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Mapa de questões · 1º dia
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Questão 4ENEM 2024Caderno azul · 1º Dia

I remember being caught speaking Spanish at recess [...] I remember being sent to the corner of the classroom for “talking back” to the Anglo teacher when all I was trying to do was tell her how to pronounce my name. “If you want to be American, speak ‘American’. If you don’t like it, go back to Mexico where you belong”.

“I want you to speak English […]”, my mother would say, mortified that I spoke English like a Mexican. At Pan American University, I and all Chicano students were required to take two speech classes. Their purpose: to get rid of our accents.

ANZALDÚA, G. Borderlands/La Frontera: The New Mestiza. San Francisco: Aunt Lute Books, 1987

O problema abordado nesse texto sobre imigrantes residentes nos Estados Unidos diz respeito aos prejuízos gerados pelo(a)

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Inglês → leitura de texto autobiográfico sobre preconceito linguístico vivido por imigrantes chicanos nos Estados Unidos
  • ⚡ Nível: Médio — o texto é narrativo e direto, mas as alternativas são próximas entre si e exigem identificar exatamente qual prejuízo o relato denuncia
  • 🎯 Tema/Habilidade: Identificar, em texto autobiográfico, a forma de preconceito relatada — a rejeição ao sotaque como marca de origem
  • 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

Comando reformulado: "Qual é, exatamente, o prejuízo que esse relato denuncia?"

Palavras-chave decisivas: o problema abordado nesse texto, prejuízos gerados pelo(a)

Armadilha típica: confundir o cenário (imigração, duas línguas, gerações diferentes) com o prejuízo denunciado. O texto tem tudo isso, mas o que ele acusa é uma coisa só.

O que a resposta precisa demonstrar: que o candidato perceba que as três cenas do relato convergem para o mesmo alvo: a marca de origem que o sotaque revela ao falar inglês.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

Preconceito linguístico: julgar uma pessoa pela variedade que ela fala, tratando um modo de falar como inferior. Atinge tanto quem fala outra língua quanto quem fala a língua dominante com marca de origem.

Sotaque como marca de pertencimento: o sotaque não atrapalha a comunicação; ele denuncia de onde a pessoa vem. É por isso que se torna alvo: eliminá-lo é apagar a origem.

Contexto (Gloria Anzaldúa, Borderlands/La Frontera): obra sobre a experiência chicana na fronteira entre México e Estados Unidos, em que a autora relata a pressão institucional e familiar para falar "American".

Vocabulário decisivo: caught speaking Spanish (flagrada falando espanhol), talking back (responder/retrucar), pronounce my name (pronunciar meu nome), mortified (envergonhada), speech classes (aulas de dicção), get rid of our accents (livrar-se dos nossos sotaques).

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

Evidência 1: "I remember being sent to the corner of the classroom for 'talking back' [...] when all I was trying to do was tell her how to pronounce my name" → a punição vem de como o nome soa, não do que a menina disse.

Evidência 2: "mortified that I spoke English like a Mexican" → a mãe não reclama de a filha falar espanhol; reclama do inglês com marca mexicana. O alvo é o sotaque dentro do inglês.

Evidência 3: "I and all Chicano students were required to take two speech classes. Their purpose: to get rid of our accents" → a instituição transforma a eliminação do sotaque em exigência formal do curso.

Síntese: escola, família e universidade aparecem em três cenas diferentes, e as três atacam a mesma coisa: o modo como o inglês soa na boca de quem vem do espanhol.

Passo 4 — Resolução Passo a Passo

4.1 — Listar o que cada cena pune

A professora pune a pronúncia do nome. A mãe se envergonha do inglês "like a Mexican". A universidade obriga a aulas para apagar o sotaque. Em nenhuma das três o problema é falar espanhol em si — é o espanhol aparecendo dentro do inglês.

4.2 — Nomear o prejuízo

O que se rejeita é a marca de origem audível na fala. É o sotaque, e não a língua, que está sendo perseguido; e o custo é a exigência de apagar de si aquilo que identifica a pessoa.

4.3 — Verificação

A leitura precisa explicar por que a mãe, sendo ela própria mexicana, cobra o mesmo que a escola. Explica: a pressão é sobre o sotaque, e a mãe a reproduz para poupar a filha. Gabarito: A.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) repúdio ao sotaque espanhol no uso do inglês.

✅ Correta: é o que as três cenas têm em comum: a pronúncia do nome, o inglês falado "like a Mexican" e as aulas de dicção criadas para "get rid of our accents". O alvo é a marca do espanhol audível quando se fala inglês.

B) resignação diante do apagamento da língua materna

❌ Incorreta: o relato registra pressão e punição, não conformismo — e o texto é, ele próprio, uma denúncia. Além disso o que se cobra é o modo de falar inglês, não o abandono do espanhol.

C) escassez de oportunidades de aprendizado do espanhol.

❌ Incorreta: inverte o problema. Ninguém no texto quer aprender espanhol e não consegue; ao contrário, o espanhol já é a língua de casa e é justamente ele que se tenta apagar da fala.

D) choque entre falantes de línguas distintas de diferentes gerações.

❌ Incorreta: é o distrator mais forte, porque a mãe e a filha aparecem em desacordo. Mas as duas falam as mesmas línguas, e a mãe não representa outra língua: ela reproduz a mesma cobrança da escola.

E) concorrência entre as variações linguísticas do inglês e as do espanhol.

❌ Incorreta: não há disputa entre variedades no texto. Há uma hierarquia imposta de fora — um jeito de falar inglês é tratado como o certo, e o outro, como defeito a ser corrigido.

🏆 Gabarito: A — escola, família e universidade convergem sobre o mesmo alvo, o sotaque que denuncia a origem de quem fala inglês vindo do espanhol.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só A cobre as três cenas ao mesmo tempo; as demais explicam no máximo uma delas, e D explica-a mal.
  • Padrão de cobrança: o ENEM usa muito Anzaldúa e outros autores chicanos para cobrar preconceito linguístico. O comando costuma pedir "o problema abordado", e a resposta é sempre a forma específica de discriminação, não o cenário migratório.
  • A regra geral que se leva: quando o relato traz várias cenas, procure o denominador comum entre elas. A alternativa certa é a que serve para todas; as erradas costumam servir para uma só.
  • Eliminação em 30 segundos: volte à frase "spoke English like a Mexican". Ela diz que a língua falada era o inglês e que o problema era o como. Isso derruba de uma vez C e E, que falam de espanhol como língua em disputa.
  • Temas que vêm junto: variação linguística e preconceito, identidade e língua materna, e literatura de fronteira em língua inglesa.

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