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AO VIVO ·03/11 · 18H07 · MEMORIBLACK · VAGAS LIMITADAS | BLACK VITALÍCIA MEMORIZE

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Redação23 min de leitura

Modelo de Redação ENEM 2026: a Estrutura Completa para Tirar 900+

A estrutura modelo 2026 parágrafo por parágrafo, o que o corretor procura em cada competência e 3 redações montadas com o mesmo esqueleto. Com a live completa e o PDF para baixar.

Renato Palmeira
Renato PalmeiraAtualizado em 21 de outubro de 2026

Na live "Como forçar o corretor a te dar +900 na redação" eu destrinchei, linha por linha, o meu modelo de redação para o ENEM 2026. Aqui está tudo o que eu expliquei na aula, em texto: a estrutura de cada parágrafo, o que o corretor procura em cada competência, os testes para o seu repertório não ser descontado e três redações completas montadas com o mesmo esqueleto.

Assista à live aí em cima, use esta página para consultar e baixe o PDF com as minhas anotações para treinar com ele do lado.

Baixar o PDF com as minhas anotações13 páginas · a estrutura completa, os testes e as 3 redações montadas

900 × 1000: onde está a diferença

Comparando quem tirou de 960 a 1000 com quem tirou de 880 a 920 nessas 152 redações, a diferença está quase toda numa competência só: a C3, a da argumentação.

85% × 8%
tiraram 200 na C3 entre quem fez 960+ e entre quem ficou em 880–920
Na C1 (norma culta), a diferença é de 4% × 0%. É na argumentação que o 900 vira 1000.
Quem tirou 200 em cada competência
  • C3 (argumentação)
    200 entre quem tirou 960+85%
    200 entre quem tirou 880–9208%
  • C1 (norma culta)
    200 entre quem tirou 960+4%
    200 entre quem tirou 880–9200%

Um boletim típico de quem trava nos 900 é C1 160 · C2 200 · C3 160 · C4 200 · C5 200 = 920. Os 40 pontos que faltam na C3 são justamente o que a estrutura abaixo resolve.

Como o corretor corrige a sua redação

Como funciona (Cartilha 2026, p. 6–7):

  • São 2 corretores, e cada um dá de 0 a 200 por competência, em degraus de 40 (0, 40, 80, 120, 160, 200).
  • A nota final é a média dos dois. Por isso aparecem 180, 940 e outras notas "quebradas".
  • Se os totais diferem em mais de 100 pontos, ou uma competência em mais de 80, entra um 3º corretor.
O que cada corretor procura
  • C1: norma culta
    O que ele procuraDesvio só como "excepcionalidade", sem reincidência
    O que mais tira ponto (banco real)Vírgula entre sujeito e verbo, crase, regência, "onde" no lugar de "em que"
  • C2: tema e repertório
    O que ele procuraO recorte do tema inteiro + repertório legitimado, pertinente e produtivo
    O que mais tira ponto (banco real)Ler o recorte errado. No tema de 2025, 31% perderam ponto na C2, muitos por ler "perspectivas" como gastos ou demografia
  • C3: argumentação
    O que ele procuraProjeto de texto e argumento desenvolvido, com autoria
    O que mais tira ponto (banco real)1º: repertório genérico, "de bolso" (37% das C3 abaixo de 200). 2º: afirmar sem explicar (29%)
  • C4: coesão
    O que ele procuraConectivos variados entre e dentro dos parágrafos
    O que mais tira ponto (banco real)Repetição, sobretudo da expressão do tema (81% das C4 abaixo de 200)
  • C5: proposta
    O que ele procuraAgente, ação, meio, finalidade e detalhamento, ligados à discussão
    O que mais tira ponto (banco real)2ª proposta incompleta ou proposta que esquece a 2ª causa

Texto pronto × estrutura: a diferença é a adaptação

Texto pronto funciona até o tema mudar. A estrutura faz o caminho contrário: você leva o esqueleto e constrói o texto a partir do tema.

