Pular para o conteúdo
MemorizeMemorize
Mapa de questões · 1º dia
HumanasGeografiaFácil

Questão 58ENEM 2020Caderno azul · 1º Dia

O planejamento deixou de controlar o crescimento

urbano e passou a encorajá-lo por todos os meios

possíveis e imagináveis. Cidades, a nova mensagem

soou em alto e bom som, eram máquinas de produzir

riquezas; o primeiro e principal objetivo do planejamento

devia ser o de azeitar a máquina.

HALL, P. Cidades do amanhã: uma história intelectual do planejamento e do projeto

urbanos no século XX. São Paulo: Perspectiva, 2016 (adaptado).

O modelo de planejamento urbano problematizado no

texto é marcado pelo(a)

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Geografia Urbana (planejamento e produção do espaço urbano)
  • ⚡ Nível: Fácil — a resposta está contida na própria metáfora do texto ("cidade como máquina de produzir riqueza"), bastando interpretação dirigida.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Modelos de planejamento urbano e a lógica do capital no espaço da cidade (analisar a produção do território a partir de interesses econômicos).
  • 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual característica define o modelo de planejamento urbano que o autor critica?"
  • Palavras-chave decisivas: "encorajá-lo por todos os meios", "máquinas de produzir riquezas", "azeitar a máquina"
  • Armadilha típica: confundir o que o texto critica (o modelo problematizado) com o que seria desejável (bem-estar, sustentabilidade, gestão popular). O enunciado pede o modelo denunciado, não o ideal.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que o planejamento passou a servir aos interesses da acumulação econômica, favorecendo o setor privado/empresarial.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Planejamento urbano: conjunto de ações do poder público para ordenar o crescimento e o uso do solo da cidade; pode priorizar o interesse coletivo ou os interesses do mercado.
  • Cidade como mercadoria (city marketing / empreendedorismo urbano): concepção em que a cidade é gerida como uma empresa, cujo objetivo é atrair investimentos e gerar lucro, subordinando o espaço à lógica do capital.
  • Interpretação de metáfora: "máquina de produzir riquezas" e "azeitar a máquina" indicam que o planejamento vira instrumento de fomento à atividade econômica, e não de controle social do território.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "O planejamento deixou de controlar o crescimento urbano e passou a encorajá-lo" → houve uma inversão de função: de regulador (limitar/ordenar) para estimulador do crescimento a qualquer custo.
  • Evidência 2: "Cidades... eram máquinas de produzir riquezas; o primeiro e principal objetivo do planejamento devia ser o de azeitar a máquina" → o fim do planejamento passa a ser lubrificar a engrenagem econômica, ou seja, viabilizar negócios e a acumulação de capital.
  • Síntese: o modelo problematizado subordina o urbanismo à geração de riqueza, colocando o planejador a serviço dos agentes econômicos — logo, o traço definidor é o protagonismo do setor privado/empresarial na cidade.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o objeto da crítica

O verbo "problematizado" no comando é decisivo: buscamos a característica do modelo criticado pelo autor. O texto descreve um planejamento que abandonou o controle do crescimento e virou promotor da produção de riqueza.

Subpasso 4.2 — Traduzir a metáfora econômica

"Máquina de produzir riquezas" equipara a cidade a uma unidade produtiva, e "azeitar a máquina" significa remover entraves e criar condições para que os negócios prosperem. Isso descreve um urbanismo pautado pela geração de lucro — em que quem lucra e investe são as empresas e os agentes econômicos privados (incorporadoras, construtoras, capital imobiliário). O planejamento passa a ampliar o espaço de atuação desses agentes.

Subpasso 4.3 — Verificação

Se o objetivo do planejamento é fazer a máquina econômica funcionar, o beneficiário e protagonista é o setor empresarial. A única alternativa que expressa esse deslocamento é a E) ampliação da participação empresarial. As demais descrevem finalidades sociais/coletivas ou estatais que o texto justamente denuncia estarem ausentes.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) primazia da gestão popular.

❌ Incorreta: gestão popular implicaria protagonismo da população e da participação social nas decisões urbanas. O texto descreve exatamente o oposto — a cidade orientada pela lógica da riqueza, não pela vontade coletiva.

B) uso de práticas sustentáveis.

❌ Incorreta: sustentabilidade não aparece no texto; um crescimento "encorajado por todos os meios possíveis e imagináveis" sugere expansão sem freios, contrária à preocupação ambiental.

C) construção do bem-estar social.

❌ Incorreta: o objetivo declarado é "azeitar a máquina" de riquezas, não promover bem-estar. A crítica do autor recai justamente sobre a substituição de fins sociais por fins econômicos.

D) soberania do poder governamental.

❌ Incorreta: embora o planejamento seja função estatal, o texto não trata de fortalecimento do poder do Estado, e sim de o Estado colocar o planejamento a serviço da produção de riqueza — ou seja, subordinado ao mercado, não soberano sobre ele.

E) ampliação da participação empresarial.

✅ Correta: tratar a cidade como "máquina de produzir riquezas" e o planejamento como forma de "azeitar" essa máquina revela um urbanismo voltado à geração de lucro, que amplia o espaço e o protagonismo dos agentes econômicos e empresariais no território.

🏆 Gabarito: E — o modelo criticado transforma o planejamento em instrumento de acumulação de riqueza, ampliando a atuação do setor empresarial na cidade.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só a letra E capta a inversão descrita — do planejamento como controle social para o planejamento como fomento aos negócios, cujo beneficiário é o empresariado.
  • Padrão de cobrança: o ENEM adora textos de Geografia Urbana que criticam a "cidade-empresa"/"cidade-mercadoria" e a subordinação do espaço ao capital (gentrificação, especulação imobiliária, grandes eventos).
  • Generalização: quando um texto descreve a cidade em termos de lucro, riqueza ou mercado, a resposta correta tende a apontar para interesses econômicos/privados, não para finalidades sociais.
  • Dica de eliminação rápida: corte de imediato as alternativas "boas demais" (bem-estar social, práticas sustentáveis, gestão popular) — elas descrevem o ideal, não o modelo problematizado.
  • Conexões: empreendedorismo urbano, especulação imobiliária, direito à cidade (Henri Lefebvre) e segregação socioespacial.

Comunidade Memorize · Grátis

Não perca nenhuma live, aula ou material.

Entre na comunidade do WhatsApp e receba os avisos de tudo que a equipe Memorize lança de graça — direto no seu celular.