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Mapa de questões · 1º dia
HumanasFilosofiaMédio

Questão 82ENEM 2025Caderno azul · 1º Dia

A cidade justa é governada pelos filósofos, administrada pelos cientistas, protegida pelos guerreiros e mantida pelos produtores. Cada classe cumprirá sua função para o bem da pólis, racionalmente dirigida pelos filósofos. Em contrapartida, a cidade injusta é aquela onde o governo está nas mãos dos proprietários — que não pensam no bem comum da pólis e lutarão por interesses econômicos particulares.

CHAUI, M. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2000.

O texto apresenta uma estrutura de governo da cidade ideal pensada por Platão, que postula uma indissociabilidade entre

Alternativas

Resolução em Vídeo

Resolução

📋 Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Filosofia → Platão → A República e a Cidade Justa
  • ⚡ Nível: Médio — exige conectar a teoria platônica da cidade ideal à indissociabilidade entre ética e política.
  • 🎯 Tema/Habilidade BNCC: Análise do pensamento político-ético de Platão.
  • 🏆 Gabarito: revelado após resolução completa

🔎 Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual par conceitual é indissociável na cidade ideal de Platão, segundo o texto?"
  • Palavras-chave decisivas: cidade justa, filósofos governam, classe cumpre sua função, bem da pólis, cidade injusta, proprietários, interesses particulares
  • Armadilha típica: Marcar D (moralidade e virtudes cardeais) ao focar na justiça como virtude pessoal — mas o texto destaca a DIMENSÃO POLÍTICA (exercício do poder), não apenas moral.
  • O que a resposta precisa demonstrar: Percepção de que Platão vincula inseparavelmente ética (bem comum, virtude) e exercício do poder (governo) — quem governa a cidade justa é o filósofo, que conhece o bem.

📚 Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Platão (427-347 a.C.): Filósofo grego, discípulo de Sócrates e mestre de Aristóteles. Sua obra-mor A República propõe uma teoria da cidade ideal (kallipólis) baseada em justiça, educação e governo dos filósofos.
  • Rei-filósofo: Figura central da República. Platão defende que a cidade só será justa quando os governantes forem filósofos — pessoas que, pela educação e pelo acesso à ideia do Bem, saibam o que é correto. Apenas quem conhece o bem pode governar para o bem comum.
  • Cidade ideal e funções: Platão divide a cidade em três classes: produtores (artesãos, agricultores), guerreiros (protetores) e filósofos (governantes). Cada classe tem sua virtude (temperança, coragem, sabedoria). A justiça é o equilíbrio funcional.
  • Indissociabilidade ética-política: Em Platão, não há separação entre vida moral e vida política. A mesma virtude (justiça, sabedoria) aplica-se à alma individual e à cidade. Governar bem é o mesmo tipo de saber que viver bem.

🧭 Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "A cidade justa é governada pelos filósofos" → quem governa é quem tem acesso ao Bem. Isso é pressuposto ÉTICO (conhecimento do bem) exercido como PODER (governo).
  • Evidência 2: "Cada classe cumprirá sua função para o bem da pólis" → ideal ético (bem comum) alcançado por estrutura política (funções).
  • Evidência 3: "racionalmente dirigida pelos filósofos" → a direção política é exercida por quem tem razão (ética+epistemológica).
  • Evidência 4: "cidade injusta é aquela onde o governo está nas mãos dos proprietários — que não pensam no bem comum da pólis e lutarão por interesses econômicos particulares" → separação entre ética (bem comum) e política (interesses privados) produz injustiça.
  • Síntese: Para Platão, governar bem é ato ético; ética e poder são indissociáveis.

🧠 Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o duplo eixo da cidade ideal

Eixo ético: busca do bem comum, justiça como virtude central. Eixo político: estrutura de governo, exercício do poder pelas classes corretas. Os dois operam juntos na cidade ideal.

Subpasso 4.2 — Verificar no texto

O texto insiste que governantes (filósofos) exercem o poder com base em critérios éticos (bem da pólis), e que governantes errados (proprietários) subvertem esse princípio ao perseguir interesses privados. Isso demonstra indissociabilidade entre ética e poder.

Subpasso 4.3 — Verificação

A cidade ideal postula a indissociabilidade entre ética e exercício do poder — formulação exata da alternativa E.

✅❌ Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) "cognoscência e relação intersubjetiva"

Traduzindo os termos:

  • Cognoscência = capacidade de conhecer, o ato de conhecer (vem de "cognição").
  • Relação intersubjetiva = relação entre sujeitos, o diálogo/interação entre consciências, a construção de sentido entre as pessoas.

Por que atrai: você lê "cognoscência" e pensa "conhecimento! Platão fala de conhecimento, do filósofo que conhece!". A primeira metade parece encaixar.

Por que está errada: o problema é a segunda metade. "Relação intersubjetiva" é um conceito da filosofia moderna/contemporânea (fenomenologia, Habermas), que trata da verdade construída no diálogo entre sujeitos. Isso é o oposto de Platão! Para Platão, a verdade não se constrói entre sujeitos — ela é objetiva e independente, existe no mundo das Ideias, e o filósofo a contempla, não a negocia. Platão é o filósofo da verdade absoluta, não da verdade construída no diálogo.

Além disso, o texto não discute como se conhece — ele discute quem deve governar e por quê. Tema errado.