  • Quando o tema muda
    Texto prontoVocê força o texto a caber
    EstruturaO texto nasce do tema
  • Repertório
    Texto prontoChega pronto e pode soar "decorado, automático ou forçado" (Cartilha 2026, p. 16)
    EstruturaÉ escolhido para o eixo e passa no teste da substituição
  • Argumento
    Texto prontoO mesmo ângulo para qualquer tema
    EstruturaVocê escolhe o ângulo que o tema pede
  • O que você decora
    Texto prontoFrases inteiras
    EstruturaFunções, ordem e molduras

Os 3 passos para o modelo virar seu

  1. Aprender a estrutura. A função de cada frase, a ordem e as molduras (está tudo na parte seguinte).
  2. Adaptar ao seu texto. Escolha as molduras com que você escreve melhor e treine até elas saírem naturais. Pode trocar o conectivo e a moldura, desde que cada frase cumpra a sua função.
  3. Encaixar os ângulos de argumento. Cada tema pede 2 ângulos, 1 institucional e 1 sociocultural. Cada ângulo vira um desenvolvimento.
O menu de ângulos
  • Omissão ou fragilidade do Estado
    Sociocultural (D2)Mentalidade e preconceito
  • Escola e educação formal
    Sociocultural (D2)Herança histórica (colonização, escravidão)
  • Falta de planejamento ou de fiscalização
    Sociocultural (D2)Mídia e padrões de consumo
  • Política pública que não chega a todos (região, renda)
    Sociocultural (D2)Valores culturais (por exemplo, a sobrecarga vista como virtude)

O que o banco mostra: nas 11 redações nota 1000 de 2024, os ângulos mais usados foram mentalidade social, omissão estatal e educação.

Mesmo esqueleto, ângulos diferentes
  • Trabalho
    Ângulo institucional (D1)Direitos condicionados ao registro formal
    Ângulo sociocultural (D2)Herança escravocrata que desvaloriza o trabalho manual
  • Clima
    Ângulo institucional (D1)Gestão que reage ao desastre em vez de preveni-lo
    Ângulo sociocultural (D2)Natureza vista como recurso inesgotável
  • IA
    Ângulo institucional (D1)Regras frágeis de transparência e auditoria
    Ângulo sociocultural (D2)Crença na neutralidade da máquina

A estrutura da redação, parágrafo por parágrafo

5 / 9 / 9 / 7
linhas por parágrafo numa folha de 30
Introdução, desenvolvimento 1, desenvolvimento 2 e conclusão.

Introdução: 5 linhas, 3 frases

  • I-1, contextualizar: "A obra X, de Y, retrata…", "Durante [período histórico], …" ou "Segundo [autor], …".
    • ⚠️ A frase precisa de sujeito: "A obra retrata" ou "Na obra, o autor retrata". Nunca "Na obra…, retrata".
  • I-2, apresentar o tema: "Sob essa ótica, no Brasil contemporâneo, [TEMA]…". Use as palavras-chave da proposta e diga quem é afetado.
  • I-3, tese: "Tal panorama decorre, sobretudo, de [CAUSA 1] e de [CAUSA 2]."
    • Teste da tese: ela caberia em outro tema? Se couber, está genérica.

Desenvolvimento: 9 linhas, 5 movimentos

  • M1: tópico frasal
    Moldura D1"Em primeira análise, [CAUSA 1] configura-se como entrave para [OBJETIVO DO TEMA]."
    Por que existe (o que o banco mostra)Retoma a causa da tese e o tema
  • M2: repertório
    Moldura D1"Segundo [autor/obra], [ideia], o que se observa em [TEMA]."
    Por que existe (o que o banco mostra)Repertório genérico é o 1º motivo de perda na C3. O repertório tem de vir aplicado ao tema na mesma frase
  • M3: o porquê (obrigatório)
    Moldura D1"Isso ocorre porque [causa de fundo]."
    Por que existe (o que o banco mostra)Frase causal nos dois desenvolvimentos: 50% das 960+ × 29% das 880–920. É o movimento que mais separa as faixas
  • M4: exemplo concreto
    Moldura D1"Prova disso é [exemplo]."
    Por que existe (o que o banco mostra)Exemplo brasileiro reconhecível: histórico, geográfico ou do cotidiano
  • M5: fecho
    Moldura D1"Logo, [consequência para o grupo do tema]."
    Por que existe (o que o banco mostra)Conclui, nunca propõe. Solução no fim do desenvolvimento foi descontada no banco

Os dois testes da Cartilha 2026 (p. 17–18) para o M2:

  • Remoção: apague o repertório. Se o parágrafo continuar igual, ele só enfeitava.
  • Substituição: troque por outro autor qualquer. Se couber igual, ele era genérico.

