Mapa de questões · 1º dia
Questão 68 — ENEM 2020Caderno azul · 1º Dia
A reabilitação da biografi a histórica integrou as
aquisições da história social e cultural, oferecendo
aos diferentes atores históricos uma importância
diferenciada, distinta, individual. Mas não se tratava
mais de fazer, simplesmente, a história dos grandes
nomes, em formato hagiográfi co — quase uma vida
de santo —, sem problemas, nem máculas. Mas de
examinar os atores (ou o ator) célebres ou não, como
testemunhas, como refl exos, como reveladores de uma
época.
DEL PRIORE, M. Biografi a: quando o indivíduo encontra a história.
Topoi, n. 19, jul.-dez. 2009.
De acordo com o texto, novos estudos têm valorizado
a história do indivíduo por se constituir como
possibilidade de
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: História → Historiografia (Nova História, história social e cultural)
- ⚡ Nível: Fácil — a resposta está contida na lógica do próprio texto, exigindo boa interpretação.
- 🎯 Tema/Habilidade: Transformações da escrita da história e o novo lugar do indivíduo (compreender diferentes concepções historiográficas).
- 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Segundo o texto, por que a nova biografia histórica valoriza o indivíduo?"
- Palavras-chave decisivas: testemunhas, reveladores de uma época, história social e cultural
- Armadilha típica: confundir a nova biografia (crítica) com a antiga biografia hagiográfica de "grandes homens" e heróis — justamente o modelo que o texto REJEITA.
- O que a resposta precisa demonstrar: que o indivíduo interessa como janela para compreender a sociedade e o tempo em que viveu, e não como figura excepcional isolada.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Biografia hagiográfica: modelo tradicional que narrava a vida de "grandes nomes" como santos ou heróis perfeitos, "sem máculas", exaltando feitos individuais.
- Nova História / história social e cultural: corrente historiográfica (herdeira da Escola dos Annales) que desloca o foco dos grandes acontecimentos e personagens para as estruturas sociais, mentalidades e o cotidiano das pessoas comuns.
- Indivíduo como "revelador": na nova abordagem, biografar alguém — célebre ou anônimo — serve para iluminar o contexto coletivo, os valores e as práticas de toda uma época.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "não se tratava mais de fazer, simplesmente, a história dos grandes nomes, em formato hagiográfico" → o texto rompe explicitamente com a biografia heroica/laudatória tradicional.
- Evidência 2: "examinar os atores (ou o ator) célebres ou não, como testemunhas, como reflexos, como reveladores de uma época" → o indivíduo vale como espelho de seu tempo e de seu grupo social, não por si mesmo.
- Síntese: se a biografia agora serve para "revelar uma época" através de atores "célebres ou não", o ganho é o acesso à vida coletiva, ao dia a dia das pessoas comuns e de suas comunidades.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar a ruptura
O texto marca uma oposição clara: antes, biografia = culto aos grandes homens (formato "quase uma vida de santo"). Agora, biografia = instrumento de análise social. A expressão "célebres ou não" é decisiva: inclui gente anônima, comum, do povo.
Subpasso 4.2 — Traduzir "reveladores de uma época"
Se qualquer indivíduo funciona como "testemunha", "reflexo" e "revelador", o historiador usa a trajetória pessoal para enxergar o mundo social que a cercava: hábitos, crenças, relações do dia a dia. Isso é, precisamente, acessar o cotidiano das comunidades.
Subpasso 4.3 — Verificação
Cruzando com as alternativas, apenas "acesso ao cotidiano das comunidades" (D) traduz o sentido de estudar o indivíduo como porta de entrada para a experiência coletiva de uma época. As demais reproduzem ou o modelo antigo (heróis, elites, divino) ou uma escola oposta (positivismo).
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) adesão ao método positivista.
❌ Incorreta: o positivismo valoriza o fato "objetivo", os documentos oficiais e a história política dos grandes eventos — o oposto da abordagem social e cultural defendida no texto.
B) expressão do papel das elites.
❌ Incorreta: o texto inclui atores "célebres ou não", ampliando o olhar para além das elites; restringir às elites contraria o "ou não".
C) resgate das narrativas heroicas.
❌ Incorreta: é exatamente o modelo hagiográfico que o texto REJEITA ("não se tratava mais... dos grandes nomes"). Armadilha clássica.
D) acesso ao cotidiano das comunidades.
✅ Correta: ao tratar o indivíduo como "revelador de uma época", a nova biografia ilumina a vida coletiva e cotidiana, integrando as conquistas da história social e cultural.
E) interpretação das manifestações do divino.
❌ Incorreta: a referência a "vida de santo" é apenas uma comparação com o antigo formato laudatório, não uma proposta de estudar o sagrado ou o divino.
🏆 Gabarito: D — a nova biografia usa o indivíduo (famoso ou anônimo) como testemunha reveladora de sua época, dando acesso ao cotidiano das comunidades.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: só D capta o objetivo da história social e cultural — entender o coletivo por meio do indivíduo, e não celebrá-lo.
- Padrão de cobrança: o ENEM adora questões de historiografia que contrastam a história tradicional (grandes homens, fatos políticos) com a Nova História (cotidiano, mentalidades, gente comum).
- Generalização: sempre que um texto valorizar pessoas "comuns" ou o "cotidiano", a resposta tende para a história social/cultural — nunca para heróis, elites ou positivismo.
- Dica de eliminação rápida: corte de imediato tudo que reproduz o modelo antigo (C heróis, B elites, E divino) e o método rival (A positivista); sobra o olhar sobre o cotidiano.
- Conexões: Escola dos Annales, micro-história (Carlo Ginzburg), história das mentalidades.
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