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Mapa de questões · 2º dia
LinguagensLiteraturaMuito difícil

Questão 135 — ENEM 2009Caderno azul · 2º Dia

Confidência do Itabirano

Alguns anos vivi em Itabira. Principalmente nasci em Itabira. Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro. Noventa por cento de ferro nas calçadas. Oitenta por cento de ferro nas almas. E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação.

A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,

vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes. E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,

é doce herança itabirana.

De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço:

esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil,

este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;

este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;

este orgulho, esta cabeça baixa...

Tive ouro, tive gado, tive fazendas. Hoje sou funcionário público. Itabira é apenas uma fotografia na parede. Mas como dói!

ANDRADE, C. D. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2003.

Carlos Drummond de Andrade é um dos expoentes do movimento modernista brasileiro. Com seus poemas, penetrou fundo na alma do Brasil e trabalhou poeticamente as inquietudes e os dilemas humanos. Sua poesia é feita de uma relação tensa entre o universal e o particular, como se percebe claramente na construção do poema Confidência do Itabirano. Tendo em vista os procedimentos de construção do texto literário e as concepções artísticas modernistas, conclui-se que o poema acima

Alternativas

Resolução

📋 Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Literatura → Modernismo (Drummond)
  • ⚡ Nível: Muito difícil — a tensão eu/comunidade se constrói por imagens.
  • 🎯 Tema/Habilidade: O ferro de Itabira como marca do sujeito.
  • 🏆 Gabarito: C — revelado após a resolução completa

🔎 Passo 1 — O que a questão pede

  • Comando: o que o poema evidencia.
  • Imagens decisivas: 'noventa por cento de ferro nas calçadas', 'oitenta por cento de ferro nas almas'.

📚 Passo 2 — O conceito em jogo

O ferro da mineração vira metáfora da dureza e do fechamento do sujeito.

O poema mede o eu em porcentagem do lugar — a comunidade constitui o indivíduo.

Ao mesmo tempo, há alheamento: o que falta é 'porosidade e comunicação'.

🧮 Passo 4 — O caminho até a resposta

O poema constrói uma tensão histórica entre o eu e sua comunidade por meio dessas imagens.

Alternativa C.

🔍 Passo 5 — Análise das Alternativas

  • A) ✗ Incorreta. Não é a fase heroica contestatória do modernismo de 22.
  • B) ✗ Incorreta. Reduz o poema a característica genérica do gênero lírico.
  • C) ✓ Correta. Evidencia a tensão entre o eu e sua comunidade por meio das imagens do ferro.
  • D) ✗ Incorreta. Não há discurso irônico sobre a inutilidade do poeta.
  • E) ✗ Incorreta. Não são influências românticas: a construção é modernista.

🏁 Passo 6 — O que levar dessa questão

Em Drummond, o lugar de origem quase sempre é matéria do sujeito. Ferro, pedra e província não são cenário: são o eu.

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