Anti-espelhamento (D2): inverta M2 e M3 (explicação primeiro, repertório depois) e use as molduras do D2 ("Ademais…", "Esse quadro se explica pelo fato de que…", "Sob a ótica de…", "Isso se evidencia quando…", "Como efeito…"). Dois parágrafos com o mesmo molde soam automáticos, e a cartilha pune o automático.

Os 3 encaixes do tema em cada desenvolvimento: o tema aparece no M1, o exemplo do M4 é do tema e a consequência do M5 é para o grupo do tema. Faltou um dos três? O seu parágrafo está falando de "problemas sociais" em geral, e é aí que a C3 cai.

Conclusão: 7 linhas, 4 frases

  • C-0, retomada da tese: "Portanto, diante de [CAUSA 1] e de [CAUSA 2], é imprescindível que [o problema do tema] deixe de…" Retoma as 2 causas da I-3, sem propor nada ainda.
  • C-1, proposta para a causa 1 (sempre completa e detalhada): "Para isso, cabe ao [AGENTE] — [o que esse agente faz] — [AÇÃO], por meio de [MEIO: como será feito], [DETALHAMENTO: com quem, onde, para quem], a fim de [FINALIDADE]."
  • C-2, proposta para a causa 2 (completa, só menos detalhada): "Paralelamente, [AGENTE 2] — [o que ele faz] — deve [AÇÃO], por meio de [MEIO], para que [FINALIDADE]."
  • C-3, fecho circular: "Assim, [retomada do repertório da I-1], [com o tema resolvido]." Volte ao repertório da introdução e ao tema: é o que fecha o círculo.

O que o banco mostra: C5 200 em 100% das 960+ e em 78% das 880–920. Das 20 redações que perderam ponto na C5, 8 deixaram a 2ª proposta incompleta e 6 esqueceram a 2ª causa.

O esqueleto completo, montado

IntroduçãoI-1contextoI-2temaI-3tese
DesenvolvimentoM1tópicoM2repertórioM3porquêM4exemploM5fecho
ConclusãoC-0retomadaC-1proposta 1C-2proposta 2C-3fecho (retoma a I-1)

O esqueleto completo, montado

Introdução · 5 linhas

I-1A obra [X], de [Y], retrata [o que ela mostra]. I-2Sob essa ótica, no Brasil contemporâneo, [TEMA]… I-3Tal panorama decorre, sobretudo, de [CAUSA 1] e de [CAUSA 2].

Desenvolvimento 1 · 9 linhas

M1Em primeira análise, [CAUSA 1] configura-se como entrave para [OBJETIVO DO TEMA]. M2Segundo [autor/obra], [ideia], o que se observa em [TEMA]. M3Isso ocorre porque [causa de fundo]. M4Prova disso é [exemplo]. M5Logo, [consequência para o grupo do tema].

Desenvolvimento 2 · 9 linhas

M1Ademais, [CAUSA 2] também contribui para [PROBLEMA DO TEMA]. M3Esse quadro se explica pelo fato de que [causa de fundo]. M2Sob a ótica de [autor/obra], [ideia], o que se verifica em [TEMA]. M4Isso se evidencia quando [situação]. M5Como efeito, [consequência].

Conclusão · 7 linhas

C-0Portanto, diante de [CAUSA 1] e de [CAUSA 2], é imprescindível que [o problema do tema] deixe de… C-1Para isso, cabe ao [AGENTE 1] — [o que esse agente faz] — [AÇÃO], por meio de [MEIO: como será feito], [DETALHAMENTO: com quem, onde, para quem], a fim de [FINALIDADE]. C-2Paralelamente, [AGENTE 2] — [o que ele faz] — deve [AÇÃO], por meio de [MEIO], para que [FINALIDADE]. C-3Assim, [retomada do repertório da I-1], [com o tema resolvido].

Detalhes que mostram nível alto

  1. Leitura estrutural: o problema é histórico e institucional, nunca culpa do grupo afetado.
  2. Vocabulário atual de direitos: "pessoa idosa", "pessoa com deficiência", "população negra", "povos indígenas".
  3. Repertório brasileiro e ligado ao tema pesa mais que filósofo estrangeiro genérico.
  4. Paráfrase vale mais que aspas: a ideia precisa ser exata; a frase pode ser sua.
  5. Proposta que garante, inclui e educa, não que pune.
  6. Agente coerente com o que ele faz: o MEC cuida das diretrizes; estados e municípios, das escolas e dos postos; o Congresso, das leis.
  7. Sem absolutos: "muitas vezes", "grande parcela".

