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Mapa de questões · 1º dia
HumanasHistóriaMédio

Questão 64ENEM 2020Caderno azul · 1º Dia

É difícil imaginar que nos anos 1990, num país

com setores da população na pobreza absoluta e sem

uma rede de benefícios sociais em que se apoiar, um

governo possa abandonar o papel de promotor de

programas de geração de emprego, de assistência

social, de desenvolvimento da infraestrutura e de

promoção de regiões excluídas, na expectativa de

que o mercado venha algum dia a dar uma resposta

adequada a tudo isso.

SORJ, B. A nova sociedade brasileira. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2000 (adaptado).

Nesse contexto, a criticada postura dos governos frente

à situação social do país coincidiu com a priorização de

que medidas?

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: História → Brasil República (governos neoliberais dos anos 1990) + Geografia econômica
  • ⚡ Nível: Médio — exige associar o texto crítico ao projeto neoliberal, não apenas decorar fatos.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Neoliberalismo e reforma do Estado no Brasil; compreender transformações políticas e econômicas contemporâneas.
  • 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Ao abandonar seu papel de promotor social, o governo dos anos 1990 priorizou qual tipo de medida?"
  • Palavras-chave decisivas: anos 1990, abandonar o papel de promotor (de emprego, assistência, infraestrutura), na expectativa de que o mercado resolva.
  • Armadilha típica: confundir a crítica ao Estado mínimo com uma defesa de mais gasto público, marcando alternativas de expansão de investimento estatal (A, B, D).
  • O que a resposta precisa demonstrar: identificar que o Estado se retraiu do social para concentrar esforços na estabilização econômica e no combate à inflação.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Neoliberalismo: doutrina que defende o Estado mínimo, a livre atuação do mercado, privatizações e redução dos gastos sociais; ganhou força no Brasil dos anos 1990.
  • Estado mínimo x Estado de bem-estar: o texto critica justamente a substituição de um Estado provedor de direitos sociais por um Estado que confia ao mercado a solução dos problemas.
  • Plano Real (1994) e estabilização: a prioridade macroeconômica do período foi domar a hiperinflação, ancorar a moeda e garantir credibilidade fiscal — nem sempre acompanhada de política social robusta.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "um governo possa abandonar o papel de promotor de programas de geração de emprego, de assistência social" → o Estado se retira das políticas sociais.
  • Evidência 2: "na expectativa de que o mercado venha algum dia a dar uma resposta adequada a tudo isso" → transfere ao mercado a função antes estatal — marca central do neoliberalismo.
  • Síntese: se o Estado deixa o social de lado, é porque concentrou sua energia em outra frente. Nos anos 1990, essa frente foi a estabilização macroeconômica e o controle da inflação.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Situar o contexto histórico

Os anos 1990 no Brasil (governos Collor e, sobretudo, Fernando Henrique Cardoso) foram marcados pela agenda neoliberal: abertura comercial, privatizações e, acima de tudo, o combate à inflação crônica. O Plano Real (1994) tornou-se o eixo da política econômica.

Subpasso 4.2 — Conectar a crítica de Sorj à prioridade real

O autor lamenta o recuo do Estado no campo social. Esse recuo não foi por acaso: os recursos e a atenção do governo voltaram-se para reformas macroeconômicas (fiscal, monetária, cambial) e para os mecanismos de controle inflacionário, considerados pré-requisito para qualquer desenvolvimento. O social ficou subordinado à estabilidade da moeda.

Subpasso 4.3 — Verificação

A alternativa que expressa "reforma das políticas macroeconômicas e dos mecanismos de controle inflacionário" é exatamente a E. Ela traduz a lógica neoliberal criticada no texto: menos Estado social, mais foco na estabilização econômica.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) Expansão dos investimentos nas empresas públicas e nos bancos estatais.

❌ Incorreta: o período foi de privatizações e enxugamento do Estado empresário, não de expansão estatal — o oposto do descrito.

B) Democratização do crédito habitacional e da aquisição de moradias populares.

❌ Incorreta: seria uma política social ativa, justamente o tipo de ação que o texto diz ter sido abandonada pelo governo.

C) Enxugamento da carga fiscal individual e da contribuição tributária empresarial.

❌ Incorreta: a estabilização exigiu ajuste fiscal e arrecadação para equilibrar contas; não houve priorização de redução ampla de impostos como marca do período.

D) Reformulação do acesso ao ensino superior e do financiamento científico nacional.

❌ Incorreta: educação e ciência são áreas de investimento social/estatal; não foram a prioridade macroeconômica que substituiu o papel social do Estado.

E) Reforma das políticas macroeconômicas e dos mecanismos de controle inflacionário.

✅ Correta: sintetiza a agenda neoliberal dos anos 1990 — o Estado recuou do social para priorizar estabilidade da moeda e combate à inflação (Plano Real).

🏆 Gabarito: E — o recuo do Estado no campo social correspondeu à priorização da estabilização macroeconômica e do controle inflacionário, núcleo do projeto neoliberal.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só a E aponta para onde o governo direcionou seus esforços ao abandonar o social — a macroeconomia e a inflação.
  • Padrão de cobrança: o ENEM adora questões com textos críticos ao neoliberalismo; pede identificar as consequências do Estado mínimo (privatização, corte social, foco na moeda).
  • Generalização: em textos que denunciam o "abandono do social", procure a alternativa que revela a nova prioridade econômica do governo, não uma que proponha mais gasto social.
  • Dica de eliminação rápida: corte de imediato tudo que signifique mais Estado social (A, B, D) — são o contrário do que o texto critica. Sobram C e E; a inflação era a obsessão dos anos 1990.
  • Conexões: Plano Real, privatizações, Consenso de Washington e reforma do Estado (FHC/Bresser-Pereira).

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