Como Ganhar 10 Acertos por Semana até o ENEM (o Método de 30 Dias)
Dá para subir 10 acertos por semana até o ENEM: meta de 30 acertos em cada prova, uma prova por semana na ordem certa, simulado completo todo fim de semana corrigido inteiro e revisão pelos padrões de cobrança. O método dos 4 passos, semana a semana.

Todo ano, perto da prova, eu recebo a mesma mensagem: "Renato, eu tô fazendo uns 80 acertos. Dá pra chegar em 120, 130 no ENEM?" Dá. E a conta é simples: 10 acertos a mais por semana, durante 4 semanas.
Não é promessa de milagre. É o que eu vejo acontecer quando o aluno para de estudar "tudo" e passa a atacar uma prova por vez, com uma meta clara e uma prova completa por semana para conferir se subiu ou não.
Aqui está o método inteiro que eu expliquei no vídeo: os 4 passos, a ordem das provas, o que estudar em cada semana e o que você deixa de lado para caber em 30 dias.
Por que você estuda muito e não sobe
Quatro coisas travam o aluno que estuda o dia inteiro e continua na mesma faixa de acertos.
Você olha para o número global. "Estou fazendo 80" não diz nada. O ENEM são quatro provas de 45 questões, e você precisa saber quantas está acertando em cada uma. Um aluno que faz 30 em Linguagens, 25 em Humanas, 15 em Natureza e 10 em Matemática tem um problema muito claro. Quem só sabe que "faz 80" não sabe nem por onde começar.
Você tenta evoluir nas quatro provas ao mesmo tempo. Divide a energia em dez matérias, avança um pouquinho em cada uma e não rompe barreira nenhuma.
Você estuda só os erros. Corrige o simulado olhando o que errou, como se todo o resto estivesse dominado. Não está. A maioria acerta boa parte na sorte, numa interpretação meia-boca, e não saberia justificar as alternativas que descartou.
Você revisa como se tivesse o ano inteiro. Abre a teoria completa do assunto, no ritmo de cursinho, faltando 30 dias. Não dá tempo, e não precisa.
O método abaixo resolve os quatro, um por um.
O método de 30 dias, semana a semana
A base é o que eu chamo de harmonização: 30 acertos em cada prova. Não adianta ir muito bem em uma e muito mal em outra. Se você bater 30 em Matemática, 30 em Natureza, 30 em Humanas e 30 em Linguagens, já saiu de 80 para 120.
E tem uma regra que explica a ordem das semanas: é muito mais fácil sair de 20 para 30 em uma prova do que sair de 30 para 35 em outra. Os 5 acertos extras em Matemática custam caríssimo. Os 10 de Natureza vêm muito mais rápido. Então, a cada semana, você pega a prova que está abaixo de 30, abandona o resto e dedica a ela 5, 6, 7 horas por dia. Você aceita continuar mal em uma para evoluir nas outras. Se uma prova já está em 30, pula para a próxima.
A ordem de prioridade é essa:
Matemática: bater os 30
5 a 7 h/diaMatemática é a primeira prova em que você tem que buscar os 30 acertos, e é bem tranquilo chegar lá. O básico garante metade; o segredo para romper a barreira é geometria. Dominou geometria, não se preocupa em ir para 35 ainda: vai para a próxima prova.
- Matemática básica (operações, frações, porcentagem, razão e proporção)
- Estatística: média, moda e mediana
- Equação e função do 1º grau
- Geometria plana e geometria espacial (o que separa quem faz 20 de quem faz 30)
Humanas: garantir as fáceis
5 a 7 h/diaHumanas vem antes de Natureza porque é mais fácil de evoluir: Natureza tem Física, Química e Biologia numa prova só. Em Humanas, garantindo as fáceis e as intermediárias, você já está na faixa dos 25 a 30. O nível difícil só entra para quem quer 35, 40.
- Fácil: História do Brasil (Colônia, contexto geral) e Sociologia (cultura, movimentos sociais)
- Intermediário: Geografia humana (geopolítica, globalização, urbanização) e Geografia física (biomas, clima, relevo), fácil para quem estudou Biologia
- Difícil, só para 35+: Filosofia (antiga à contemporânea), Marx, Weber e Durkheim, detalhes de revoltas e guerras
Natureza: gabaritar Biologia
5 a 7 h/diaA primeira estratégia é gabaritar Biologia, a disciplina mais rápida de evoluir: dominando os principais temas, você pega 10, 12 das 15 questões. Depois vem Química, e só então o básico de Física. Divida a semana entre as três.
