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Mapa de questões · 1º dia
HumanasFilosofiaDifícil

Questão 30 — ENEM 2012Caderno azul · 1º Dia

Experimentei algumas vezes que os sentidos eram enganosos, e é de prudência nunca se fiar inteiramente em quem já nos enganou uma vez.

DESCARTES, R. Meditações Metafísicas. São Paulo: Abril Cultural, 1979.

Sempre que alimentarmos alguma suspeita de que uma ideia esteja sendo empregada sem nenhum significado, precisaremos apenas indagar: de que impressão deriva esta suposta ideia? E se for impossível atribuir-lhe qualquer impressão sensorial, isso servirá para confirmar nossa suspeita.

HUME, D. Uma investigação sobre o entendimento. São Paulo: Unesp, 2004 (adaptado).

Nos textos, ambos os autores se posicionam sobre a natureza do conhecimento humano. A comparação dos excertos permite assumir que Descartes e Hume

Alternativas

Resolução

📋 Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Filosofia → Racionalismo e empirismo
  • ⚡ Nível: Difícil — os dois textos discordam sobre o papel dos sentidos.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Descartes e Hume diante da sensação.
  • 🏆 Gabarito: E — revelado após a resolução completa

🔎 Passo 1 — O que a questão pede

  • Comando: o que os dois textos permitem concluir sobre os autores.
  • Estrutura da questão: Descartes desconfia dos sentidos; o segundo texto propõe verificar de que impressão sensível a ideia deriva.
  • Armadilha antecipada: supor que ambos concordam. Eles partem de posições opostas quanto à origem do conhecimento.

📚 Passo 2 — O conceito em jogo

O racionalismo de Descartes toma a razão como fonte do conhecimento verdadeiro e submete os sentidos à dúvida metódica: quem já enganou uma vez não merece confiança.

O empirismo de Hume faz o percurso inverso: toda ideia legítima deriva de uma impressão sensível, e ideias sem essa origem devem ser descartadas como sem sentido.

Os dois usam os sentidos como critério, mas em direções opostas — um para desconfiar, outro para validar.

🧮 Passo 4 — O caminho até a resposta

Leia o primeiro texto: os sentidos enganam, logo não são base segura para o conhecimento.

Leia o segundo: uma ideia só tem significado se puder ser remetida a uma impressão sensível.

Os autores atribuem lugares diferentes aos sentidos no processo de conhecer — alternativa E.

🔍 Passo 5 — Análise das Alternativas

  • A) ✗ Incorreta. Descartes faz o oposto: desconfia dos sentidos como critério de legitimidade.
  • B) ✗ Incorreta. O segundo texto propõe justamente suspeitar do significado das ideias, e não dispensar essa suspeita.
  • C) ✗ Incorreta. O criticismo é a síntese kantiana entre as duas tradições, posterior a ambos os autores.
  • D) ✗ Incorreta. Nenhum dos dois nega a possibilidade do conhecimento: ambos propõem critérios para alcançá-lo.
  • E) ✓ Correta. Um desconfia dos sentidos e o outro os toma como critério de legitimidade — lugares opostos no mesmo processo.

🏁 Passo 6 — O que levar dessa questão

Racionalismo desconfia dos sentidos; empirismo funda-se neles. Quando os dois aparecem juntos, a resposta é a diferença.

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