Temas de Redação ENEM 2026: as Apostas Mais Prováveis e Como Treinar
As apostas mais prováveis para a redação do ENEM 2026, com repertórios prontos, as 5 competências explicadas e um plano para treinar até a prova.

Todo ano é a mesma cena. A prova do ENEM começa, o cronômetro corre e, antes de qualquer questão, você tem uma folha em branco e um tema que nunca viu pela frente. A redação vale até 1000 pontos e, sozinha, decide milhares de aprovações — inclusive em medicina, onde alguns pontos separam quem entra de quem fica na lista de espera.
Ninguém sabe qual vai ser o tema de 2026. Nem eu, nem cursinho nenhum. Mas isso não quer dizer que você entra no escuro. O ENEM tem um padrão claro na hora de escolher o tema, e dá para chegar no dia 8 de novembro com repertório na manga e a mão treinada para qualquer proposta que aparecer.
Neste artigo eu vou te mostrar três coisas: como a banca escolhe o tema, as apostas mais prováveis para 2026 (com repertório pronto para cada uma) e o plano para treinar redação daqui até a prova, sem enrolação.
Como o ENEM escolhe o tema da redação
A banca não sorteia tema no escuro. Ela escolhe um problema social, brasileiro e atual, que qualquer estudante consiga discutir com o próprio repertório, que não tome partido político ou religioso e que respeite os direitos humanos. Por isso o tema quase nunca é uma pegadinha técnica: é uma questão da nossa realidade que estava ali, à vista, esperando você reparar.
Dentro desse critério, os temas costumam cair em uma de duas famílias. A primeira é a da invisibilidade social: um grupo específico que a sociedade ignora ou trata como se não existisse. A segunda é a do impacto sistêmico: um problema que atinge todo mundo, do campo à cidade. Olhe os últimos anos e o padrão salta aos olhos:
- 2017 — Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
- 2018 — Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet
- 2019 — Democratização do acesso ao cinema no Brasil
- 2020 — O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
- 2021 — Invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil
- 2022 — Desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil
- 2023 — Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil
- 2024 — Desafios para a valorização da herança africana no Brasil
- 2025 — Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira
Repare em 2025. Depois de anos abrindo o comando com "Desafios para...", a banca virou a chave e pediu perspectivas acerca do envelhecimento. Parece detalhe, mas não é: quem só treinou o esqueleto "problema, causa, proposta" travou na hora de discutir um tema sob vários pontos de vista.
O que muda (e o que continua igual) na redação do ENEM 2026
Vou começar pela parte que te deixa mais tranquilo: a redação em si não muda. Em 2026 continua sendo um texto dissertativo-argumentativo, com até 1000 pontos divididos em cinco competências, no mínimo 8 e no máximo 30 linhas, terminando com uma proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Quem treinou nesse formato não precisa reaprender nada.
O que muda é o entorno da prova. O ENEM 2026 chega com inscrição automática e isenção da taxa para concluintes da rede pública, 10 mil novos locais de aplicação (a ideia é que a maioria faça a prova na própria escola), a volta da certificação do ensino médio para maiores de 18 anos e um bônus de R$ 200 do Pé-de-Meia para quem comparece nos dois dias. As provas são nos domingos 8 e 15 de novembro de 2026, e a redação cai logo no primeiro dia.
Há ainda uma tendência que vem sendo sinalizada na correção: cada vez mais a banca valoriza autoria e repertório legitimado, e não fórmula decorada. Na prática, isso reforça a Competência 3 — pensar com a própria cabeça pontua mais do que repetir frase pronta de cursinho.
Os possíveis temas de redação do ENEM 2026
Agora o que você veio buscar. Separei as apostas nas duas famílias que expliquei ali em cima. Para cada uma, você tem por que ela pode cair, os repertórios prontos para usar e um possível recorte de comando. Não é bola de cristal: é onde eu apostaria minhas fichas se tivesse que chutar hoje.
Eixo 1 — Invisibilidade social. Grupos que estão na nossa realidade, mas seguem à margem do debate e das políticas públicas.
1. Inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho
Por que pode cair: o ENEM já falou de surdos (2017) e de doenças mentais (2020), mas nunca encarou de frente a barreira que a pessoa com deficiência enfrenta para trabalhar. É invisibilidade social pura, com lei clara e pouco cumprida.
Repertórios prontos: a Lei de Cotas (Lei nº 8.213/1991, art. 93) obriga empresas com 100 ou mais funcionários a reservar de 2% a 5% das vagas para pessoas com deficiência, cota que raramente é preenchida; a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) garante acessibilidade e igualdade de oportunidades; e a série Atypical, que acompanha um jovem autista tentando conquistar autonomia e espaço no mundo adulto.
Possível recorte: "Desafios para a inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho brasileiro."