Repertórios, eixos e IA

Estude por eixo, não por tema

O ENEM nunca repetiu um tema igual, mas repete o eixo. Quem estuda por eixo chega preparado para qualquer recorte.

Os eixos: educação · trabalho · meio ambiente · tecnologia · saúde · cidadania e direitos humanos · minorias e desigualdade · mulher e gênero · cultura e identidade · violência · política e democracia.

Se quiser ver quais temas já caíram em cada eixo, eu juntei todos os temas de redação do ENEM, de 2009 a 2025 e as apostas de tema para 2026.

O kit de cada eixo

  • 1 contexto histórico ou geográfico do Brasil.
  • 1 ou 2 autores brasileiros, com a ideia central em 1 frase.
  • 1 exemplo concreto do cotidiano.
  • 2 agentes, cada um com uma ação possível.

Exemplo, eixo trabalho: Era Vargas e a "cidadania regulada" (Wanderley Guilherme dos Santos) · Sérgio Buarque de Holanda (o desprezo colonial pelo trabalho manual) · domésticas, com direitos equiparados só no século XXI · Ministério do Trabalho e Emprego (fiscalização) e sindicatos (campanhas sobre direitos).

Sem estatística, sem número de lei, sem notícia. História, geografia e autor servem a vários temas do mesmo eixo.

Como usar IA no estudo da redação

Regra: a IA é treinadora e corretora, nunca a autora do seu texto.

5 prompts para copiar:

  1. Ângulos: "Tema: [tema]. Me dê 3 ângulos institucionais e 3 socioculturais para argumentar, cada um em 1 frase."
  2. Repertório: "Quais autores brasileiros discutem [eixo]? Para cada um, dê a obra, a ideia central em 1 frase e como ligar ao tema [tema]."
  3. Correção: "Corrija minha redação pelas 5 competências do ENEM. Em cada uma, aponte o trecho e o que faltou para o 200."
  4. Movimento: "No meu desenvolvimento, a frase do porquê vai à causa de fundo ou só repete a ideia? Mostre onde."
  5. Reescrita: "Reescreva só este parágrafo mantendo a minha ideia e explique cada mudança."

Cuidados:

  • A IA inventa autor e citação. Confira toda citação numa fonte confiável antes de usar.
  • Não decore texto escrito pela IA: ele soa automático, e a cartilha pune o automático.
  • Use a IA para achar problemas, não para prever nota. Nos meus testes, uma IA sem ajuste errou a nota em quase 100 pontos.

O mesmo esqueleto em 3 temas

As 3 apostas do vídeo dos 5 temas mais prováveis: trabalho, eventos climáticos extremos e inteligência artificial.

Passo 1: o Protocolo de 15 minutos no tema nº 1

Tema: "Desafios para a garantia dos direitos dos trabalhadores no Brasil"

  1. Decifrar o tema. Palavras-chave: garantia, direitos, trabalhadores. Problema em 1 frase: "Férias, descanso e jornada justa estão na lei, mas não chegam a grande parte de quem trabalha."
    • O recorte é a garantia de direitos para todos os trabalhadores. Aplicativo, doméstica ou campo podem aparecer como exemplo, nunca como o tema inteiro.
  2. Duas causas. Institucional: um modelo de proteção que condiciona direitos ao vínculo formal. Sociocultural: a herança escravocrata que associa o trabalho manual à subalternidade.
  3. Levantar o material de cada parte.
    • Introdução: "Eles não usam black-tie", de Gianfrancesco Guarnieri (direito como fruto de luta).
    • D1: Wanderley Guilherme dos Santos ("cidadania regulada") + domésticas, com direitos equiparados só no século XXI.
    • D2: Sérgio Buarque de Holanda (desprezo colonial pelo trabalho manual) + pedir folga visto como "falta de comprometimento".
    • Conclusão: Ministério do Trabalho e Emprego (auditores direcionados aos setores com mais denúncias + canal digital de denúncias) + sindicatos (campanhas sobre direitos).

