Mapa de questões · 2º dia
Questão 122 — ENEM 2011Caderno azul · 2º Dia

Nós adoraríamos dizer que somos perfeitos. Que somos infalíveis. Que não cometemos nem mesmo o menor deslize. E só não falamos isso por um pequeno detalhe: seria uma mentira. Aliás, em vez de usar a palavra “mentira”, como acabamos de fazer, poderíamos optar por um eufemismo. “Meia-verdade”, por exemplo, seria um termo muito menos agressivo. Mas nós não usamos esta palavra simplesmente porque não acreditamos que exista uma “Meia-verdade”. Para o Conar, Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, existem a verdade e a mentira. Existem a honestidade e a desonestidade. Absolutamente nada no meio. O Conar nasceu há 29 anos (viu só? não arredondamos para 30) com a missão de zelar pela ética na publicidade. Não fazemos isso porque somos bonzinhos (gostaríamos de dizer isso, mas, mais uma vez, seria mentira). Fazemos isso porque é a única forma da propaganda ter o máximo de credibilidade. E, cá entre nós, para que serviria a propaganda se o consumidor não acreditasse nela?
Qualquer pessoa que se sinta enganada por uma peça publicitária pode fazer uma reclamação ao Conar. Ele analisa cuidadosamente todas as denúncias e, quando é o caso, aplica a punição.
Anúncio veiculado na Revista Veja. São Paulo: Abril. Ed. 2120, ano 42, n ° 27, 8 jul. 2009.
O recurso gráfico utilizado no anúncio publicitário ― de destacar a potencial supressão de trecho do texto ― reforça a eficácia pretendida, revelada na estratégia de
Alternativas
Resolução
📋 Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Português → Estratégia argumentativa (metalinguagem)
- ⚡ Nível: Muito difícil — o Conar faz publicidade criticando a publicidade.
- 🎯 Tema/Habilidade: A subversão do fazer publicitário no anúncio.
- 🏆 Gabarito: D — revelado após a resolução completa
🔎 Passo 1 — O que a questão pede
- Comando: que estratégia argumentativa o anúncio emprega.
- Estrutura da questão: o anúncio é do Conar, órgão que fiscaliza a publicidade, e usa recursos publicitários para falar dos exageros da própria publicidade.
- Armadilha antecipada: escolher recursos que de fato aparecem no texto — primeira pessoa do plural, jogo de palavras — mas que não constituem a estratégia central.
📚 Passo 2 — O conceito em jogo
Metalinguagem é o uso da linguagem para falar dela mesma. Aqui, um anúncio publicitário discute o próprio fazer publicitário.
O texto começa com a estrutura típica do exagero — adoraríamos dizer que somos perfeitos, infalíveis — e a interrompe admitindo que seria mentira.
Subverter significa usar o recurso contra si mesmo: o anúncio emprega as ferramentas da propaganda para denunciar seus abusos, o que lhe dá autoridade sobre o tema.
🧮 Passo 4 — O caminho até a resposta
Identifique quem fala: o próprio órgão de autorregulamentação da publicidade.
Identifique o que faz: constrói um anúncio que critica os exageros dos anúncios, usando as ferramentas do gênero.
A estratégia é subverter o fazer publicitário pelo uso de sua metalinguagem — alternativa D.
🔍 Passo 5 — Análise das Alternativas
- A) ✗ Incorreta. O título dialoga com o corpo do texto em vez de se sobrepor a ele. Não há descarte do conteúdo associado.
- B) ✗ Incorreta. A primeira pessoa do plural é usada, mas ela se refere ao próprio Conar, e não é a estratégia central do anúncio.
- C) ✗ Incorreta. O texto não conta a história da criação do órgão nem recorre a esse tipo de argumento de autoridade.
- D) ✓ Correta. O anúncio usa os próprios recursos da publicidade para criticar seus exageros — é o uso subversivo da metalinguagem.
- E) ✗ Incorreta. Há jogo de palavras, mas ele serve à metalinguagem, e não é a estratégia em si.
🏁 Passo 6 — O que levar dessa questão
Anúncio que fala de anúncio é metalinguagem. Quando o emissor é o próprio órgão fiscalizador, a subversão é o recurso.
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