2. Evasão escolar
Por que pode cair: milhões de jovens abandonam a escola antes de terminar o ensino médio, e a pandemia agravou o quadro. É um tema que junta desigualdade, trabalho infantil e futuro do país num assunto só.
Repertórios prontos: o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/1990) garante o direito à educação e prevê a busca ativa de quem sai da escola; a LDB (Lei nº 9.394/1996) torna a educação básica obrigatória; a iniciativa Busca Ativa Escolar, do UNICEF, que ajuda municípios a reencontrar alunos evadidos; e o filme Escritores da Liberdade, em que uma professora impede que alunos em situação de risco larguem os estudos.
Possível recorte: "Caminhos para o combate à evasão escolar no Brasil."
Eixo 2 — Impacto sistêmico. Problemas que não escolhem grupo: atingem a sociedade inteira.
3. Mudanças climáticas e segurança alimentar
Por que pode cair: as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024 e as secas cada vez mais longas mostraram na prática o que o clima extremo faz com a produção de comida. É um tema global e brasileiro ao mesmo tempo, e o ENEM adora essa combinação.
Repertórios prontos: a LOSAN (Lei nº 11.346/2006), que criou o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional; o direito à alimentação como direito social, inscrito no art. 6º da Constituição pela Emenda 64/2010; o ODS 2 (Fome Zero) da ONU; e o filme Interestelar, em que uma praga destrói as lavouras e obriga a humanidade a procurar comida fora da Terra.
Possível recorte: "Desafios para garantir a segurança alimentar diante das mudanças climáticas no Brasil."
4. Desinformação e alfabetização midiática
Por que pode cair: as fake news, os deepfakes e a inteligência artificial generativa colocaram a educação para a mídia no centro do debate. O tema conversa direto com a redação de 2018, sobre controle de dados na internet.
Repertórios prontos: o documentário O Dilema das Redes (Netflix), que expõe como os algoritmos manipulam a atenção; o romance 1984, de George Orwell, sobre o controle da informação; a série Black Mirror, sobre os efeitos da tecnologia no comportamento; e a ideia de educação midiática como parte do pensamento crítico previsto na BNCC. (Cuidado: não existe uma "lei das fake news" em vigor no Brasil, então não cite o PL 2630 como se fosse lei.)
Possível recorte: "A importância da alfabetização midiática no combate à desinformação no Brasil."
5. Desafios da saúde mental
Por que pode cair: o sofrimento psíquico entre os jovens virou pauta nacional, puxado pelas redes sociais e pelo Setembro Amarelo. O ENEM já tocou no estigma das doenças mentais em 2020, mas há espaço de sobra para voltar com outro recorte.
Repertórios prontos: a Lei Paulo Delgado (Lei nº 10.216/2001), que reformou o modelo de atenção à saúde mental e garantiu direitos a quem tem transtornos; a campanha Setembro Amarelo, de prevenção ao suicídio, apoiada pelo CVV; e o filme Divertida Mente, que mostra, de forma acessível, por que acolher a tristeza também é cuidar da mente.
Possível recorte: "Desafios para o cuidado com a saúde mental dos jovens na sociedade brasileira."
Temas para ficar de olho
Além das cinco apostas principais, vale manter no radar um segundo grupo de temas que estão fervendo na atualidade e não caíram nos últimos anos:
Também no radar para 2026
- Inteligência artificial no mundo do trabalho e na educação
- Violência digital e cyberbullying (a Lei nº 14.811/2024 tornou bullying e cyberbullying crime)
- Crise hídrica e acesso à água potável no Brasil
- Precarização do trabalho por aplicativo, a chamada uberização
As 5 competências da redação do ENEM (e onde se perde ponto)
Sua nota não sai de uma impressão geral do corretor. Ela é a soma de cinco competências, cada uma de 0 a 200 pontos, com critérios definidos. Entender o que cada uma cobra é o que separa uma redação 700 de uma 900.
- Competência 1 — Domínio da norma culta. É escrever em português formal, sem erros graves de ortografia, concordância, regência e pontuação. Um deslize pontual não derruba a nota; o que pesa é o acúmulo. Guarde os últimos minutos para reler e cortar gíria e marca de oralidade.
- Competência 2 — Compreensão do tema e repertório. A banca cobra que você não fuja do tema, mantenha o texto dissertativo-argumentativo e traga repertório legitimado (lei, dado, obra, fato histórico) ligado ao argumento. Repertório colado, que não conversa com a ideia, não pontua.
- Competência 3 — Projeto de texto e autoria. É a espinha dorsal: tese clara na introdução, argumentos que se sustentam e nenhuma contradição do início ao fim. É onde a correção vem cobrando mais autoria, ou seja, pensamento próprio no lugar de fórmula decorada.
- Competência 4 — Coesão. São os conectivos e as retomadas que costuram o texto: portanto, uma vez que, nesse sentido, dessa forma. Cada parágrafo puxa o seguinte, sem período solto e sem repetir a mesma palavra na linha.
