Mapa de questões · 1º dia
Questão 75 — ENEM 2020Caderno azul · 1º Dia
Afirmar que a cartografia da época moderna integrou o
processo de invenção da América por parte dos europeus
significa que os conhecimentos dos ameríndios sobre o
território foram ignorados pela cartografia europeia ou que
eles foram privados de sua representação territorial e da
autoridade que seus conhecimentos tinham sobre o espaço.
OLIVEIRA, T. K. Desconstruindo mapas, revelando espacializações: reflexões sobre o uso
da cartografia em estudos sobre o Brasil colonial. Revista Brasileira de História,
n. 68, 2014 (adaptado).
Na análise contida no texto, a representação cartográfica
da América foi marcada por
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: História → colonização da América, cartografia e relações de poder
- ⚡ Nível: Médio — texto denso e abstrato, exige interpretação de conceito historiográfico e cuidado com o vocabulário.
- 🎯 Tema/Habilidade: Cartografia como instrumento de poder no processo de colonização europeia (relação entre saber, representação e dominação).
- 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Segundo o texto, o que caracterizou o modo como a América foi representada nos mapas europeus?"
- Palavras-chave decisivas: invenção da América, conhecimentos dos ameríndios ignorados, privados da autoridade sobre o espaço.
- Armadilha típica: achar que "cartografia" remete a precisão técnica ou progresso científico (alternativas B e D), quando o texto trata de poder, não de geografia.
- O que a resposta precisa demonstrar: que o mapa europeu foi um instrumento de controle, que apagou o saber indígena e impôs a visão do colonizador.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- "Invenção da América": conceito de Edmundo O'Gorman — a América não foi "descoberta" como algo pronto, mas construída conceitualmente pela mentalidade europeia, que a moldou segundo seus próprios interesses e valores.
- Cartografia como poder: mapas não são retratos neutros do mundo; eles selecionam, nomeiam e organizam o espaço a partir de quem os produz, legitimando posses e apagando outros saberes.
- Etnocídio simbólico: ao ignorar a espacialização ameríndia, os europeus retiraram dos povos originários a autoridade sobre seu próprio território, um gesto de dominação cultural.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "os conhecimentos dos ameríndios sobre o território foram ignorados pela cartografia europeia" → o mapa europeu silencia o saber nativo, não o incorpora.
- Evidência 2: "privados da autoridade que seus conhecimentos tinham sobre o espaço" → representar o território é também tomar o poder sobre ele; a cartografia é ato de domínio.
- Síntese: o texto liga cartografia e colonização: mapear a América foi uma forma de os europeus afirmarem seu controle sobre a terra e as pessoas, apagando quem já vivia ali.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar a tese central
A autora sustenta que a cartografia moderna não foi mera técnica de mapeamento: ela participou da "invenção da América". Ou seja, o mapa foi ferramenta do projeto colonial. Representar era controlar.
Subpasso 4.2 — Traduzir o conceito para o que se pede
A questão pergunta por que "a representação cartográfica da América foi marcada". O texto responde: pela imposição do olhar europeu, que ignorou os ameríndios e os privou da autoridade sobre o espaço. Isso é, em uma palavra, dominação. O mapa afirma e materializa as formas pelas quais o europeu domina o território conquistado.
Subpasso 4.3 — Verificação
Buscamos a alternativa que expresse controle/poder colonial. "Afirmação das formas de dominação" (C) traduz exatamente o silenciamento do saber indígena descrito no texto. Confirma-se C.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) asserção da cultura dos nativos.
❌ Incorreta: é o oposto do texto. A cartografia europeia ignorou e apagou a cultura e o saber espacial dos nativos, não os afirmou ("asserção" = afirmação/valorização).
B) avanço dos estudos do ambiente.
❌ Incorreta: o foco do texto é político e cultural (poder, autoridade sobre o espaço), não científico-ambiental. Não se fala em progresso do conhecimento sobre a natureza.
C) afirmação das formas de dominação.
✅ Correta: mapear a América foi impor a visão europeia, apagar o saber ameríndio e tomar a autoridade sobre o território — ou seja, afirmar e consolidar a dominação colonial.
D) exatidão da demarcação das regiões.
❌ Incorreta: o texto não discute precisão técnica dos mapas, mas seu papel ideológico. Além disso, a cartografia colonial era frequentemente imprecisa e servia a interesses de posse.
E) aprimoramento do conceito de fronteira.
❌ Incorreta: fronteira não é o tema central do trecho, que trata da negação do saber indígena e da imposição do domínio europeu, não do refinamento de limites territoriais.
🏆 Gabarito: C — a cartografia integrou o processo de "invenção da América" ao servir de instrumento de dominação: apagou o conhecimento ameríndio e afirmou o controle europeu sobre o espaço.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: só C capta a ideia de poder/controle que percorre todo o texto ("ignorados", "privados da autoridade"); as demais falam de ciência, técnica ou valorização do nativo, contrariando o enunciado.
- Padrão de cobrança: o ENEM adora tratar mapas, censos e imagens como instrumentos de poder, não como registros neutros — a chave é sempre "quem produz e para quê".
- Generalização: toda representação (mapa, foto, texto oficial) carrega o ponto de vista de quem a fez; questões desse tipo pedem que você identifique a intenção e o poder por trás da forma.
- Dica de eliminação rápida: elimine já B e D, que remetem a "ciência/precisão" (tom técnico ausente no texto); depois corte A, que inverte o sentido (o texto nega os nativos, não os afirma).
- Conexões: "invenção da América" (O'Gorman), etnocentrismo europeu, e o uso de estatísticas/censos como tecnologias de controle estatal.
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