Mapa de questões · 1º dia
Questão 34 — ENEM 2011Caderno azul · 1º Dia
No clima das ideias que se seguiram à revolta de São Domingos, o descobrimento de planos para um levante armado dos artífices mulatos na Bahia, no ano de 1798, teve impacto muito especial; esses planos demonstravam aquilo que os brancos conscientes tinham já começado a compreender: as ideias de igualdade social estavam a propagar-se numa sociedade em que só um terço da população era de brancos e iriam inevitavelmente ser interpretados em termos raciais.
MAXWELL. K. Condicionalismos da Independência do Brasil. In: SILVA, M.N. (coord.)
O Império luso-brasileiro, 1750-1822. Lisboa: Estampa, 1986.
O temor do radicalismo da luta negra no Haiti e das propostas das lideranças populares da Conjuração Baiana (1798) levaram setores da elite colonial brasileira a novas posturas diante das reivindicações populares. No período da Independência, parte da elite participou ativamente do processo, no intuito de
Alternativas
Resolução
📋 Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: História → Independência do Brasil (o medo do Haiti)
- ⚡ Nível: Médio — a elite queria independência sem revolução social.
- 🎯 Tema/Habilidade: A Conjuração Baiana e o projeto da elite.
- 🏆 Gabarito: D — revelado após a resolução completa
🔎 Passo 1 — O que a questão pede
- Comando: que postura a elite colonial adotou diante do risco de um levante popular.
- Estrutura da questão: o texto liga São Domingos, a revolta de 1798 na Bahia e o temor dos brancos diante da propagação das ideias de igualdade.
- Armadilha antecipada: alternativas que sugerem alianças com escravizados ou atendimento às demandas populares. A elite temia exatamente isso.
📚 Passo 2 — O conceito em jogo
A Revolução Haitiana (1791–1804) foi a única revolta de escravizados que resultou em Estado independente. Ela apavorou as elites escravistas de toda a América.
A Conjuração Baiana de 1798, também chamada Revolta dos Alfaiates, teve participação de mulatos pobres, artesãos e escravizados, e propunha igualdade racial e fim da escravidão.
O medo do haitianismo definiu o formato da Independência brasileira: rompimento com Portugal conduzido pela elite, mantendo a monarquia, a escravidão e a estrutura fundiária.
🧮 Passo 4 — O caminho até a resposta
Identifique o que assustou a elite: a possibilidade de a independência virar revolução social, com igualdade racial e fim da escravidão.
Identifique o interesse dela: manter a ordem escravista e a propriedade da terra.
A postura foi impedir que o movimento ganhasse teor libertário popular — alternativa D.
🔍 Passo 5 — Análise das Alternativas
- A) ✗ Incorreta. Não houve criação de partido nacional com participação afro-brasileira. A estratégia foi de exclusão, não de incorporação controlada.
- B) ✗ Incorreta. As reivindicações da Conjuração Baiana — igualdade racial e fim da escravidão — foram reprimidas, não atendidas. Seus líderes foram executados.
- C) ✗ Incorreta. Não houve aliança com lideranças escravas. A elite reprimiu duramente esses movimentos.
- D) ✓ Correta. É o núcleo do projeto da elite: independência política sem transformação social, preservando escravidão e propriedade.
- E) ✗ Incorreta. A elite negociou com o Príncipe Regente em vez de isolá-lo. D. Pedro foi peça central do arranjo.
🏁 Passo 6 — O que levar dessa questão
Independência do Brasil se resume numa frase: mudar de metrópole sem mudar de ordem social. O medo do Haiti explica o resto.
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