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Mapa de questões · 1º dia
HumanasHistóriaFácil

Questão 79ENEM 2020Caderno azul · 1º Dia

O fenômeno histórico conhecido como “tráfico de

coolies” esteve associado diretamente ao período que vai

do final da década de 1840 até o ano de 1874, quando

milhares de chineses foram encaminhados principalmente

para Cuba e Peru e muitos abusos no recrutamento de

mão de obra foram identificados. O tráfico de coolies

ou, em outros termos, o transporte por meios coativos

de mão de obra de um lugar para outro, foi comparado

ao tráfico africano de escravos por muitos periodistas e

analistas do século XIX.

SANTOS, M. A. Migrações e trabalho sob contrato no século XIX. História, n. 12, 2017.

A comparação mencionada no texto foi possível em razão

da seguinte característica:

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: História → trabalho compulsório no século XIX (fim do tráfico africano e migração de coolies asiáticos)
  • ⚡ Nível: Fácil — o próprio texto fornece a comparação e a pista ("meios coativos") que leva à resposta.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Formas de exploração do trabalho no capitalismo do século XIX; comparar processos históricos e identificar suas semelhanças estruturais.
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual característica do tráfico de coolies permitiu compará-lo ao tráfico africano de escravos?"
  • Palavras-chave decisivas: meios coativos, abusos no recrutamento, comparado ao tráfico africano
  • Armadilha típica: achar que a comparação se baseia em "cor" ou "etnia" dos trabalhadores (alternativa B), quando o critério que o texto destaca é a forma de exploração, não a identidade dos explorados.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que os coolies, embora formalmente "contratados", eram submetidos a coerção e domínio sobre suas vidas semelhantes aos da escravidão.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Tráfico de coolies: transporte de trabalhadores asiáticos (sobretudo chineses e indianos) para as Américas entre as décadas de 1840 e 1870, sob "contratos" que, na prática, funcionavam como servidão por dívida.
  • Fim do tráfico africano: com a pressão britânica e a proibição gradual do tráfico atlântico (a partir de 1807/1850), faltou mão de obra escravizada nas lavouras de Cuba e do Peru, e os coolies foram a "solução" barata para substituí-la.
  • Trabalho compulsório x trabalho livre: o trabalho é livre quando o indivíduo pode negociar, deixar o emprego e dispor do próprio corpo; é compulsório quando há coerção, confinamento e controle da vida — foi o que ligou coolies e escravizados.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "transporte por meios coativos de mão de obra" → coação, não livre escolha: o trabalhador não decidia livremente migrar ou trabalhar.
  • Evidência 2: "muitos abusos no recrutamento de mão de obra foram identificados" → o recrutamento envolvia engano, aliciamento forçado e violência, não um contrato de trabalho digno.
  • Síntese: o texto compara coolies e escravizados justamente porque ambos viviam sob coerção e controle total de suas vidas — o eixo da comparação é a opressão, não a etnia nem o tipo de tarefa.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o eixo da comparação

O periodista do século XIX aproxima os dois fenômenos porque enxerga na condição do coolie a mesma lógica da escravidão: seres humanos deslocados à força, presos a contratos que não podiam romper, submetidos a jornadas exaustivas, castigos e vigilância. A palavra-chave "coativos" já elimina qualquer leitura de trabalho livre.

Subpasso 4.2 — Traduzir isso em uma "característica"

Precisamos de uma característica comum às duas experiências. O que iguala escravizado e coolie não é a origem (africanos x asiáticos são etnias diferentes), nem a tarefa, nem o dinheiro investido — é o fato de terem suas vidas controladas de forma opressiva: sem liberdade de ir e vir, sem poder negociar condições, sob domínio de quem os explorava. Essa é a descrição exata da alternativa D.

Subpasso 4.3 — Verificação

Testando contra o texto: "meios coativos" = ausência de liberdade; "abusos no recrutamento" = violência e engano; "comparado ao tráfico africano" = mesma condição de sujeição. Tudo converge para controle opressivo das vidas dos indivíduos → alternativa D confirmada.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) Oferta de contrato formal.

❌ Incorreta: os coolies até assinavam "contratos", mas eram fraudulentos e coercitivos — e a escravidão não tinha contrato algum. Um contrato formal seria uma diferença, não uma semelhança; não sustenta a comparação.

B) Origem étnica dos grupos de trabalhadores.

❌ Incorreta: as origens eram justamente distintas (asiáticos x africanos). A comparação se dá apesar da diferença étnica, não por causa dela; confundir isso é a principal armadilha.

C) Conhecimento das tarefas desenvolvidas.

❌ Incorreta: o domínio técnico das tarefas não é mencionado no texto nem tem relação com o critério da coerção; é um detalhe irrelevante para aproximar os dois regimes de trabalho.

D) Controle opressivo das vidas dos indivíduos.

✅ Correta: é exatamente o que os "meios coativos" e os "abusos no recrutamento" revelam — sujeição, ausência de liberdade e domínio sobre o corpo e a vida do trabalhador, ponto comum entre coolies e escravizados.

E) Investimento requerido dos empregadores.

❌ Incorreta: o custo pago pelos empregadores não é o eixo da comparação; ao contrário, o coolie era atraente por ser mão de obra barata. Dinheiro investido não define a condição de opressão.

🏆 Gabarito: D — a comparação entre o tráfico de coolies e o tráfico africano se apoia no controle opressivo das vidas dos trabalhadores: coerção, confinamento e ausência de liberdade, comuns às duas experiências.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: D é a única alternativa que descreve a semelhança estrutural entre os dois regimes — a sujeição da vida do trabalhador ao domínio de terceiros.
  • Padrão de cobrança: o ENEM adora comparar formas de trabalho compulsório (escravidão, servidão por dívida, coolies, colonato) e pede que você identifique o que há de comum: a falta de liberdade.
  • Generalização: em questões que comparam dois processos históricos, procure a semelhança de estrutura/lógica, não a de identidade dos sujeitos (etnia, nacionalidade, cor).
  • Dica de eliminação rápida: corte de imediato as alternativas que apontam diferenças (B, origem étnica) ou detalhes irrelevantes (C, tarefas; E, investimento); entre as duas que sobram, escolha a que dialoga com "coativos".
  • Conexões: fim do tráfico atlântico e crise da mão de obra escravizada; imigração e trabalho no Brasil pós-abolição; trabalho análogo à escravidão no mundo contemporâneo.

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