Mapa de questões · 1º dia
Questão 31 — ENEM 2012Caderno azul · 1º Dia
Não ignoro a opinião antiga e muito difundida de que o que acontece no mundo é decidido por Deus e pelo acaso. Essa opinião é muito aceita em nossos dias, devido às grandes transformações ocorridas, e que ocorrem diariamente, as quais escapam à conjectura humana. Não obstante, para não ignorar inteiramente o nosso livre-arbítrio, creio que se pode aceitar que a sorte decida metade dos nossos atos, mas [o livre-arbítrio] nos permite o controle sobre a outra metade.
MAQUIAVEL, N. O Príncipe. Brasília: EdUnB, 1979 (adaptado).
Em O Príncipe, Maquiavel refletiu sobre o exercício do poder em seu tempo. No trecho citado, o autor demonstra o vínculo entre o seu pensamento político e o humanismo renascentista ao
Alternativas
Resolução
📋 Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Filosofia → Maquiavel (fortuna e virtù)
- ⚡ Nível: Muito difícil — o autor recusa entregar tudo ao destino.
- 🎯 Tema/Habilidade: O livre-arbítrio contra Deus e o acaso.
- 🏆 Gabarito: C — revelado após a resolução completa
🔎 Passo 1 — O que a questão pede
- Comando: qual a posição do autor diante da opinião difundida em seu tempo.
- Estrutura da questão: ele reconhece a crença de que tudo é decidido por Deus e pelo acaso, e em seguida a limita para preservar o livre-arbítrio.
- Armadilha antecipada: escolher alternativas que aceitam a interferência divina ou negam totalmente o acaso. Maquiavel faz um meio-termo: metade fortuna, metade ação humana.
📚 Passo 2 — O conceito em jogo
Fortuna, em Maquiavel, é o conjunto do que escapa ao controle humano — o acaso, as circunstâncias. Virtù é a capacidade de agir com eficácia diante dela.
Ele estima que a fortuna decide cerca de metade dos acontecimentos, deixando a outra metade à ação humana. Não é fatalismo nem onipotência.
A consequência é decisiva para o pensamento político moderno: se metade depende de nós, cabe estudar racionalmente como agir — a política se torna objeto de análise, não de resignação.
🧮 Passo 4 — O caminho até a resposta
Identifique a opinião que ele reporta: tudo é decidido por Deus e pelo acaso.
Identifique sua ressalva: para não ignorar inteiramente o livre-arbítrio, parte dos acontecimentos depende da ação humana.
A posição é a confiança na razão autônoma como fundamento da ação — alternativa C.
🔍 Passo 5 — Análise das Alternativas
- A) ✗ Incorreta. Ele relativiza a interferência divina em vez de valorizá-la, justamente para preservar espaço à ação humana.
- B) ✗ Incorreta. Maquiavel não rejeita o acaso: reconhece a fortuna como força real, atribuindo-lhe cerca de metade dos acontecimentos.
- C) ✓ Correta. Ao reservar espaço ao livre-arbítrio, ele funda a ação política na capacidade racional do homem de agir sobre as circunstâncias.
- D) ✗ Incorreta. Maquiavel recorre constantemente aos exemplos históricos: o passado é sua principal fonte de aprendizado.
- E) ✗ Incorreta. Sua contribuição é justamente separar a política da teologia, e não unir fé e razão.
🏁 Passo 6 — O que levar dessa questão
Maquiavel divide o mundo entre fortuna e virtù. É essa metade sob controle humano que funda a política moderna.
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