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Mapa de questões · 1º dia
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Questão 29ENEM 2025Caderno azul · 1º Dia

Só entende os corações desse lugar quem mergulha nesse mar a perder de vista e recoberto de cana caiana, cana fita, cana roxa, cana-de-macaco, açúcar, melado, rapadura, aguardente, fumo, mandioca, quiabos, pimentas, moendas, frutas, fruta-pão, sobrados, senzalos, tachos, casa de purgar. Um reino dentro de outro, com tudo o que se tem direito: reis, rainhas, príncipes e princesas, bobos da corte, cortesãos, conselheiros e escravos, muitos escravos. […]

A corte do massapé, como qualquer outra na história da humanidade, fazia tudo para não deixar escapar nenhum mísero grão dos seus domínios para quem estivesse de fora do seu apertado círculo. Os nomes se repetiam de pai para filho, para sobrinho, para netos e bisnetos, de forma concêntrica e repetitiva, para que não pairasse nenhuma dúvida de que são todos da mesma parentela. As farinhas todas num mesmo saco brasonado.

CRUZ, E. A. Água de barrela. Rio de Janeiro: Malê, 2018.

Nesse fragmento, o narrador enumera o resultado do trabalho com a terra, o qual, no contexto em que aparece,

Alternativas

Resolução em Vídeo

Resolução

📋 Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Literatura → Literatura e Sociedade Brasileira → Engenho, Escravidão e Hierarquia
  • ⚡ Nível: Médio — exige ler o engenho como "reino" e reconhecer a permanência de privilégios de classe.
  • 🎯 Tema/Habilidade BNCC: Análise da representação literária da sociedade do engenho e de suas hierarquias.
  • 🏆 Gabarito: revelado após resolução completa

🔎 Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Como o texto representa a sociedade do engenho?"
  • Palavras-chave decisivas: Um reino dentro de outro, reis, rainhas, príncipes e princesas, bobos da corte, cortesãos, conselheiros, escravos, muitos escravos, senzalos
  • Armadilha típica: Marcar B (panorama da população do campo) ou E (valoriza o trabalho) por ler a acumulação como descrição neutra — mas a metáfora do reino revela hierarquia rígida e privilégios perpetuados.
  • O que a resposta precisa demonstrar: Percepção de que o texto espelha a permanência dos privilégios de classe ao mostrar a estrutura monárquica da sociedade do engenho.

📚 Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Engenho: Unidade produtiva central da economia colonial brasileira (especialmente açúcar). Reunia casa-grande (elite senhorial), senzala (escravizados), capela, moenda, engenho propriamente dito. Era uma estrutura hierárquica rígida.
  • Analogia engenho-reino: Historiadores e literatos frequentemente compararam o engenho a um "reino" pela concentração de poder na figura do senhor, pela hierarquia entre livres e escravizados, pela lógica patrimonialista.
  • Permanência de privilégios: Os privilégios da elite senhorial não eram meritocráticos nem temporários — eram estruturais e hereditários. A metáfora do reino torna visível essa permanência.

🧭 Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "Um reino dentro de outro" → a sociedade do engenho é descrita como mini-monarquia dentro do Brasil.
  • Evidência 2: "reis, rainhas, príncipes e princesas, bobos da corte, cortesãos, conselheiros e escravos, muitos escravos" → o texto enumera uma hierarquia completa, da realeza aos escravizados. A presença de TÍTULOS (rei, rainha, príncipe, princesa) para os senhores e o uso de "escravos, muitos escravos" no final denuncia a estrutura de classes.
  • Evidência 3: "com tudo o que se tem direito" → ironia amarga: como se fosse um direito natural ter reis e escravos.
  • Síntese: O texto não descreve neutramente; ele espelha, via metáfora monárquica, a estrutura rígida de privilégios de classe da sociedade do engenho.

🧠 Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar a estrutura social descrita

O engenho tem: uma elite (senhores como reis), uma camada intermediária (cortesãos, conselheiros), uma plateia de subalternos (bobos) e uma base escravizada. Essa estrutura é monárquica em forma e escravocrata em conteúdo.

Subpasso 4.2 — Identificar o que a metáfora revela

A metáfora "reino dentro de outro" mostra que os privilégios são fixos, hereditários, inquestionáveis — como numa corte. Não há mobilidade social. Os que nascem reis continuam reis; os que nascem escravos continuam escravos.

Subpasso 4.3 — Verificação

O texto espelha, portanto, a permanência dos privilégios de classe — formulação exata da alternativa A.

✅❌ Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) espelha a permanência dos privilégios de classe.

Correta: A metáfora do "reino dentro de outro" e a enumeração de títulos hierárquicos (reis, rainhas, príncipes, escravos) revelam uma estrutura de classes cristalizada. O texto expõe a permanência dessa hierarquia ao representá-la como monarquia.

B) oferece um panorama da população do campo.

Incorreta: Panorama da população seria neutro, descritivo. O texto é crítico — usa a metáfora do reino para denunciar, não para descrever. Além disso, o "campo" do texto é especificamente o engenho, não o campo brasileiro amplo.

C) mostra os benefícios da fartura na agricultura.

Incorreta: O texto menciona cana, mandioca, frutas, aguardente — mas não celebra a fartura como benefício. A enumeração de produtos é parte da riqueza que sustenta o reino, mas a crítica é sobre a desigualdade dessa riqueza (muitos escravos produzindo para poucos reis).

D) defende a importância da atividade coletiva.

Incorreta: Não há defesa da coletividade. O texto mostra uma estrutura profundamente hierárquica, não coletiva. "Coletivo" sugeriria igualdade de participação, o que é o oposto do que o texto representa.

E) valoriza o trabalho ao longo das gerações.

Incorreta: O texto não valoriza o trabalho — ao contrário, denuncia que muitos escravos trabalham para sustentar o "reino" de poucos. Não há celebração do trabalho intergeracional.

🏆 Gabarito Final: A

O texto espelha a permanência dos privilégios de classe ao representar a sociedade do engenho como um "reino dentro de outro", com hierarquia rígida entre senhores e escravizados.

🏁 Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: A é a única alternativa que capta o teor crítico da metáfora do reino — a denúncia da estrutura de classes cristalizada.
  • Padrão de cobrança: Literatura e história social caminham juntas no ENEM — especialmente textos sobre engenho, escravidão, sertão, Brasil colonial.
  • Generalização: Quando um texto descreve uma estrutura social via metáforas monárquicas ou hierárquicas, quase sempre está denunciando a fixidez e os privilégios dessa estrutura.
  • Dica de eliminação rápida: Elimine alternativas neutras/descritivas (B) ou valorizadoras (C, D, E) quando o texto usa metáforas de hierarquia e menciona explicitamente "escravos, muitos escravos".
  • Conexões com outros temas: Engenho, colonização, escravidão, Gilberto Freyre (Casa-Grande & Senzala), Paulo Lins, literatura histórica brasileira.

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