Passo 2: as 3 redações montadas

As cores marcam a função de cada frase:

IntroduçãoI-1contextoI-2temaI-3tese
DesenvolvimentoM1tópicoM2repertórioM3porquêM4exemploM5fecho
ConclusãoC-0retomadaC-1proposta 1C-2proposta 2C-3fecho (retoma a I-1)

Repare: a I-1 muda (duas abrem com obra e uma com autor); no D2, o porquê vem antes do repertório; e a conclusão abre com uma retomada antes das propostas.

Redação 1 · Trabalho (aposta nº 1)

Tema: "Desafios para a garantia dos direitos dos trabalhadores no Brasil"

Introdução

I-1A obra "Eles não usam black-tie", de Gianfrancesco Guarnieri, retrata uma família operária dividida entre aderir a uma greve e preservar o emprego, dilema que revela como os direitos trabalhistas, no Brasil, sempre dependeram de luta. I-2Sob essa ótica, no Brasil contemporâneo, a garantia desses direitos ainda enfrenta desafios, visto que férias, descanso e jornada limitada não alcançam grande parcela de quem trabalha. I-3Tal panorama decorre, sobretudo, de um modelo de proteção que condiciona direitos ao vínculo formal e de uma herança escravocrata que associa o trabalho manual à subalternidade.

Desenvolvimento 1

M1Em primeira análise, a vinculação dos direitos ao registro formal configura-se como entrave para que a proteção alcance todos os trabalhadores. M2Segundo o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, a Era Vargas instituiu uma "cidadania regulada", na qual só era cidadão quem exercia ocupação reconhecida pelo Estado, o que se observa, ainda hoje, na exclusão dos informais. M3Isso ocorre porque esses direitos nasceram como concessão a categorias urbanas, e não como garantia universal, com fiscalização pensada para a fábrica, e não para a lavoura ou a casa de família. M4Prova disso é que as trabalhadoras domésticas, majoritariamente mulheres negras, só tiveram seus direitos equiparados aos dos demais no século XXI. M5Logo, grande parcela dos trabalhadores segue sem garantias básicas, como o descanso remunerado, embora sustente a economia do país.

Desenvolvimento 2

M1Ademais, a herança escravocrata também contribui para que os direitos de quem trabalha sejam vistos como concessão. M3Esse quadro se explica pelo fato de que, por mais de três séculos, o esforço físico foi imposto a corpos escravizados, e o descanso tornou-se marca de distinção social, e não necessidade humana. M2Sob a ótica de Sérgio Buarque de Holanda, em "Raízes do Brasil", a sociedade colonial cultivou o desprezo pelo trabalho manual, o que se verifica na naturalização de jornadas exaustivas nas ocupações de menor prestígio. M4Isso se evidencia quando pedir folga ou cobrar horas extras é visto como falta de comprometimento, enquanto a exaustão é exaltada como mérito. M5Como efeito, o trabalhador internaliza a lógica que o explora e deixa de reivindicar o que a lei lhe assegura.

Conclusão

C-0Portanto, diante de uma proteção restrita ao vínculo formal e de uma herança que desvaloriza o trabalho manual, é imprescindível que os direitos trabalhistas deixem de ser privilégio de poucos. C-1Para isso, cabe ao Ministério do Trabalho e Emprego — órgão responsável pela inspeção do trabalho — ampliar a fiscalização, por meio da contratação de auditores fiscais, direcionados aos setores e às regiões com mais denúncias, e de um canal digital de denúncias anônimas, a fim de que férias, descanso e jornada limitada saiam do papel. C-2Paralelamente, os sindicatos devem promover campanhas sobre direitos trabalhistas, por meio de redes sociais e de plantões nas empresas, para que o descanso seja entendido como direito, e não como favor. C-3Assim, ninguém precisará escolher, como a família de Guarnieri, entre o emprego e a dignidade, e os direitos conquistados com luta alcançarão, enfim, quem trabalha.

Redação 2 · Eventos climáticos extremos (aposta nº 2)

Tema: "Desafios para o enfrentamento dos eventos climáticos extremos no Brasil"

Introdução

I-1A obra "Vidas Secas", de Graciliano Ramos, retrata a família de Fabiano, que, expulsa pela seca, vaga pelo sertão sem amparo do poder público, o que evidencia que a tragédia climática, no Brasil, nunca foi apenas natural. I-2Sob essa ótica, no Brasil contemporâneo, o enfrentamento dos eventos climáticos extremos ainda é marcado pela desigualdade, visto que secas, enchentes e deslizamentos atingem com mais força os mais pobres. I-3Tal panorama decorre, sobretudo, de uma gestão pública que reage aos desastres em vez de preveni-los e de um modelo de desenvolvimento que trata a natureza como recurso inesgotável.

