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Mapa de questões · 1º dia
HumanasSociologiaDifícil

Questão 9 — ENEM 2012Caderno azul · 1º Dia

Na regulação de matérias culturalmente delicadas, como, por exemplo, a linguagem oficial, os currículos da educação pública, o status das Igrejas e das comunidades religiosas, as normas do direito penal (por exemplo, quanto ao aborto), mas também em assuntos menos chamativos, como, por exemplo, a posição da família e dos consórcios semelhantes ao matrimônio, a aceitação de normas de segurança ou a delimitação das esferas pública e privada — em tudo isso reflete-se amiúde apenas o autoentendimento ético-político de uma cultura majoritária, dominante por motivos históricos. Por causa de tais regras, implicitamente repressivas, mesmo dentro de uma comunidade republicana que garanta formalmente a igualdade de direitos para todos, pode eclodir um conflito cultural movido pelas minorias desprezadas contra a cultura da maioria.

HABERMAS, J. A inclusão do outro: estudos de teoria política. São Paulo: Loyola, 2002.

A reivindicação dos direitos culturais das minorias, como exposto por Habermas, encontra amparo nas democracias contemporâneas, na medida em que se alcança

Alternativas

Resolução

📋 Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Sociologia → Habermas (democracia e minorias)
  • ⚡ Nível: Difícil — a resposta é o debate público, não a separação nem a assimilação.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Como acomodar diferenças culturais na democracia.
  • 🏆 Gabarito: C — revelado após a resolução completa

🔎 Passo 1 — O que a questão pede

  • Comando: como as democracias podem acomodar as reivindicações das minorias.
  • Estrutura da questão: o texto mostra que regras aparentemente neutras — língua oficial, currículo, direito penal — refletem a cultura majoritária.
  • Armadilha antecipada: alternativas extremas: separar a minoria em território próprio ou dissolver as diferenças numa cultura única. Habermas rejeita as duas.

📚 Passo 2 — O conceito em jogo

Habermas propõe a democracia deliberativa: a legitimidade das decisões vem do debate público em que todos os afetados podem participar com argumentos.

Coerção do melhor argumento é a expressão que ele usa para a força não violenta da razão: vence quem convence, não quem tem mais poder.

O modelo não elimina as diferenças nem as isola: submete as pretensões de cada grupo ao teste do debate público.

🧮 Passo 4 — O caminho até a resposta

Descarte os extremos: secessão isola a minoria; reunificação em torno de uma cultura única dissolve a diferença.

Identifique a proposta de Habermas: as reivindicações de cada grupo entram na arena pública e são submetidas ao debate.

A saída é a coexistência das diferenças mediada pelo debate público — alternativa C.

🔍 Passo 5 — Análise das Alternativas

  • A) ✗ Incorreta. Secessão significa separar-se, o que não resolve a convivência: apenas a suprime.
  • B) ✗ Incorreta. Reunificar em torno de uma cultura política única dissolve as diferenças que se pretendia acomodar.
  • C) ✓ Correta. É a proposta deliberativa: as diferenças coexistem e suas pretensões se submetem ao debate público.
  • D) ✗ Incorreta. Exigir que os indivíduos se libertem de suas origens é assimilação, e não acomodação da diferença.
  • E) ✗ Incorreta. O desaparecimento de toda limitação inviabilizaria a própria arena pública, que depende de regras compartilhadas de debate.

🏁 Passo 6 — O que levar dessa questão

Em Habermas, a saída nunca é separar nem dissolver: é submeter ao debate. Extremos costumam estar errados.

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