- Biologia: ecologia, citologia, genética, fisiologia, botânica e as doenças que caem no ENEM
- Química geral e inorgânica: ligações, óxidos, ácidos e bases, nox, neutralização, mol, estequiometria, soluções
- Química orgânica: funções e propriedades (polaridade, solubilidade, fusão e ebulição) + impactos ambientais
- Física: ondulatória, calor e termodinâmica (máquinas térmicas), leis de Newton, trabalho e energia, eletrodinâmica básica
- Só para 35+: termoquímica e eletroquímica
Linguagens + fechamento
Prova e correçãoLinguagens é a última prioridade porque, em geral, todo mundo faz 30 só com interpretação de texto. Se você é péssimo em interpretação, o caminho é fazer a prova e corrigir questão por questão, aprendendo durante a correção. Quem quer 40 aí sim estuda as competências e habilidades da matriz.
- Fazer a prova de Linguagens e corrigir inteira
- Para 40: competências e habilidades da prova
- Resto da semana: voltar na prova que ainda não bateu 30
Se você tem 2 meses em vez de 30 dias, vale montar a base antes de entrar nesse ciclo. O Cronograma ENEM de 2 meses mostra a ordem dos conteúdos por incidência. Com 30 dias, a prova antiga vira o seu cronograma.
Como medir: o simulado de sábado
Nada disso funciona sem métrica. Você precisa começar a fazer prova já, independente do quanto estudou. Se não estudou nada, tem que começar a fazer prova do mesmo jeito.
No primeiro momento pode ser fragmentado: só Matemática, só Natureza, só Humanas. Depois você passa a simular o ambiente do ENEM com as 90 questões de um dia. Mas a regra é uma só: toda semana, uma prova antiga completa do ENEM. Faça no sábado e corrija ao longo da semana.
O que você anota não é a nota. É o número de acertos em cada prova:
- Matemática: ___ / 45
- Natureza: ___ / 45
- Humanas: ___ / 45
- Linguagens: ___ / 45
Esse quadro define a semana seguinte. A prova com menos acertos (e abaixo de 30) é a prioridade. Se de um sábado para o outro o total subiu em torno de 10, o método está funcionando. Se não subiu, a resposta está na seção de perguntas no fim do artigo.
Um detalhe que muda a leitura do resultado: marque, durante a prova, quais questões você chutou. Acerto de chute não é acerto de conteúdo, e ele some na prova real. Quer saber como chutar melhor quando não tem jeito? Leia como chutar no ENEM sem perder nota.
As provas de 2015 a 2025 estão em /simulados, e você pode resolver questão por questão, com gabarito, em /questoes.
O caderno de erros que faz a diferença
Aqui está o passo mais importante do método, e o que a maioria faz errado.
Você não vai estudar os erros. Você vai estudar a prova. Quando corrige só o que errou, você pressupõe que domina todo o resto. Não domina. Você acertou boa parte no chute ou numa interpretação frouxa. Então a correção é da prova inteira, questão por questão, todas as alternativas: por que a certa é certa, por que as outras são erradas. Caiu eletromagnetismo e você nunca viu? Você aprende ali, dentro da questão, porque na próxima prova esse conhecimento volta.
É dessa correção que sai a matéria-prima do caderno de erros. Nele entram dois tipos de questão:
- O que você já tinha estudado e mesmo assim errou. Isso é lacuna. É o que direciona a sua revisão da semana.
- O que você nunca estudou e está caindo com frequência. Isso é conteúdo que falta, e entra na fila da semana daquela prova.
O caderno em si é simples. Quatro colunas por questão:
- Questão: ano, dia e número (ENEM 2022, Q145)
- Matéria e assunto: Física, eletrodinâmica
- Por que errei: não sabia a fórmula da potência / li errado o enunciado / chutei entre duas
- Revisar em: a data em que você volta nela (2 dias depois, depois uma semana)
A coluna "por que errei" é a que vale. Errar por conta ou errar por leitura pede correções diferentes. Eu mostro o formato completo que uso com meus alunos no vídeo O caderno de erros perfeito.