B) "mitologia e teorias cosmogônicas"

Traduzindo os termos:

  • Mitologia = conjunto de mitos, narrativas sobre deuses.
  • Cosmogonia = teoria sobre a origem do universo/cosmos (de cosmos + gonia, geração).

Por que atrai: soa "grego antigo", e o aluno associa Grécia → mitos → cosmogonia. Também porque Platão de fato usa mitos (o Mito da Caverna, o mito de Er).

Por que está errada: o texto não fala nada sobre origem do universo nem sobre deuses. Ele fala sobre organização política da cidade — quem governa, quem produz, quem protege. É um texto de filosofia política, não de cosmologia.

E mais: lembre-se de que a filosofia nasce justamente rompendo com o mito (a passagem do mito ao logos, que vimos nos pré-socráticos). Platão constrói sua cidade ideal por argumento racional, não por narrativa mítica. Atribuir a ele uma tese "mitológico-cosmogônica" é errar a natureza inteira do texto.

C) "cidadania e primazia da retórica"

Traduzindo os termos:

  • Retórica = arte de falar bem, de persuadir pela palavra.
  • Primazia da retórica = a retórica como aquilo que tem prioridade/superioridade.

Por que atrai: o aluno lembra que na Grécia a política se fazia na ágora, com discursos — logo, "retórica + cidadania" soa como o pacote grego.

Por que está errada — e essa é forte: Platão é um inimigo declarado da retórica! Ele passou a vida atacando os sofistas, que eram justamente os mestres da retórica — professores que ensinavam a persuadir independentemente da verdade. Para Platão, a retórica é perigosa porque manipula e substitui o conhecimento verdadeiro pela aparência de saber.

Na cidade ideal, o governante não é quem fala melhor — é quem conhece o Bem. A legitimidade vem do saber, não da persuasão. Dizer que Platão defende a "primazia da retórica" é atribuir a ele a posição dos seus adversários. Erro grave de identificação.

D) "moralidade e virtudes cardeais"

Essa é a mais perigosa de todas, e merece cuidado especial, porque ela é quase certa.

Traduzindo os termos:

  • Virtudes cardeais = as quatro virtudes fundamentais de Platão: sabedoria (do filósofo), coragem (do guerreiro), temperança (dos produtores) e justiça (a harmonia entre todas).

Por que atrai — e por que quase funciona: as virtudes cardeais são realmente de Platão, e elas realmente correspondem às classes descritas no texto! Sabedoria → filósofos. Coragem → guerreiros. Temperança → produtores. Justiça → o todo harmônico. O aluno que sabe isso fica muito tentado.

Por que está errada, então? Preste atenção no que o comando pede: uma relação de indissociabilidade entre DUAS coisas. E olhe a alternativa D: "moralidade" e "virtudes cardeais"... são praticamente a mesma coisa! As virtudes cardeais são o conteúdo da moralidade. Não há duas realidades distintas sendo unidas — é uma redundância, não uma indissociabilidade.

E mais importante: o texto está falando sobre GOVERNO, poder, quem manda na pólis. A palavra "poder" está ausente da alternativa D. Ela descreve apenas o lado moral, mas deixa de fora o lado político, que é justamente o coração do texto (governar, administrar, dirigir a cidade).

A letra E, ao dizer "ética e exercício do poder", captura os dois polos que o texto une: o moral e o político. É essa a tese: quem exerce o poder precisa ter virtude. D perde metade da equação.

Guarde a lição: quando o comando pede uma relação entre A e B, verifique se a alternativa realmente traz duas coisas distintas e se ambas aparecem no texto. D tem só uma dimensão; E tem as duas.

E) "ética e exercício do poder"

Por que está certa:

  • "Ética" → aparece no texto como o critério que separa bom e mau governante: o filósofo pensa no bem comum; o proprietário pensa no interesse particular. Isso é um juízo moral.
  • "Exercício do poder" → aparece no texto o tempo todo: governada, administrada, dirigida, o governo está nas mãos de.

E o texto une os dois de forma inseparável: a cidade é justa porque quem governa é moralmente qualificado (busca o bem comum); é injusta porque quem governa é moralmente desqualificado (busca o próprio lucro). A ética determina a legitimidade do poder. Indissociáveis.

🏆 Gabarito Final: E

A cidade ideal de Platão postula a indissociabilidade entre ética e exercício do poder — quem governa a cidade justa são os filósofos, que unem virtude (conhecimento do Bem) e capacidade política (governo para o bem comum).

🏁 Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: E é a única alternativa que capta a indissociabilidade central da cidade ideal platônica.
  • Padrão de cobrança: Platão e a República são temas clássicos no ENEM. Conheça o rei-filósofo, as três classes, o mito da caverna e a teoria das ideias.
  • Generalização: Na filosofia antiga grega (especialmente Platão e Aristóteles), ética e política são inseparáveis. Ambas são o estudo do "bem viver" — individual e coletivo. Essa separação só aparece na modernidade (Maquiavel).
  • Dica de eliminação rápida: Elimine alternativas com conceitos modernos (A — intersubjetividade) ou parciais (D — só virtudes) quando o texto fala explicitamente de ESTRUTURA DE GOVERNO.
  • Conexões com outros temas: Platão, A República, rei-filósofo, mito da caverna, Maquiavel (que separa ética e política), Aristóteles (que mantém sua integração).

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