Mapa de questões · 1º dia
Questão 26 — ENEM 2016 Reaplicação

THAVES. Jornal do Brasil, 19 fev. 1997 (adaptado).
A forma de organização interna da indústria citada gera a seguinte consequência para a mão de obra nela inserida:
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Sociologia → Sociologia do Trabalho (taylorismo/fordismo, divisão do trabalho e alienação)
- ⚡ Nível: Médio — a questão exige decodificar o humor de uma tirinha e traduzi-lo em um conceito sociológico preciso, não bastando apenas "entender a piada".
- 🎯 Tema/Habilidade: Consequências da fragmentação extrema das tarefas na indústria sobre a consciência do trabalhador acerca do processo produtivo (leitura de linguagem não verbal aplicada às Ciências Humanas).
- 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "A tirinha retrata um modelo de organização do trabalho industrial; qual efeito esse modelo provoca sobre quem trabalha nele?"
- Palavras-chave decisivas: forma de organização interna da indústria, consequência, mão de obra
- Armadilha típica: ler a tirinha apenas como uma crítica genérica ao trabalho repetitivo e marcar alternativas que falam de jornada de trabalho ou estabilidade — temas que soam plausíveis, mas não são o que a fala do personagem evidencia.
- O que a resposta precisa demonstrar: compreensão de que a extrema divisão de tarefas na linha de montagem retira do trabalhador a visão de conjunto do processo produtivo, e não apenas um desconforto físico ou trabalhista genérico.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Taylorismo/Fordismo: modelo de organização industrial baseado na fragmentação do processo produtivo em tarefas mínimas, repetitivas e cronometradas, executadas em uma linha de montagem, com o objetivo de maximizar a produtividade e reduzir custos.
- Divisão do trabalho: distribuição das etapas de fabricação entre diferentes trabalhadores, cada um responsável por uma parcela ínfima do produto final — em oposição ao artesão, que domina o processo do início ao fim.
- Alienação (estranhamento) do trabalho: conceito de Karl Marx segundo o qual o operário, ao executar uma tarefa isolada e repetitiva, perde a compreensão e o controle sobre a totalidade do processo produtivo, tornando-se estranho ao próprio trabalho e ao produto que ajuda a criar.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
A tirinha "Frank e Ernest", do cartunista norte-americano Bob Thaves, mostra dois operários caminhando ao lado de uma linha de montagem mecanizada, repleta de peças idênticas e engrenagens em sequência.
- Evidência 1: "Vou me aposentar amanhã e sabe o que vou fazer?" → o personagem está encerrando décadas de vínculo com a fábrica, ou seja, sua fala é um balanço de toda a carreira ali dentro.
- Evidência 2: "Andar até o fim desta linha de montagem e descobrir o que estou fazendo há 30 anos!" → o operário nunca soube, em 30 anos de trabalho, qual era a função ou o produto final de sua própria tarefa — ele conhecia apenas o pequeno gesto repetitivo que executava, sem nenhuma visão do processo produtivo como um todo.
- Síntese: a piada funciona porque exagera, de forma cômica, um traço real do trabalho fabril fragmentado: a linha de montagem taylorista/fordista reduz o trabalhador a uma peça isolada da engrenagem, impedindo-o de compreender as demais etapas e a finalidade do que produz.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar a "forma de organização interna da indústria" retratada
A imagem mostra uma linha de montagem clássica, com trabalhadores enfileirados, cada um realizando um pequeno movimento sobre peças que se deslocam mecanicamente. É o retrato visual do modelo fordista/taylorista: parcelamento do trabalho em microtarefas padronizadas, repetição contínua e ausência de rotatividade de funções — cada operário fica "preso" a um único ponto da esteira.
Subpasso 4.2 — Traduzir a fala do personagem no conceito sociológico correspondente
A frase central não fala em cansaço, salário, jornada ou risco de demissão. Fala em ignorância sobre o próprio trabalho: depois de três décadas, o operário nunca percorreu a linha inteira nem sabe o que ela produz. É a tradução cômica exata do conceito marxista de alienação: confinado a uma tarefa fragmentária, o trabalhador perde a percepção do processo produtivo como totalidade.
Subpasso 4.3 — Verificação
Confrontando esse raciocínio com as alternativas, apenas uma expressa diretamente esse "não saber o que se produz". As demais tratam de temas ausentes da tirinha (jornada, qualidade, estabilidade, segurança), confirmando que a leitura correta aponta para a perda da visão de conjunto do processo produtivo.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) Ampliação da jornada diária.
❌ Incorreta: a tirinha não menciona duração de turno, horas trabalhadas ou sobrecarga horária. O personagem fala em tempo de carreira (30 anos), não em jornada diária — grandezas distintas que a questão confunde propositalmente.
B) Melhoria da qualidade do trabalho.
❌ Incorreta: o tom da fala é de lamento e ironia, não de satisfação. Não há indício de que o trabalho tenha se tornado mais qualificado ou agradável; a repetição de 30 anos sugere justamente o oposto.
C) Instabilidade nos cargos ocupados.
❌ Incorreta: o próprio enunciado contradiz essa ideia — o personagem permaneceu 30 anos na mesma função, sinal de estabilidade extrema (ainda que monótona), não de rotatividade ou insegurança.
D) Eficiência na prevenção de acidentes.
❌ Incorreta: não há qualquer menção a segurança do trabalho ou redução de acidentes na cena. É um distrator sem lastro na fala ou na imagem.
E) Desconhecimento das etapas produtivas.
✅ Correta: é exatamente o que a fala expressa — depois de décadas de trabalho fragmentado em uma única tarefa da linha de montagem, o operário nunca compreendeu o processo produtivo em sua totalidade, nem sabe o que "está fazendo há 30 anos". Esse é o efeito clássico da divisão extrema do trabalho sobre a consciência do trabalhador em relação ao seu ofício.
🏆 Gabarito: E — a tirinha satiriza a alienação provocada pela extrema fragmentação do trabalho na linha de montagem: o operário executa uma tarefa isolada por 30 anos sem nunca ter compreendido o conjunto do processo produtivo do qual faz parte.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: a letra E é a única alternativa sustentada pela evidência textual da tirinha — a fala do personagem é literalmente sobre não saber o que produz, e não sobre horário, qualidade, estabilidade ou segurança.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente usa charges e tirinhas para cobrar conceitos de Sociologia do Trabalho (taylorismo, fordismo, toyotismo e alienação), exigindo que o candidato traduza humor visual em conceito teórico.
- Generalização: em questões com charges sobre trabalho industrial, a resposta correta costuma estar ancorada no efeito psicológico ou cognitivo sobre o trabalhador (alienação, monotonia, perda de sentido) e não em condições formais de emprego (jornada, salário, estabilidade), a menos que estas estejam explicitamente retratadas.
- Dica de eliminação rápida: primeiro verifique se a alternativa cita algo que aparece literalmente na imagem/texto (jornada, segurança, cargo). Se a tirinha não fala nisso, elimine — assim cortam-se A, C e D quase de imediato, restando comparar apenas B e E pelo tom da fala (queixa/ironia versus elogio).
- Conexões: o tema se conecta ao conceito de "mais-valia" e à crítica de Marx ao capitalismo industrial, além do contraponto histórico entre taylorismo/fordismo e toyotismo (produção flexível e polivalência), tema recorrente em Geografia e Sociologia do ENEM.
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