Pular para o conteúdo
MemorizeMemorize
Mapa de questões · 2º dia
LinguagensLiteraturaDifícil

Questão 133 — ENEM 2009Caderno azul · 2º Dia

Texto I

[...] já foi o tempo em que via a convivência como viável, só exigindo deste bem comum, piedosamente, o meu quinhão, já foi o tempo em que consentia num contrato, deixando muitas coisas de fora sem ceder contudo no que me era vital, já foi o tempo em que reconhecia a existência escandalosa de imaginados valores, coluna vertebral de toda ‘ordem’; mas não tive sequer o sopro necessário, e, negado o respiro, me foi imposto o sufoco; é esta consciência que me libera, é ela hoje que me empurra, são outras agora minhas preocupações, é hoje outro o meu universo de problemas; num mundo estapafúrdio — definitivamente fora de foco — cedo ou tarde tudo acaba se reduzindo a um ponto de vista, e você que vive paparicando as ciências humanas, nem suspeita que paparica uma piada: impossível ordenar o mundo dos valores, ninguém arruma a casa do capeta; me recuso pois a pensar naquilo em que não mais acredito, seja o amor, a amizade, a família, a igreja, a humanidade; me lixo com tudo isso! me apavora ainda a existência, mas não tenho medo de ficar sozinho, foi conscientemente que escolhi o exílio, me bastando hoje o cinismo dos grandes indiferentes [...].

NASSAR, R. Um Copo de Cólera. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

Texto II

Raduan Nassar lançou a novela Um Copo de Cólera em 1978, fervilhante narrativa de um confronto verbal entre amantes, em que a fúria das palavras cortantes se estilhaçava no ar. O embate conjugal ecoava o autoritário discurso do poder e da submissão de um Brasil que vivia sob o jugo da ditadura militar.

COMODO, R. Um silêncio inquietante. IstoÉ. Disponível em: http://www.terra.com.br. Acesso em: 15 jul. 2009.

Considerando-se os textos apresentados e o contexto político e social no qual foi produzida a obra Um Copo de Cólera, verifica-se que o narrador, ao dirigir-se à sua parceira, nessa novela, tece um discurso

Alternativas

Resolução

📋 Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Literatura → Discurso e contexto político
  • ⚡ Nível: Difícil — o tom do narrador é a resposta.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Discurso desmistificador contra os valores instituídos.
  • 🏆 Gabarito: C — revelado após a resolução completa

🔎 Passo 1 — O que a questão pede

  • Comando: como caracterizar o discurso do narrador.
  • Evidência: ele chama amor, amizade, família, Igreja e humanidade de 'piada' e 'imaginados valores'.

📚 Passo 2 — O conceito em jogo

Desmistificar é retirar a aura de coisas tidas como sagradas.

O narrador não propõe outro valor no lugar: apenas derruba os existentes.

O tom é ágil e contundente, com ironia agressiva.

🧮 Passo 4 — O caminho até a resposta

O discurso é desmistificador, ágil e contundente, criticando os grandes valores instituídos.

Alternativa C.

🔍 Passo 5 — Análise das Alternativas

  • A) ✗ Incorreta. Conformista é o oposto: ele ataca as instituições.
  • B) ✗ Incorreta. Não há pacifismo nem defesa de ideais libertários.
  • C) ✓ Correta. Discurso desmistificador, ágil e contundente, que critica os valores instituídos.
  • D) ✗ Incorreta. Não há apelo ao engajamento em causas sociais.
  • E) ✗ Incorreta. Não se trata de acusar a interlocutora de compactuar com o regime.

🏁 Passo 6 — O que levar dessa questão

Liste o que o narrador ataca. Se ele derruba tudo sem propor substituto, o discurso é desmistificador.

Comunidade Memorize · Grátis

Não perca nenhuma live, aula ou material.

Entre na comunidade do WhatsApp e receba os avisos de tudo que a equipe Memorize lança de graça — direto no seu celular.