Mapa de questões · 1º dia
Questão 61 — ENEM 2020Caderno azul · 1º Dia
A Divisão Internacional do Trabalho significa
que alguns países se especializam em ganhar
e outros, em perder. Nossa comarca no mundo,
que hoje chamamos América Latina, foi precoce:
especializou-se em perder desde os remotos
tempos em que os europeus do Renascimento se
aventuraram pelos mares e lhe cravaram os dentes
na garganta. Passaram-se os séculos e a América
Latina aprimorou suas funções.
GALEANO, E. As veias abertas da América Latina. São Paulo: Paz e Terra, 1978.
Escrito na década de 1970, o texto considera a
participação da América Latina na Divisão Internacional
do Trabalho marcada pela
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: História → Colonização da América Latina e Divisão Internacional do Trabalho
- ⚡ Nível: Médio — o texto é interpretável, mas exige vocabulário histórico-econômico (imperialismo, DIT) para escolher a alternativa exata.
- 🎯 Tema/Habilidade: Relações de dependência econômica e exploração colonial/imperialista da América Latina.
- 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Segundo Galeano, o que marca a participação da América Latina na Divisão Internacional do Trabalho?"
- Palavras-chave decisivas: especializou-se em perder, cravaram os dentes na garganta, Divisão Internacional do Trabalho
- Armadilha típica: confundir "perder" com dependência de importação de alimentos (E) ou ler o texto como algo positivo/atual (A, B, D).
- O que a resposta precisa demonstrar: que a região foi historicamente explorada — teve seus recursos apropriados por potências externas em benefício destas.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Divisão Internacional do Trabalho (DIT): organização da economia mundial em que cada país se especializa numa função. Na DIT clássica, o centro industrializa e a periferia fornece matérias-primas e produtos primários baratos.
- Imperialismo/colonialismo econômico: dominação de territórios e economias por potências externas para extrair riquezas (metais, produtos tropicais, mão de obra), transferindo valor da periferia para o centro.
- Teoria da dependência (contexto de Galeano): a pobreza latino-americana não é "atraso", mas resultado estrutural da exploração — "o desenvolvimento de uns é feito do subdesenvolvimento de outros".
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "alguns países se especializam em ganhar e outros, em perder" → a DIT é desigual; a América Latina está no polo perdedor.
- Evidência 2: "os europeus do Renascimento se aventuraram pelos mares e lhe cravaram os dentes na garganta" → metáfora violenta da conquista europeia, que subjuga a região e drena suas riquezas.
- Síntese: o texto descreve uma relação de exploração externa que começa na colonização e se perpetua — ou seja, apropriação imperialista dos recursos do território latino-americano.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar quem age e quem sofre a ação
Os agentes são "os europeus do Renascimento" (potências externas); quem sofre é "nossa comarca", a América Latina. O verbo-chave "cravaram os dentes na garganta" indica dominação forçada e extração — não uma troca voluntária, mas apropriação.
Subpasso 4.2 — Traduzir "especializou-se em perder"
Perder, aqui, significa ter riquezas retiradas: ouro, prata, açúcar, matérias-primas. A "especialização" latino-americana na DIT foi a de fornecedora de recursos para o enriquecimento alheio. Isso é, por definição, exploração imperialista dos recursos do território.
Subpasso 4.3 — Verificação
A ideia central (exploração externa dos recursos da região, iniciada na conquista europeia e mantida por séculos) corresponde diretamente a "apropriação imperialista dos recursos territoriais" — alternativa C. As demais ou invertem o sentido (progresso, superação, valorização) ou trocam o objeto da exploração (alimentos).
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) produção inovadora de padrões de tecnologia.
❌ Incorreta: na DIT clássica, a tecnologia e a inovação ficam com o centro industrializado; a periferia fornece produtos primários. O texto não atribui inovação alguma à América Latina.
B) superação paulatina do caráter agroexportador.
❌ Incorreta: Galeano afirma o oposto — a região "aprimorou suas funções" de perdedora, mantendo e reforçando (não superando) sua condição exportadora e dependente.
C) apropriação imperialista dos recursos territoriais.
✅ Correta: a metáfora dos "dentes na garganta" e o "especializar-se em perder" descrevem exatamente a extração de riquezas do território pelas potências externas — a essência da exploração imperialista.
D) valorização econômica dos saberes tradicionais.
❌ Incorreta: o texto trata de espoliação, não de valorização; saberes tradicionais sequer são mencionados, e a lógica da DIT desvaloriza a periferia.
E) dependência externa do suprimento de alimentos.
❌ Incorreta: inverte o fluxo. A América Latina foi fornecedora (exportadora) de recursos e alimentos ao exterior, não dependente de importá-los; o "perder" é dar riqueza, não faltar comida.
🏆 Gabarito: C — Galeano descreve a América Latina como território cujos recursos foram sistematicamente apropriados por potências externas, caracterizando a exploração imperialista.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: só C capta o sentido de espoliação externa ("cravaram os dentes na garganta" + "especializou-se em perder"); as outras invertem ou distorcem o texto.
- Padrão de cobrança: o ENEM adora textos críticos (Galeano, teoria da dependência) para exigir a leitura da América Latina como periferia explorada, não como protagonista do desenvolvimento.
- Generalização: em textos com tom crítico sobre a região, desconfie de alternativas otimistas (inovação, superação, valorização) — costumam ser distratores.
- Dica de eliminação rápida: corte A, B e D por serem "positivas demais" para o tom do texto; entre C e E, veja a direção do fluxo — a região dá recursos (C), não recebe alimentos (E).
- Conexões: Pacto Colonial, metalismo/mercantilismo, teoria centro-periferia e neocolonialismo.
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