- Competência 5 — Proposta de intervenção. Feche com uma solução completa: agente (quem faz), ação (o que faz), meio ou modo (como), efeito (para quê) e um detalhamento. E sempre respeitando os direitos humanos: ferir esse princípio zera esta competência, até 200 pontos a menos.
Como treinar redação até novembro
Saber os temas prováveis não adianta nada se a mão não estiver treinada. Redação é habilidade, e habilidade só se ganha praticando. Aqui está o que eu faria daqui até a prova:
- Escreva uma redação por semana. Do zero, na folha pautada, do jeito que vai ser no dia. Teoria não treina mão; só a escrita treina. Uma por semana até novembro já são mais de dez textos completos no seu currículo.
- Corrija pela grade das cinco competências. Depois de escrever, volte e dê uma nota de 0 a 200 para cada competência, apontando onde perdeu. Se puder, peça a correção de quem entende: é o atalho que mais acelera a evolução.
- Monte de 3 a 4 repertórios coringa. Escolha obras, leis e dados que servem para vários temas, como a Constituição, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, um filme e um dado do IBGE. Na prova, você encaixa o coringa em vez de travar.
- Treine comandos variados. Não escreva sempre sobre desafios para. Alterne com caminhos para e com perspectivas acerca de, que foi o formato que caiu em 2025 e pegou muita gente de surpresa.
- Cronometre. No dia você tem cerca de uma hora para a redação, entre planejar, escrever e passar a limpo. Simule esse tempo agora para não descobrir o relógio correndo só na prova.
- Leia redações nota 1000 comentadas. Ver o padrão de quem gabaritou ensina mais rápido do que qualquer regra solta. Repare em como a tese é apresentada e em como a proposta de intervenção é detalhada.
Para manter esse ritmo, use o que já está pronto aqui no blog: acompanhe nossas aulas e revisões ao vivo, siga o calendário de provas da reta final — que sugere uma prova antiga por semana — e garimpe repertório e treino de leitura nas provas do ENEM resolvidas. E, para não perder nenhuma data, deixe salvo o calendário completo do ENEM 2026 e dos vestibulares 2027.
Perguntas frequentes
Qual vai ser o tema da redação do ENEM 2026?
O tema só é divulgado no dia da prova, no primeiro domingo de aplicação (8 de novembro de 2026). Ninguém sabe qual será, mas o histórico mostra um padrão claro: um problema social brasileiro, atual e que respeita os direitos humanos. As apostas mais fortes para 2026 giram em torno de inclusão da pessoa com deficiência, evasão escolar, mudanças climáticas e segurança alimentar, desinformação e saúde mental.
Quanto vale a redação do ENEM?
A redação vale até 1000 pontos. A nota é a soma de cinco competências, cada uma valendo de 0 a 200 pontos, avaliadas por dois corretores de forma independente.
O que zera a redação do ENEM?
Zeram a redação inteira: fugir totalmente do tema, não escrever no formato dissertativo-argumentativo, entregar um texto com até 7 linhas, copiar os textos motivadores e deixar partes desconectadas do assunto. Ferir os direitos humanos não anula a redação toda, mas zera a Competência 5, o que custa até 200 pontos.
Quantas linhas tem a redação do ENEM?
A folha oficial tem 30 linhas. O texto precisa ter no mínimo 8 linhas escritas; com 7 linhas ou menos, a redação é anulada por texto insuficiente.
Como treinar redação para o ENEM 2026?
Escreva uma redação por semana na folha, corrija pela grade das cinco competências, monte de 3 a 4 repertórios coringa que sirvam para vários temas, treine comandos variados (desafios para, caminhos para e perspectivas acerca de) e cronometre para simular o tempo real da prova.
A redação do ENEM 2026 vai mudar de formato?
Não. A redação do ENEM 2026 continua sendo um texto dissertativo-argumentativo, com até 1000 pontos divididos em cinco competências e uma proposta de intervenção. O que muda de ano para ano é o tema e, às vezes, a forma do comando, como em 2025, que usou perspectivas acerca do envelhecimento no lugar de desafios para.
Se você quer transformar essas apostas em treino de verdade, sem se perder no meio do caminho, veja o Cronograma Intensivo 100 Dias. E aproveite para deixar salvo o calendário completo do ENEM 2026 e dos vestibulares 2027, para não perder nenhuma data até a prova.
📋 As apostas de tema para 2026
- Invisibilidade social: inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho e evasão escolar
- Impacto sistêmico: mudanças climáticas e segurança alimentar
- Informação e mente: desinformação, alfabetização midiática e saúde mental
- De olho: IA no trabalho, violência digital, crise hídrica e trabalho por aplicativo
- Ganha ponto quem tem repertório legitimado, proposta de intervenção completa e respeito aos direitos humanos
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