Desenvolvimento 1

M1Em primeira análise, a atuação estatal reativa configura-se como entrave para a proteção da população diante desses eventos. M2Segundo o sociólogo Henri Acselrad, os riscos ambientais não se distribuem ao acaso, mas recaem sobre os grupos de menor renda, o que se observa nas periferias erguidas em encostas e margens de rios. M3Isso ocorre porque a urbanização brasileira, acelerada pelo êxodo rural do século XX, não foi acompanhada de política habitacional, e o poder público tolerou a moradia em áreas de risco, agindo apenas depois das tragédias. M4Prova disso é o ciclo que se repete a cada temporada de chuvas: o deslizamento, o socorro emergencial e a reconstrução no mesmo lugar. M5Logo, o desastre climático no país é também um desastre social, com endereço e classe definidos.

Desenvolvimento 2

M1Ademais, a visão da natureza como recurso inesgotável também contribui para a intensificação desses fenômenos. M3Esse quadro se explica pelo fato de que, desde a colonização, a ocupação do território seguiu ciclos de exploração, do pau-brasil à monocultura, que mediam o progresso pela mata derrubada. M2Sob a ótica do pensador indígena Ailton Krenak, em "Ideias para adiar o fim do mundo", a humanidade, ao tratar a Terra como mero recurso, compromete a própria existência, o que se verifica quando o desmatamento altera o regime de chuvas e prolonga as estiagens. M4Isso se evidencia nas cidades, onde rios canalizados e cobertos por avenidas impedem a absorção da água e transformam chuvas intensas em inundações. M5Como efeito, o país produz parte dos desastres que depois precisa enfrentar.

Conclusão

C-0Portanto, diante de uma gestão que apenas reage aos desastres e de um desenvolvimento que esgota a natureza, é urgente que os eventos climáticos extremos deixem de ser tratados como fatalidade. C-1Para isso, cabe ao Governo de estado — órgão responsável pela política urbana — priorizar a prevenção, por meio de um programa, em parceria com as prefeituras, que mapeie as áreas de risco, financie obras de drenagem e de contenção de encostas e reassente as famílias ameaçadas no próprio bairro, a fim de romper o ciclo de tragédia e reconstrução. C-2Paralelamente, as secretarias estaduais de Educação devem promover a educação ambiental crítica, por meio de projetos com comunidades indígenas e ribeirinhas, para que os jovens compreendam a floresta como condição de vida. C-3Assim, a seca que expulsou a família de Fabiano deixará de ser o destino dos mais pobres, e o clima extremo passará a ser enfrentado com planejamento.

Redação 3 · Inteligência artificial (aposta nº 3)

Tema: "Desafios para o uso ético da inteligência artificial no Brasil"

Introdução

I-1Segundo o geógrafo Milton Santos, as técnicas da informação, que poderiam servir a toda a humanidade, acabam sendo apropriadas por poucos atores, que as utilizam em favor de seus próprios interesses. I-2Sob essa ótica, no Brasil contemporâneo, o uso ético da inteligência artificial (IA) enfrenta desafios, visto que sistemas controlados por poucas empresas já influenciam decisões sobre crédito, segurança e informação sem que a população saiba como funcionam. I-3Tal panorama decorre, sobretudo, da insuficiência de regras que garantam transparência a esses sistemas e da crença social de que a máquina é neutra.

Desenvolvimento 1

M1Em primeira análise, a fragilidade das normas que obrigam as empresas a explicar e a auditar seus sistemas configura-se como entrave para um uso ético da IA. M2Segundo o pesquisador Tarcízio Silva, em "Racismo algorítmico", as tecnologias digitais podem reproduzir e ampliar discriminações já presentes na sociedade, o que se observa quando sistemas automatizados tratam de forma desigual grupos historicamente marginalizados. M3Isso ocorre porque esses sistemas aprendem com dados produzidos por uma sociedade desigual, e, sem obrigação de auditoria, ninguém verifica se as decisões da máquina repetem os preconceitos do passado. M4Prova disso são os casos de pessoas negras abordadas ou detidas por engano a partir de sistemas de reconhecimento facial usados na segurança pública. M5Logo, sem regulação efetiva, a IA automatiza desigualdades que o país levou séculos para construir.

