Mapa de questões · 1º dia
Questão 41 — ENEM 2010Caderno azul · 1º Dia
"Pecado nefando" era expressão correntemente utilizada pelos inquisidores para a sodomia. Nefandus: o que não pode ser dito. A Assembleia de clérigos reunida em Salvador, em 1707, considerou a sodomia "tão péssimo e horrendo crime", tão contrário à lei da natureza, que "era indigno de ser nomeado" e, por isso mesmo, nefando.
NOVAIS, F.; MELLO E SOUZA, L. História da Vida Privada no Brasil. V. 1.
São Paulo: Companhia das Letras, 1997 (adaptado).
O número de homossexuais assassinados no Brasil bateu o recorde histórico em 2009. De acordo com o Relatório Anual de Assassinato de Homossexuais (LGBT - Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis), nesse ano foram registrados 195 mortos por motivação homofóbica no País.
Disponível em: www.alemdanoticia.com.br/ultimas_noticias.php?codnoticia=3871. Acesso em: 29 abr. 2010 (adaptado).
A homofobia é a rejeição e menosprezo à orientação sexual do outro e, muitas vezes, expressa-se sob a forma de comportamentos violentos. Os textos indicam que as condenações públicas, perseguições e assassinatos de homossexuais no país estão associadas
Alternativas
Resolução
📋 Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: História → Permanências históricas (intolerância e violência)
- ⚡ Nível: Médio — dois textos separados por três séculos, e a questão pede o fio entre eles.
- 🎯 Tema/Habilidade: Do pecado nefando à violência homofóbica contemporânea.
- 🏆 Gabarito: D — revelado após a resolução completa
🔎 Passo 1 — O que a questão pede
- Comando: que causa comum explica a perseguição do século XVIII e a violência de hoje.
- Estrutura da questão: o primeiro texto é da Inquisição colonial; o segundo, de estatísticas recentes. A questão pede o elo, não a comparação.
- Armadilha antecipada: alternativas que culpam a Constituição de 1988 ou a democracia. Nenhuma das duas produz a violência descrita — e a de 1988 é a base jurídica de sua contestação.
📚 Passo 2 — O conceito em jogo
Permanência histórica é o traço cultural que atravessa períodos, mudando de forma sem desaparecer. A intolerância não precisa de lei que a autorize para continuar operando.
Na colônia, a condenação era religiosa e institucional — pecado nefando, crime contra a natureza, indigno de ser nomeado. Nomear como inominável é apagar a existência do outro.
Hoje a condenação não é oficial, mas o valor que a sustentava sobrevive na cultura e reaparece como violência privada.
🧮 Passo 4 — O caminho até a resposta
Identifique o que o texto colonial faz: transforma um comportamento em crime contra a natureza e o coloca fora do dizível.
Identifique o que persiste: o julgamento moral do corpo e do desejo alheios como monstruosidade.
Essa continuidade — demonização do corpo e formas recorrentes de intolerância — é a alternativa D.
🔍 Passo 5 — Análise das Alternativas
- A) ✗ Incorreta. A ausência de representação política pode dificultar a proteção legal, mas não explica a origem histórica da violência descrita nos dois textos.
- B) ✗ Incorreta. Não há falência da democracia no Brasil, e as estatísticas citadas no segundo texto existem justamente porque são divulgadas.
- C) ✗ Incorreta. A Constituição de 1988 estabelece igualdade e dignidade como princípios. Ela é fundamento da luta contra a discriminação, não sua causa.
- D) ✓ Correta. Nomeia a permanência que liga os dois textos: a demonização histórica do corpo e a repetição de formas de intolerância.
- E) ✗ Incorreta. Não houve política eugênica estatal dirigida a esse grupo. O mecanismo descrito é moral e religioso, não científico-racial.
🏁 Passo 6 — O que levar dessa questão
Quando o ENEM junta um documento antigo e um dado atual, ele está cobrando permanência. Procure o valor que sobreviveu à mudança de regime jurídico.
Comunidade Memorize · Grátis
Não perca nenhuma live, aula ou material.
Entre na comunidade do WhatsApp e receba os avisos de tudo que a equipe Memorize lança de graça — direto no seu celular.