Corrija durante a semana, uma prova por dia: segunda Natureza, terça Matemática, quarta Humanas, quinta Linguagens. Sexta é a revisão das lacunas. Sábado, a prova nova.
O que cortar para caber
Trinta dias não cabem tudo. O que sai:
- A teoria robusta. Não adianta abrir a apostila inteira de genética. Vai direto nas questões padrão de genética, de doenças, de termologia, de geometria, e vê se consegue dominá-las. Se dominou o padrão, passa para o próximo.
- A tentativa de evoluir nas quatro provas ao mesmo tempo. Uma prova por semana. Aceite ficar mal em uma para subir nas outras.
- A ambição de ir para 35 ou 40 antes de igualar tudo em 30. Os tópicos de 35+ (eletroquímica, filosofia teórica, teóricos da sociologia, contexto específico de guerras e revoltas) esperam.
- O cronograma de conteúdo completo. Com um mês, quem manda no seu estudo é a prova antiga. Ela diz o que você não sabe; você só obedece.
- Estudar sem fazer prova. Semana sem prova completa é semana sem métrica, e sem métrica você volta a estudar no escuro.
📋 Os 4 passos do método
- 1. Métricas: quantos acertos em cada prova, meta de 30 em cada uma (= 120)
- 2. Paciência de prioridade: uma prova por semana, Matemática → Humanas → Natureza → Linguagens
- 3. Uma prova antiga completa toda semana, corrigida inteira, não só os erros; as lacunas vão para o caderno
- 4. Revisão pelos padrões de cobrança do ENEM, direto na questão, sem teoria de cursinho
Onde revisar pelos padrões
O quarto passo, revisar pelos padrões de cobrança, foi exatamente o motivo de eu montar o Premonição ENEM. É um curso de padrões de questões: cada aula começa por 3, 4 questões do ENEM daquele tópico e a teoria vem dentro da questão, explicada em profundidade, não só marcando a alternativa.
Quem tem tempo vê todos os tópicos e garante que revisou tudo. Quem tem 30 dias vai direto nas disciplinas e nos tópicos que apareceram como lacuna no caderno de erros. Além das aulas, o aluno tem o banco de questões comentadas, o ranking semanal e a ofensiva para não deixar um dia passar em branco.
Perguntas frequentes
Dá para subir 10 acertos por semana de verdade?
Dá, principalmente para quem está na faixa dos 80 a 90 acertos e ainda tem provas abaixo de 30. É nessa faixa que a evolução é mais rápida: sair de 20 para 30 em Natureza ou Humanas leva uma semana focada. Quem já está em 145, 150 e quer 160 também sobe, mas o ganho por semana é menor, porque os acertos que faltam são as questões difíceis.
Quantas questões por dia?
Eu prefiro medir por prova, não por questão. A regra é uma prova antiga completa por semana (90 questões no sábado) e, nos dias de semana, 5 a 7 horas na prova prioritária, resolvendo os padrões daquele conteúdo. Se quer um número para se guiar, 30 a 40 questões resolvidas e corrigidas por dia é uma referência razoável, mas o que importa é a correção, não a contagem.
Estudo teoria ou só questões?
Questão primeiro, teoria dentro da questão. Faltando 30 dias, a teoria completa de cursinho não cabe. Você vai direto nas questões padrão do assunto que apareceu como lacuna, e aprende o que precisa ali. Se depois de 3 ou 4 questões do mesmo padrão você ainda não entende, aí sim busca uma aula objetiva daquele tópico.
E se eu não subir na primeira semana?
Primeiro, confira se a semana teve prova completa e correção da prova inteira. Segundo, olhe o quadro por prova: às vezes o total não mexeu porque uma prova subiu 8 e outra caiu 6, o que é normal quando você abandonou uma para focar na outra. Terceiro, confira quantos acertos da semana anterior eram chute. Se a prova prioritária subiu, o método está funcionando; segue para a próxima.
Vale para quem está começando do zero?
Vale, com uma diferença: quem está do zero faz a primeira prova sem ter estudado nada, só para ter a métrica. Vai ficar abaixo de 30 em todas, e a ordem continua a mesma: Matemática (básica e geometria), Humanas (História do Brasil e Sociologia), Biologia dentro de Natureza. Quem tem 2 meses ou mais deve montar a base antes com o cronograma de 2 meses e entrar no ciclo das provas semanais nos últimos 30 dias.
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