmo raciocínio da Índia — a Austrália aparece destacada no mapa como território colonizado pelos britânicos (colônia penal britânica a partir de 1788), e não como potência colonizadora capaz de gerar uma "zona de influência" sobre outros continentes.
C) Inglaterra.
✅ Correta: a Inglaterra (como núcleo do Reino Unido) foi a metrópole do maior império colonial da história moderna. O padrão de tráfego pela esquerda foi originado no Reino Unido e exportado, via colonização direta, protetorados e influência técnica, para praticamente todos os territórios destacados em preto no mapa — Índia, África Austral e Oriental, Sudeste Asiático, Oceania e Guiana. É a única alternativa que representa uma potência histórica com capacidade de gerar essa "zona de influência ou dominação" espalhada por múltiplos continentes.
D) Indonésia.
❌ Incorreta: a Indonésia também aparece como território que dirige pela esquerda, herança da colonização holandesa (que, aliás, adotou o padrão à esquerda por influência regional/britânica). Mas a Indonésia nunca foi uma potência colonial global — ela não exerceu dominação sobre os demais países destacados no mapa.
E) África do Sul.
❌ Incorreta: a África do Sul é, ela mesma, uma ex-colônia britânica (e também neerlandesa, com os bôeres) e está entre os países pintados de preto no mapa por ter recebido a influência do Reino Unido — não é a potência de origem desse padrão de dominação.
🏆 Gabarito: C — o padrão espacial dos países que dirigem pela esquerda reproduz, em grande parte, o contorno histórico do Império Britânico, tornando a Inglaterra a única alternativa que representa efetivamente a potência colonizadora, e não um dos territórios colonizados.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas a Inglaterra, entre as cinco alternativas, corresponde a uma potência colonial capaz de ter gerado uma "zona de influência" sobre múltiplos continentes; as demais opções (Índia, Austrália, Indonésia, África do Sul) são territórios que sofreram essa influência, não que a exerceram.
- Padrão de cobrança: o ENEM frequentemente usa mapas temáticos "inusitados" (lado de direção, fusos horários, distribuição de línguas, moedas, sistemas de medida) como pretexto para testar se o estudante reconhece heranças do colonialismo europeu na organização espacial do mundo atual.
- Generalização: sempre que um mapa mostrar um conjunto de países geograficamente dispersos, mas ligados por uma mesma característica institucional (idioma oficial, sistema de condução, moeda, sistema jurídico), a explicação quase sempre está no passado colonial comum desses territórios, e não em fatores físicos ou de proximidade.
- Dica de eliminação rápida: primeiro, identifique se as alternativas listam "colonizadores" ou "colonizados". Nesta questão, quatro das cinco opções (Índia, Austrália, Indonésia, África do Sul) aparecem literalmente destacadas dentro do próprio mapa como territórios dominados — logo, não podem ser a resposta, pois a pergunta busca quem exerceu a dominação, e não quem foi dominado. Isso elimina 80% das alternativas em segundos.
- Conexões: compare com temas como a distribuição da língua inglesa e da Commonwealth britânica, e com o legado de outros impérios coloniais (francês, espanhol, português) na organização de fronteiras, idiomas e infraestrutura dos países atuais.
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