Mapa de questões · 1º dia
Questão 46 — ENEM 2016 Reaplicação
O eletrocardiograma, exame utilizado para avaliar o estado do coração de um paciente, trata-se do registro da atividade elétrica do coração ao longo de um certo intervalo de tempo. A figura representa o eletrocardiograma de um paciente adulto, descansado, não fumante, em um ambiente com temperatura agradável. Nessas condições, é considerado normal um ritmo cardíaco entre 60 e 100 batimentos por minuto.

Com base no eletrocardiograma apresentado, identifica-se que a frequência cardíaca do paciente é
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Fisiologia do sistema cardiovascular (eletrocardiograma) e leitura/interpretação de gráficos
- ⚡ Nível: Médio — exige extrair um dado quantitativo de um gráfico técnico (ECG) e convertê-lo em frequência cardíaca por meio de uma regra de três simples
- 🎯 Tema/Habilidade: Interpretação de dados biológicos representados em gráficos — compreensão de fenômenos relacionados à saúde humana (fisiologia cardíaca)
- 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "A partir do traçado do eletrocardiograma exibido, estime a frequência cardíaca do paciente e classifique-a em relação à faixa considerada normal (60 a 100 bpm)."
- Palavras-chave decisivas: frequência cardíaca, entre 60 e 100 batimentos por minuto, eletrocardiograma
- Armadilha típica: olhar para o gráfico "no chute" (achar que tem muitas ondas, logo é rápido) em vez de efetivamente contar o intervalo de tempo entre batimentos e converter esse valor para batimentos por minuto — isso leva a confundir "abaixo do valor ideal" com "próxima do limite inferior", que são coisas diferentes.
- O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de ler o eixo do tempo do gráfico, calcular o intervalo entre batimentos consecutivos, transformar esse intervalo em uma frequência (bpm) e comparar esse número com o intervalo de referência 60–100 bpm dado no próprio enunciado.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Eletrocardiograma (ECG): registro gráfico da atividade elétrica do coração, representado como tensão (mV) em função do tempo (s).
- Complexo P-QRS-T: a onda P corresponde à contração dos átrios; o complexo QRS, o pico estreito e mais alto do traçado, corresponde à contração dos ventrículos; a onda T corresponde ao relaxamento ventricular. O pico R é o ponto mais fácil de identificar, por isso é usado como marcador de cada batimento.
- Frequência cardíaca (FC): número de ciclos cardíacos completos por minuto — no ECG, equivale ao número de complexos QRS (picos R) em 60 segundos, ou pode ser obtida a partir do intervalo de tempo entre dois picos R consecutivos (intervalo R-R).
- Faixa de normalidade e desvios: em repouso, um adulto saudável tem FC entre 60 e 100 bpm (valor dado no enunciado). Abaixo de 60 bpm, bradicardia; acima de 100 bpm, taquicardia.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "paciente adulto, descansado, não fumante, em ambiente com temperatura agradável" → situação controlada de repouso, sem fatores (exercício, nicotina, calor extremo) que artificialmente elevariam a frequência cardíaca — o valor lido no gráfico reflete o estado basal real do paciente.
- Evidência 2: "é considerado normal um ritmo cardíaco entre 60 e 100 batimentos por minuto" → fornece explicitamente o intervalo de referência que será comparado ao valor calculado a partir do gráfico — é a régua que decide a alternativa.
- Evidência 3 (gráfico): o traçado exibe eixo vertical em tensão (mV), eixo horizontal em tempo (s) e uma malha quadriculada regular; ao longo do traçado aparecem três complexos QRS (três picos altos e estreitos), com espaçamento perceptivelmente largo entre eles.
- Síntese: a tarefa é converter a distância entre os picos R no eixo do tempo em um número de batimentos por minuto e posicionar esse número dentro, acima ou abaixo da faixa 60–100 bpm.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o marcador de cada batimento
No traçado, o evento elétrico de maior amplitude é o complexo QRS (o pico agudo que sobe e desce rapidamente). Cada pico R representa um batimento cardíaco completo. No gráfico da questão, contam-se 3 complexos QRS ao longo de toda a janela de tempo mostrada.
Subpasso 4.2 — Medir o intervalo de tempo no eixo horizontal
A grade do gráfico funciona como régua: os quadrados maiores (contorno mais espesso) dividem o eixo do tempo em unidades regulares, cada uma subdividida em quadrados menores — o mesmo princípio do papel de ECG. Contando essas divisões do início ao fim do traçado exibido, os 3 batimentos estão distribuídos ao longo de aproximadamente 6 segundos de registro, o que corresponde a um intervalo entre um pico R e o seguinte (intervalo R-R) de aproximadamente 2 segundos.
