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Mapa de questões · 1º dia
HumanasGeografiaMédio

Questão 46ENEM 2020Caderno azul · 1º Dia

Embora inegáveis os benefícios que ambas as

economias têm auferido do intercâmbio comercial, o Brasil

tem reiterado seu objetivo de desenvolver com a China

uma relação comercial menos assimétrica. Os números

revelam com clareza a assimetria. As exportações

brasileiras de produtos básicos, especialmente soja,

minério de ferro e petróleo, compõem, dependendo do

ano, algo entre 75% e 80% da pauta, ao passo que as

importações brasileiras consistem, aproximadamente,

em 95% de produtos industrializados chineses, que vão

desde os mais variados bens de consumo até máquinas

e equipamentos de alto valor.

LEÃO, V. C. Prefácio. In: CINTRA, M. A. M.; SILVA FILHO, E. B.; PINTO, E. C. (Org.).

China em transformação: dimensões econômicas e geopolíticas do desenvolvimento.

Rio de Janeiro: Ipea, 2015.

Uma ação estatal de longo prazo capaz de reduzir a

assimetria na balança comercial brasileira, conforme

exposto no texto, é o(a)

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Comércio internacional e relações Brasil–China
  • ⚡ Nível: Médio — exige transformar um diagnóstico econômico em uma política pública estrutural de longo prazo.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Divisão internacional do trabalho e superação da dependência tecnológica (H27/H28 — analisar relações de produção e comércio no mundo globalizado).
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Que política estatal de longo prazo reduziria a assimetria da balança comercial Brasil–China descrita no texto?"
  • Palavras-chave decisivas: assimetria, longo prazo, produtos industrializados x produtos básicos
  • Armadilha típica: escolher medidas que reforçam a exportação de commodities (agricultura, extrativismo, energia) — isto aprofunda a assimetria, não a corrige.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que o desequilíbrio nasce do baixo valor agregado da pauta brasileira, e só se resolve criando capacidade industrial-tecnológica própria.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Assimetria comercial: Brasil vende produtos primários (baixo valor agregado) e compra manufaturados (alto valor agregado); mesmo com saldo positivo, a relação é desigual em termos de tecnologia e emprego qualificado.
  • Divisão internacional do trabalho: posição de cada país na cadeia produtiva global. O Brasil ocupa o polo primário-exportador; a China, o polo industrial.
  • Valor agregado e inovação: industrializar exige base científica e tecnológica (P&D). Sem pesquisa, o país permanece exportando matéria-prima e importando o produto acabado dela.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "produtos básicos, especialmente soja, minério de ferro e petróleo... entre 75% e 80% da pauta" → a exportação brasileira é dominada por commodities, sem transformação industrial.
  • Evidência 2: "importações brasileiras consistem em 95% de produtos industrializados chineses... máquinas e equipamentos de alto valor" → o Brasil compra justamente o que não produz: tecnologia e manufatura de alto valor.
  • Síntese: a assimetria é estrutural e tecnológica. Reduzi-la exige capacitar o país a produzir bens industrializados de alto valor — o que depende de ciência e inovação.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar a raiz do problema

A assimetria não está no volume nem no saldo, mas na natureza dos produtos: exporta-se natureza (soja, minério, petróleo) e importa-se conhecimento aplicado (máquinas, equipamentos, bens de consumo). O gargalo é a ausência de capacidade industrial-tecnológica nacional.

Subpasso 4.2 — Ligar causa e solução

Para inverter a lógica, o Brasil precisa agregar valor à sua produção e fabricar manufaturados competitivos. Isso não se compra pronto: constrói-se com pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico (P&D), formação de engenheiros e cientistas, patentes e inovação. É uma política de maturação lenta — exatamente o "longo prazo" que o comando pede.

Subpasso 4.3 — Verificação

Fortalecer a pesquisa → mais tecnologia nacional → capacidade de industrializar com alto valor agregado → pauta exportadora mais diversificada e sofisticada → assimetria reduzida. A cadeia lógica fecha e converge para a alternativa D.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) expansão do setor extrativista.

❌ Incorreta: minério de ferro e petróleo já compõem o núcleo das exportações primárias. Expandir extração aprofunda a dependência de commodities e agrava a assimetria.

B) incremento da atividade agrícola.

❌ Incorreta: a soja é o carro-chefe da pauta básica. Produzir mais agrícola mantém o Brasil no polo primário-exportador, sem agregar valor industrial.

C) diversificação da matriz energética.

❌ Incorreta: é uma política ambiental/energética relevante, mas não altera o perfil da balança comercial com a China nem a distância tecnológica entre as duas pautas.

D) fortalecimento da pesquisa científica.

✅ Correta: ciência e P&D são a base para industrializar com alto valor agregado, formar capacidade tecnológica própria e produzir os manufaturados hoje importados — corrigindo a assimetria de forma estrutural e de longo prazo.

E) monitoramento do fluxo alfandegário.

❌ Incorreta: é medida administrativa e fiscalizatória, de curto prazo, que controla entradas/saídas mas não muda o conteúdo da pauta comercial.

🏆 Gabarito: D — só o investimento em pesquisa científica cria a capacidade tecnológica capaz de agregar valor à produção brasileira e reverter a dependência de importar manufaturados.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: D é a única que ataca a causa estrutural (falta de base tecnológica) e respeita o horizonte de "longo prazo".
  • Padrão de cobrança: o ENEM adora contrastar países primário-exportadores e industrializados, cobrando a superação da dependência via educação, ciência e inovação.
  • Generalização: quando o problema é "baixo valor agregado / dependência tecnológica", a solução quase sempre passa por educação, pesquisa e industrialização, não por produzir mais matéria-prima.
  • Dica de eliminação rápida: corte de imediato tudo que reforça commodities (A extrativismo, B agricultura) e o que é medida meramente operacional (E alfândega); entre as restantes, escolha a que muda a estrutura produtiva.
  • Conexões: deterioração dos termos de troca, industrialização por substituição de importações e o conceito de "maldição dos recursos naturais".

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