Mapa de questões · 2º dia
Questão 132 — ENEM 2011Caderno azul · 2º Dia
Palavra indígena
A história da tribo Sapucaí, que traduziu para o idioma guarani os artefatos da era da computação que ganharam importância em sua vida, como mouse (que eles chamam de angojhá) e windows (oventã)
Quando a internet chegou àquela comunidade, que abriga em torno de 400 guaranis, há quatro anos, por meio de um projeto do Comitê para Democratização da Informática (CDI), em parceria com a ONG Rede Povos da Floresta e com antena cedida pela Star One (da Embratel), Potty e sua aldeia logo vislumbraram as possibilidades de comunicação que a web traz.
Ele conta que usam a rede, por enquanto, somente para preparação e envio de documentos, mas perceberam que ela pode ajudar na preservação da cultura indígena.
A apropriação da rede se deu de forma gradual, mas os guaranis já incorporaram a novidade tecnológica ao seu estilo de vida. A importância da internet e da computação para eles está expressa num caso de rara incorporação: a do vocabulário.
— Um dia, o cacique da aldeia Sapucaí me ligou. "A gente não está querendo chamar computador de "computador". Sugeri a eles que criassem uma palavra em guarani. E criaram aiú irú rive, "caixa pra acumular a língua". Nós, brancos, usamos mouse, windows e outros termos, que eles começaram a adaptar para o idioma deles, como angojhá (rato) e oventã (janela) — conta Rodrigo Baggio, diretor do CDI.
Disponível em: http://www.revistalingua.uol.com.br. Acesso em: 22 jul. 2010.
O uso das novas tecnologias de informação e comunicação fez surgir uma série de novos termos que foram acolhidos na sociedade brasileira em sua forma original, como: mouse, windows, download, site, homepage, entre outros. O texto trata da adaptação de termos da informática à língua indígena como uma reação da tribo Sapucaí, o que revela
Alternativas
Resolução
📋 Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Português → Tecnologia e cultura
- ⚡ Nível: Fácil — traduzir mouse para o guarani é preservar a língua.
- 🎯 Tema/Habilidade: Identidade cultural e apropriação tecnológica.
- 🏆 Gabarito: C — revelado após a resolução completa
🔎 Passo 1 — O que a questão pede
- Comando: que aspecto o texto evidencia sobre a chegada da internet à comunidade.
- Estrutura da questão: o dado mais marcante é a criação de palavras em guarani para nomear os artefatos digitais.
- Armadilha antecipada: alternativas que se prendem ao aspecto prático — envio de documentos, adesão ao projeto — sem tocar no ponto cultural.
📚 Passo 2 — O conceito em jogo
Nomear em língua própria um objeto vindo de fora é ato de apropriação cultural: a comunidade traduz a novidade para seus termos em vez de adotar a palavra estrangeira.
Angojhá para mouse e oventã para windows mostram esse trabalho: a tecnologia entra, mas é a língua guarani que a nomeia.
Isso demonstra que incorporar tecnologia não implica perder identidade — a língua se expande para acolher o novo.
🧮 Passo 4 — O caminho até a resposta
Identifique o fato mais expressivo do texto: a tradução dos nomes dos artefatos para o guarani.
Identifique o que isso significa: a comunidade adota a tecnologia mantendo sua própria língua.
O texto evidencia a preservação da identidade mesmo com o uso de tecnologias de outra cultura — alternativa C.
🔍 Passo 5 — Análise das Alternativas
- A) ✗ Incorreta. A expectativa de Potty quanto à comunicação é detalhe do relato, e não o aspecto central evidenciado.
- B) ✗ Incorreta. O uso prático da internet é meio, e não o aspecto que o texto destaca sobre a comunidade.
- C) ✓ Correta. Traduzir os termos digitais para o guarani mostra a preservação da identidade diante da tecnologia externa.
- D) ✗ Incorreta. O projeto do CDI viabilizou o acesso, mas o texto destaca o que a comunidade fez com ele.
- E) ✗ Incorreta. A gradualidade da apropriação é secundária diante do trabalho de nomear em língua própria.
🏁 Passo 6 — O que levar dessa questão
Nomear na própria língua é apropriar-se. Quando um povo traduz a tecnologia, ele a incorpora sem se dissolver.
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