Mapa de questões · 1º dia
Questão 62 — ENEM 2020Caderno azul · 1º Dia
Sexto rei sumério (governante entre os séculos XVIII e
XVII a.C.) e nascido em Babel, “Khammu-rabi” (pronúncia
em babilônio) foi fundador do I Império Babilônico
(correspondente ao atual Iraque), unificando amplamente
o mundo mesopotâmico, unindo os semitas e os sumérios
e levando a Babilônia ao máximo esplendor. O nome
de Hamurabi permanece indissociavelmente ligado ao
código jurídico tido como o mais remoto já descoberto: o
Código de Hamurabi. O legislador babilônico consolidou
a tradição jurídica, harmonizou os costumes e estendeu o
direito e a lei a todos os súditos.
Disponível em: www.direitoshumanos.usp.br. Acesso em: 12 fev. 2013 (adaptado).
Nesse contexto de organização da vida social, as leis
contidas no Código citado tinham o sentido de
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: História → Antiguidade Oriental (Mesopotâmia) e origem do direito escrito
- ⚡ Nível: Fácil — basta conhecer a natureza do Código de Hamurabi como conjunto de leis penais.
- 🎯 Tema/Habilidade: Formação do Estado e do direito na Mesopotâmia; compreender como a codificação das leis organiza a vida social (avaliar criticamente relações de poder e normas sociais).
- 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual era o sentido/finalidade das leis do Código de Hamurabi na organização da vida social?"
- Palavras-chave decisivas: código jurídico, consolidou a tradição jurídica, estendeu o direito e a lei a todos os súditos
- Armadilha típica: Projetar valores modernos (garantias individuais, direitos humanos, cidadania) sobre um Estado teocrático e escravista da Antiguidade — anacronismo puro.
- O que a resposta precisa demonstrar: Que o Código funcionava como um conjunto de normas que definiam as condutas proibidas e suas respectivas penas, ou seja, tipificava crimes e punições.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Código de Hamurabi (séc. XVIII a.C.): Conjunto de cerca de 282 leis gravadas em uma estela de diorito, atribuídas ao rei babilônico Hamurabi. É o mais antigo código de leis escrito relevante que se conhece de forma extensa.
- Lei de talião: Princípio que orienta boa parte do código — "olho por olho, dente por dente". A punição é proporcional ao dano, definindo previamente o ato e sua pena.
- Tipificar: Descrever de forma objetiva uma conduta considerada crime e estabelecer a sanção correspondente. É exatamente a lógica de um código penal.
- Sociedade estamental e desigual: As penas variavam conforme a posição social (homem livre, escravo). Não havia igualdade de todos perante a lei nem "garantias individuais".
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "o código jurídico tido como o mais remoto já descoberto" → o texto trata de um conjunto de leis, ou seja, normas que regulam condutas.
- Evidência 2: "consolidou a tradição jurídica, harmonizou os costumes e estendeu o direito e a lei a todos os súditos" → a função é normatizar a vida social: dizer o que é permitido, o que é proibido e como punir.
- Síntese: O enunciado descreve um instrumento legal cujo papel é regular comportamentos e estabelecer punições — logo, a resposta deve girar em torno da definição de atos puníveis, e não de direitos ou benefícios modernos.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Entender a natureza do documento
O Código de Hamurabi é essencialmente um código penal e civil primitivo. Suas leis seguem a estrutura "se alguém fizer X, sofrerá a pena Y". Exemplo clássico: "Se um homem arrancar o olho de outro, seu olho será arrancado". Isso é a essência da tipificação: descrever a conduta e fixar a punição.
Subpasso 4.2 — Traduzir o comando para as alternativas
A questão pergunta qual era o "sentido" das leis. O sentido de um código dessa natureza é organizar a sociedade estabelecendo quais atos são crimes e quais penas correspondem a eles. Isso corresponde diretamente a "tipificar regras referentes aos atos dignos de punição".
Subpasso 4.3 — Verificação
Confrontando com as alternativas: a única que descreve corretamente a lógica de um código de leis penais é a letra B. As demais introduzem conceitos anacrônicos (garantias individuais, indulto, distribuição de terras, prerrogativas políticas) que não descrevem a função do Código de Hamurabi. Confirma-se a letra B.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) assegurar garantias individuais aos cidadãos livres.
❌ Incorreta: "garantias individuais" é um conceito jurídico moderno (iluminismo, séc. XVIII, declarações de direitos). O Código não protegia o indivíduo contra o Estado; regulava condutas e punia infrações.
B) tipificar regras referentes aos atos dignos de punição.
✅ Correta: descreve com precisão a função do código — definir condutas proibidas e as penas correspondentes (lógica da lei de talião), organizando a vida social pela definição de crimes e castigos.
C) conceder benefícios de indulto aos prisioneiros de guerra.
❌ Incorreta: indulto (perdão de pena) não é o objeto do código, que estabelece punições, não perdões. Prisioneiros de guerra em geral eram escravizados, não beneficiados.
D) promover distribuição de terras aos desempregados urbanos.
❌ Incorreta: anacronismo duplo — não havia "desempregados urbanos" como categoria, nem política de reforma agrária. A terra era controlada pelo Estado/templo e pela elite.
E) conferir prerrogativas políticas aos descendentes de estrangeiros.
❌ Incorreta: o código não tratava de concessão de direitos políticos, e menos ainda a estrangeiros. O poder político era centralizado no rei, visto como intermediário dos deuses.
🏆 Gabarito: B — O Código de Hamurabi tipificava condutas, isto é, definia previamente os atos considerados crimes e as penas a eles aplicáveis.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: Um código de leis da Antiguidade cumpre a função de normatizar a sociedade dizendo o que é proibido e como punir — exatamente "tipificar atos dignos de punição" (B).
- Padrão de cobrança: O ENEM adora testar se o candidato entende a natureza das instituições antigas sem cair em anacronismo, contrastando conceitos modernos (direitos humanos, cidadania, democracia) com sociedades teocráticas e desiguais.
- Generalização: Em questões sobre Antiguidade, desconfie de alternativas que usam vocabulário jurídico-político moderno (garantias individuais, indulto, prerrogativas políticas, reforma agrária) — quase sempre são pegadinhas anacrônicas.
- Dica de eliminação rápida: Elimine A, C, D e E por anacronismo em segundos; sobra apenas B, que descreve a função concreta de um código de leis.
- Conexões: Lei de talião; Estado teocrático mesopotâmico; comparação com o direito romano (Lei das XII Tábuas) e a origem do direito escrito.
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