Desenvolvimento 2

M1Ademais, a crença na neutralidade da máquina também contribui para que esses sistemas sejam usados sem questionamento. M3Esse quadro se explica pelo fato de que a tecnologia carrega uma aura de objetividade, reforçada por uma escola que historicamente privilegiou a memorização em detrimento da análise das fontes. M2Sob a ótica do educador Paulo Freire, a "educação bancária", que apenas deposita conteúdos no aluno, forma sujeitos passivos, o que se verifica quando respostas geradas por IA são aceitas como verdade sem nenhuma checagem. M4Isso se evidencia quando estudantes entregam trabalhos feitos por assistentes virtuais sem checar as informações. M5Como efeito, a máquina passa a pensar pelo usuário, e não com ele.

Conclusão

C-0Portanto, diante de regras ainda frágeis e da crença na neutralidade da máquina, é necessário que o uso da IA no Brasil esteja a serviço dos direitos, e não acima deles. C-1Para isso, cabe ao Congresso Nacional — responsável pela elaboração das leis — aprimorar a regulação da IA, por meio de uma lei que obrigue as empresas a explicar os critérios de suas decisões automatizadas, a submeter seus sistemas a auditorias periódicas contra vieses, feitas por um órgão público independente, e a identificar todo conteúdo gerado por máquina, a fim de impedir discriminações. C-2Paralelamente, o Ministério da Educação deve incluir a educação midiática no currículo escolar, por meio de oficinas de checagem de fontes, para que os alunos usem a tecnologia com autonomia. C-3Assim, como propunha Milton Santos, a técnica passará a servir a toda a sociedade, e não a poucos atores, tornando ético o uso da inteligência artificial no país.

Baixar o modelo completo em PDFAs anotações da live para imprimir e treinar: estrutura, testes, ângulos e as 3 redações

Perguntas frequentes

Qual é a estrutura da redação do ENEM 2026?

Quatro parágrafos em 30 linhas, na proporção 5 / 9 / 9 / 7: introdução com 3 frases (contexto, tema e tese), dois desenvolvimentos com 5 movimentos cada (tópico frasal, repertório, porquê, exemplo e fecho) e conclusão com a retomada da tese, duas propostas de intervenção e um fecho que volta ao repertório da introdução.

Posso usar um modelo de redação pronto no ENEM?

Texto pronto, não: ele funciona até o tema mudar, e a Cartilha do Participante 2026 avisa que repertório inserido de forma decorada, automática ou forçada pode ser avaliado como não produtivo. O que você leva para a prova é a estrutura: a função de cada frase, a ordem e as molduras. O texto nasce do tema.

O que mais tira ponto na redação do ENEM?

No banco de 152 redações, a competência que mais separa o 900 do 1000 é a C3: 85% de quem tirou 960+ fez 200 nela, contra 8% de quem ficou entre 880 e 920. Os dois motivos que mais derrubam a C3 são o repertório genérico, "de bolso", e afirmar sem explicar. Na C4, o vilão é repetir a expressão do tema.

Quantas propostas de intervenção colocar na conclusão?

Duas, uma para cada causa da tese. A primeira completa e detalhada (agente, ação, meio, detalhamento e finalidade) e a segunda completa, só menos detalhada. Das redações do banco que perderam ponto na C5, 8 deixaram a 2ª proposta incompleta e 6 esqueceram a 2ª causa.

Como estudar repertório para a redação do ENEM 2026?

Por eixo, não por tema. Para cada eixo (educação, trabalho, meio ambiente, tecnologia, saúde e os outros), monte um kit com 1 contexto histórico ou geográfico do Brasil, 1 ou 2 autores brasileiros com a ideia central em 1 frase, 1 exemplo concreto do cotidiano e 2 agentes com uma ação possível cada.

MEMORIBLACK · 03/11 · 18h07 · ao vivo

ENEM 2027: você nunca mais vai estudar sozinho

Turma de alto nível, acompanhamento integral do primeiro dia até a prova. Todos os detalhes serão revelados AO VIVO na live Black Friday.

Materiais para baixar

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