Subpasso 4.3 — Converter o intervalo em frequência cardíaca
Usando uma regra de três simples, com base nos 3 batimentos observados em 6 segundos:
3 batimentos ––– 6 segundos
X batimentos ––– 60 segundos
X = (3 × 60) ÷ 6 = 30 bpm
De forma equivalente, a partir do intervalo R-R:
FC = 60 s ÷ intervalo R-R(s) = 60 ÷ 2 ≈ 30 bpm
Subpasso 4.4 — Verificação
Comparando o resultado (≈ 30 bpm) com a faixa normal fornecida no enunciado (60–100 bpm): 30 bpm equivale a praticamente metade do limite inferior (60 bpm). Não se trata de um valor "próximo" do limite inferior (o que exigiria algo como 55–59 bpm) nem de um valor dentro da faixa — é um valor claramente inferior a toda a faixa de normalidade, compatível com um quadro de bradicardia.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) normal.
❌ Incorreta: para ser considerada normal, a frequência cardíaca do paciente precisaria estar entre 60 e 100 bpm, o que exigiria um intervalo entre batimentos de no máximo 1 segundo (60 bpm) a 0,6 segundo (100 bpm). O traçado mostra um intervalo R-R de cerca de 2 segundos, bem maior que isso, o que já descarta a normalidade.
B) acima do valor ideal.
❌ Incorreta: essa alternativa descreveria taquicardia (FC > 100 bpm), situação que exigiria complexos QRS muito próximos uns dos outros no eixo do tempo (intervalo R-R menor que 0,6 s). O gráfico mostra exatamente o padrão oposto — batimentos espaçados, e não comprimidos.
C) abaixo do valor ideal.
✅ Correta: o traçado apresenta poucos complexos QRS por unidade de tempo (intervalo R-R de aproximadamente 2 segundos), resultando em uma frequência cardíaca estimada de ≈ 30 bpm — valor nitidamente inferior ao piso de 60 bpm estabelecido no enunciado, caracterizando bradicardia.
D) próxima do limite inferior.
❌ Incorreta: "próxima do limite inferior" descreveria um valor rente aos 60 bpm, como 55 a 59 bpm — um paciente levemente fora da faixa. O valor lido no gráfico (≈ 30 bpm) está a quase o dobro de distância do limite inferior, o que é muito mais que "próximo": é francamente abaixo da faixa.
E) próxima do limite superior.
❌ Incorreta: essa alternativa sugeriria uma frequência perto de 100 bpm (por exemplo, 90 a 99 bpm), o que exigiria batimentos muito mais frequentes do que os observados. O traçado mostra o padrão inverso: batimentos espaçados, característicos de frequência baixa, não alta.
🏆 Gabarito: C — o intervalo entre os complexos QRS no traçado indica uma frequência cardíaca de aproximadamente 30 bpm, valor claramente inferior à faixa normal de 60–100 bpm fornecida no enunciado.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: como o intervalo entre batimentos no traçado é de aproximadamente 2 segundos, a frequência cardíaca calculada (≈ 30 bpm) fica muito abaixo do piso de 60 bpm dado no enunciado, tornando a alternativa C a única compatível com os dados do gráfico.
- Padrão de cobrança: o ENEM costuma cobrar leitura de gráficos biológicos (ECG, eletroencefalograma, espirometria, curvas de crescimento populacional) pedindo que o estudante extraia um dado numérico do gráfico e o compare a um valor de referência dado no texto — raramente exige cálculo complexo, mas sim atenção aos eixos e à escala.
- Generalização: sempre que a questão fornecer um intervalo de referência (aqui, 60–100 bpm) junto de um gráfico periódico, a resposta depende de transformar o padrão gráfico em um número comparável — geralmente por uma regra de três simples entre "eventos" e "tempo".
- Dica de eliminação rápida: observe se os picos do gráfico estão "espremidos" (alta frequência — elimine as opções de valor baixo) ou "espaçados" (baixa frequência — elimine as de valor alto ou normal). Isso já corta as alternativas plausíveis pela metade em segundos.
- Conexões: o mesmo raciocínio de "intervalo entre eventos periódicos → frequência" aparece em eletroencefalograma (ondas cerebrais), espirometria (frequência respiratória) e qualquer gráfico de evento cíclico versus tempo.
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